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domingo, 9 de setembro de 2018

SETEMBRO (VIDEOCLIPE)

Música autoral do artista alagoano Tiago Godoi o qual gentilmente me convidou para encenar o clipe. "Setembro" é lançado em setembro, mês em que se destaca campanhas de prevenção ao suicídio.
Conversem com seus amigos, colegas e parentes. Aconselhe-os, incentive-os a procurar ajuda, ou, procure ajuda você mesmo caso necessite.

terça-feira, 22 de maio de 2018

METONÍMIA

Todo sujeito é verbo
Livre para conjugar-se,
Predicar-se e prejudicar-se
No substantivo chamado vida.
A vida de substância tempo e espaço
De dores, dúvidas e êxtase.
Dos que hesitam e exultam o êxito
Dos sujeitos flexionados
Ocupa assim a palavra, função diferente do ser,
Sendo o sujeito verbo direto
Que transita perto de outros sujeitos
Às vezes intransitivos; às vezes intransigentes.
Narra-se a vida em primeira em experimentos de quinta...
Insubordinados coordenam suas orações com aposto
na aposta que o vocativo que invocam possa um dia os responder.
Todo sujeito é verbo.
Pode ser muitos sendo um só.
Todo sujeito tem por complemento uma dor.
Alguns lamentam saudade,
uns choram o porvir.
Outros fingem ser a dor um presente.
Agradecem.
Sofrem.

H.T.

terça-feira, 20 de março de 2018

A CULPA É DA ESQUERDA, DOA A QUEM DOER!

Talvez seja difícil para você admitir que Bolsonaro seja cria de personagens como Jean Wyllys. Entendo. Eu não tenho problemas em publicar este texto. Abomino fanatismos, eufemismos e qualquer necessidade de agradar sendo o que não sou. Quanto a isso, talvez esteja mal posicionada. Poderia, quem sabe, ser de esquerda, não fosse o niilismo (ou talvez a própria esquerda).
A esquerda contaminada pela doença do "falem mal, mas falem de mim", cutucou a ferida de forma profunda e irreversível. Afrontou valores de um país que, quer você goste ou não, é de maioria cristã, conservadora e formado por lares tradicionais.
Eu sempre disse que a maneira correta de impor respeito não era pelo ódio. Um princípio de Confúcio já dizia que as palavras convencem, mas os exemplos arrastam. E qual o exemplo da esquerda? Qual o limite entre a anarquia e a ordem quando se inverte o sistema?
Jesus é gay, trans, cis. Elementos sacros são adereços do profano. Homens devem ser odiados pelas mulheres, afinal, são estupradores em potencial. Não basta garantir que as mulheres tenham direito ao aborto em casos excepcionais. Vamos instrui-las a não levar adiante a gravidez caso não estejam a fim no momento. Cultura? Só se for pós-moderna! Vamos exibir nossa arte em um vaso sanitário, um monte de lixo no canto da sala, um homem nu sendo tocado por uma criança. Gênero? Não existe. É uma criação social. Sexualidade infantil? É normal um menino levar seu namoradinho para o aniversário de 13 anos e beijar na boca dele ao som de aplausos. Empoderamento é promiscuidade. Afronte. Indisciplina. Desrespeito.
A esquerda pariu o ódio a ela mesma e agora sofre as consequências. Não há bandeira branca. Cada vez mais estão vermelhas. De partido e sangue.
Em busca do respeito, o ódio continua sendo combatido com ódio e você briga com seu amigo no facebook, faz chacota de quem se posiciona diferente de você. Multiplica as crias de uma história de ódio. Porque é tudo o que resta.
Fomenta-se a intolerância sustentando discursos demagogos de equilíbrio e igualdade.
Enquanto isso, estamos prestes a entregar o país nas mãos de um delinquente, e assistir calados, em nome de uma democracia, o grito dos que se vêem desesperados diante de tanta coisa fora do lugar.
É triste, mas o pior ainda está por vir. #esquerda #direita #Brasil #Bolsonaro #JeanWyllys #niilismo #bulanabula #antesqueocafeesfrie

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

EVITE FOFOCAS: PUBLIQUE-SE!

Durante muito tempo louvei os ensinamentos do "bom velhinho" Zygmunt Bauman e apreciei, embora nunca tenha seguido, as máximas do reservar-se. Conter-se em felicidade e tristeza; poupar o mundo de saber sobre suas frustrações, sua condição física e mental afinal o que se ganha e se perde ninguém precisa saber. Ninguém deveria se importar.
Contudo, redes como Facebook, Instagram, Twitter, Blogger e as diversas possibilidades de compartilhamento de status dizem que você não é mais sócio majoritário de sua vida. Ao ler os contratos de termos de uso das redes sociais está lá que mesmo após sua morte tais ferramentas ainda detém o direito sobre o que você compartilhou. É uma espécie de pacto daqui para além.
Desse modo, também há que se lembrar da máxima "se não pode com eles, junte-se a eles". E maior do que o sistema, está quem o alimenta. Quem são? 
São centenas, milhares, milhões e bilhões que podem ter facilmente acesso a qualquer um de nós neste ciberespaço. 
Felizmente, dentre esses bilhões, existem pouquíssimos que vão sondar a vida de outro, mas que ao fazer, irão fazer com maestria sem abrir mão da oportunidade de especular sobre tudo o que veem e inventar tudo o que não veem. Vão perseguir e se informar de tudo o que o outro faz. 
Alguns, por exemplo, costumam ser inofensivos. Colecionam fotos minhas e me escrevem sobre elas. Fazem homenagens públicas, declarações de carinho. Outros repostam meus textos dando os devidos créditos. 
Outros simplesmente, vivem para tentar me derrubar. Haters (?) 
Diante disso, venho desenvolvendo uma ótima ferramenta e atalho para todos os que têm extrema necessidade de especular sobre minha vida e a qual recomendo a todos quanto leem este texto: publique-se!
Elimine as possibilidades de especulações levianas sobre sua vida. Mostre-se! 
Costumo dizer que as fofocas crescem até chegar a mim. Quando chegam, morrem. Não dou audiência para o que disseram que ouviram falar... Não tenho tempo para perder sondando a vida de ninguém. Estou muito ocupada vivendo a minha própria vida.
Paradoxalmente, é necessário vencer uma batalha todos os dias dentro de si, para que se possa viver em paz consigo e eu tenho aprendido muito bem a lição.
Meu blog é autobiográfico. Minhas fotos são. As legendas são. As músicas que ouço são. Os personagens que admiro são. Tudo o que acredito, tudo o que me transformei, o que sou e o que vier a ser é parte de uma autobiografia. Exposta. Pública. Autêntica. Minha.
Nenhum olho grande seca o mar. Nenhum farol é capaz de constranger o sol a ponto dele não brilhar. Sou o que sou. 
E que sejamos melhor a cada dia.

sábado, 2 de dezembro de 2017

HISTRIÃO DA VIDA*

Ao som de Wagner escrevo estas palavras. O peso de sua ópera compete com o do meu olhar. Que antes de peso, é pesar. 
Pela palavra incompreendida, pelo julgamento precipitado. E por quem, pela impossibilidade de amar, julga impossível ser amado. 
É pesar também por mim. Pelas palavras proferidas, pelos gestos sem retorno, pela cara lavada pelo ácido da verdade. 
Escrever ao som de Wagner exige pressa e rigidez. Não espere uma palavra que defina quem eu sou. Não espere o rosto feliz de um leitmotiv indignado. 
Apressa-me dizer o quanto sinto de pesar por minha romântica visão de querer viver Vivaldi em Quattro stagioni, quando em perene inverno, a Sinfonia Fausto me cai melhor. 
E mais do que arte, vida; o histrionismo da décadence é a pintura que melhor cai a quem não precisa de máscaras para viver sendo quem se é.

Hellen Taynan

*Contextualizando os termos:
1- Wagner: um artista em sua mais completa tradução. Uniu música e teatro sendo maestro e compositor. Ele era muito crítico quanto aos escritores da época e por isso preferia ele mesmo escrever as letras. Considero sua música demasiadamente dramática. Muito mais do que se é possível suportar por mais de 30 minutos.

2- Leitmotiv: quer dizer uma forma de conduzir que Wagner desenvolveu e que usa o mesmo tema da ópera sempre que se executa uma passagem do drama envolvendo determinado personagem.

3- Vivaldi: músico barroco do século XVII. Considero sua ópera leve, linda e feliz.

4- Quattro stagioni: "le quattro stagioni", As quatro estações, composição de Vivaldi.

5- Sinfonia Fausto: composição de Liszt, inspirada na obra de Goethe, Fausto. A obra é cheia de ocultismo, parábolas e verdades de um jovem que tinha tudo, mas queria mais. Um drama para Shakespeare nenhum botar defeito.

6- Histrionismo: modo histérico de agir. Quase caricato. Vale tudo para chamar atenção. (Inclusive tirar foto com o rímel borrado).

7- Décadence: aparece, na filosofia de Nietzsche como fato ligado primeiramente à arte e depois à própria existência. Seria o exagero, o histrionismo nos gestos e para ele, Wagner era o mais histriônico de todos os artistas. Sob o ponto de vista existencial, Nietzsche faz uma crítica sobre os que não têm domínio de si próprios, uma vez que em cada pessoa, existem diversos 'eus' e ser pessoa é meramente síntese dos nossos traços. Nesse texto, utilizei sob os dois pontos de vista. Ora para obedecer à ideia musical que ele propõe; ora para enfatizar a multiplicidade dos "eus".



segunda-feira, 30 de outubro de 2017

LUAR INSONE

Queria que por uma noite, 
a tua insônia combinasse com a minha. 
Então eu pensaria tão alto em você 
que de longe você escutaria. 
Iria cada um de sua janela, olhar a mesma lua. 
Eu porque te esperava, você porque te chamei. 
A gente fazia um laço e encaixava na ponta da lua. 
Brincava de balanço para lá e para cá durante toda jornada. 
Saberíamos que a cada balanço, mais perto nós estaríamos. 
Depois já quase pronto o sol, não saudosa e sem pranto, 
a lua marota permaneceria atenta. 
Não sairia de perto até que nosso laço virasse nó 
Até que nos encontrássemos 
e fizéssemos de todas as noites, 
eternas madrugadas. 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

SETEMBRO É O NOVO JANEIRO

Eis que começa o ano. E o que poderia sair dele? Trocando os pés pelas mãos e caminhando ao avesso desde dezembro; fazendo dos sonhos possibilidades reais e acreditando que eram realidade, como aquele caminhante no deserto que de tanto padecer enxerga uma miragem e acredita que é um oásis. 

E assim eu estava: caminhando num imenso deserto que eu mesma encontrei enquanto procurava o que não existia no labirinto dos meus pensamentos confusos, no vão de minhas expectativas, sempre maiores do que comporta a realidade. Falhei. 

Como se não bastasse a falha, eu insisti nela. E por quantas vezes pensei em desistir? 

Dia desses um amigo me falou que existem pessoas que nos inspiram e outras que sugam nossas energias. Interpretei, em outras palavras, que todo relacionamento é uma troca de energias. Algumas pessoas ao te abraçarem, te desejarem um bom dia, ou mesmo ao sorrirem para você, vão te energizar de uma forma tão positiva, que você terá vontade de sorrir também. Outras vão te deixar com um ar pesado e podem comprometer seu humor naquele dia ou seu comportamento enquanto estiver próximo a ela.

Sempre que vou a algum lugar levo minha espontaneidade. Dias desses eu estava na boate. Tinha sido mais uma semana frustrada em que nada de novo aconteceu e quando acontecia, não era nada de muito agradável. Mas então eu estava lá e em determinado momento quando fui buscar uma água no bar, um rapaz me parou e disse: 
eu estou impressionado com sua energia! Você é muito alegre e isso contagia. Sério! Eu estava todo desanimado, pensando em ir embora, agora estou dançando!
E então eu pensei naquele minuto, como as pessoas não conseguem disfarçar sua essência, por "pior" que elas estejam. Aquele rapaz não sabia nada sobre o que eu vinha passando, quantas noites de insônia, falta de ar, choro, ansiedade... E no entanto, ele me via como uma pessoa tão alegre, capaz de contagiá-lo.  Não tive outra reação a não ser dar um abraço agradecendo por isso e neste abraço, eu transmiti tudo de melhor que existia em mim. Transmiti minha energia.

Nos eventos subsequentes que eu fui, observei mais atentamente. Não é que esse negócio de energia funciona mesmo? 

Sei que agora, em setembro, como uma fênix, eu ressurjo das minhas próprias cinzas. Eis que os dias, ainda que cinzentos, sempre guardam em algum horizonte, um lindo arco-íris e por mais pessimista que eu me defina, sei que são as cores desse arco-íris que tenho guardadas nas memórias de minha retina e que não se apagam nunca. Afinal, parafraseando a mim mesma... O que eu sou, não depende de quem você é.

Para mim, o ano começou agora. E eu digo isso isso, porque agora eu começo a receber o eco de minhas ações. Ninguém perde por ser bom, pode perder muito, por ser ingênuo, é fato. Mas a essência da bondade cedo ou tarde retorna a quem a pratica. Então nunca perca a oportunidade de transmitir o melhor de você a qualquer um que cruzar o seu caminho. Não importa quantas vezes te forem cruéis, cada um sempre vai dar apenas aquilo que tem.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O QUE VOCÊ MATARIA?

No fim é o afeto, o herói e o vilão de nossa história. E qual o sentido do afeto em nossa vida se aquele que nos abraça um dia não mais poderá? Mas o que seria de nós se não colocássemos naquele abraço toda a força do nosso amor porque quem nos abraça é digno dele?

No início é o afeto. Pode ser num simples sorriso. Quando pais e filhos, por vezes lágrimas. Um porque nasceu, outro por emoção. E ali está traçado. Como pode um pai não amar seu filho? Como pode um filho não amar seu pai? 

No meio de tudo é o afeto. O afeto é que faz perdoar. O afeto faz voltar atrás em decisões que pareciam tão certas. O afeto é o único que faz esquecer todo o mal. Briga de irmãos, amizades verdadeiras, pais e filhos... O amor é o único eterno. 

E amar dói. Dói porque tem fim. Dói porque no fim, todo amor é egoísta. Todo amor quer aquele que se ama pela eternidade que ele durar. Porque quem ama morre e quem é amado também. E qual o sentido do afeto em nossa vida se todo amor morre?

Talvez o maior castigo que Deus deu ao homem foi o desequilíbrio que todos possuem em maior ou menor medida entre a capacidade de amar e impossibilidade de esquecer. 

E se eu pudesse matar... Eu mataria a morte.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O VAZIO E O NADA

Haverá um dia em que todas as fugas serão inúteis. Haverá um momento em que todas as doses serão insuficientes para aplacar a dor de viver. Haverá um dia em que todo o amor dentro de você perguntará a você e a si próprio o que ainda faz ali. E neste dia, até o amor irá te abandonar. 
Irá silenciar dentro de você todo sentimento. Todo bem e mal serão nada. Nenhuma dor será sentida e nenhum grito será escutado dentro do imenso vazio que tomou conta de tudo o que um dia foi em você sentimento e crença de que as coisas poderiam dar certo e que tudo seria diferente.
Tudo seria diferente e foi. A cada dia um mal pior até não restar nada. Nem pior nem melhor, nem bom nem mau. Apenas o nada. O nada que nada preenche. A surdez que não permite ouvir os gritos de sobrevivência. A mudez que impede gritar por socorro. Nem prazer nem dor. O nada.
E neste dia, descobrir-se-á que todo o vazio ocupa um espaço imenso. Que seu corpo é pequeno para conter em um ser o vazio e o nada dentro de alguém que se esqueceu de si, que se abandonou após os abandonos, que se desacreditou após as decepções, que se autodestruiu para si a cada tentativa de salvar a si mesmo. Que foi assassinado pelo desamor de quem acreditava amar. 


quinta-feira, 20 de julho de 2017

FRIO PÓS-MODERNO

Cada vez mais me inquieta o frio. Inquieta-me, contudo, não o frio que o vento do inverno provoca ao tocar os rostos e mais aquele que ao tocar os rostos congela os corações. A frieza das redes que não sustentam ninguém; que favorece amizade fastfood para depois se tornar lixo descartado na faxina que os exclui.
Sem viés otimista, mas em constatação tem-se a nata da modernidade líquida: ela escorre!
Escorre e passa.
Não passa para os que ainda estão, não passa para aqueles que ainda hão de vir - depende de nós. Não passa como uma época que finda ou moda que é substituída, mas passa. Passado quase anacrônico, mais passageiro que temporal. Mas passa.
Antes de passar, é possível que deixe a gente menos gente, tal qual são as coisas mais gente que a gente. Antes de passar, é provável que amizades terminem em faxinas, relacionamentos sejam discutidos pelo whatsapp e casamentos desfeitos via skype.
De tudo isso quero me abster. Desejo estar muito longe de estar despedaçada por todo mundo e perto, inteira, de um único lugar. Aquietar a alma, dançar a vida, embriagar-me de todos os sorrisos e olhares que cruzarem o meu. Conhecer pessoas que nunca conheci e reconhecer aqueles que talvez um dia, em faxina, eu tenha limpado de minha (vida) lista.
Sim, a pós-modernidade escorre. E corre.
Escorre e lava a alma; escorre e leva o que passou; e passa como passageiro que tomou o trem e acredita que agora está no rumo certo.
Escorre e corre como as águas de um rio que nunca voltarão a afogar quem encontrou a ponte para o outro lado. O lado onde o frio corta a pele, mas não congela o coração.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

18 anos

É como ter 18 anos!
Acordar sem prever o dia,
Rir de bobagens que são publicadas
Compartilhar essas bobagens
Esperar outras risadas
Encontrar os amigos
Dançar nas baladas
Ser a mais popular
Encher a cara 
Esvaziar a mente
E no dia seguinte...

É como ter 18 anos!
Fazer planos para o futuro.
Balada hoje, facul amanhã.
Aos 30, uma profissão.
Ap, família, viagens.

É como ter 18 anos!
Aos 30, ter um filho.
Cansei de baladas.
Noite em claro com choro de criança.
Débito automático 
Renovar o seguro do carro.

É como ter 18 anos
E todos os motivos para continuar.
Se assim tivesse, seria o futuro aos 30.
Para quem tem 32, o futuro já passou.



quinta-feira, 16 de março de 2017

Por aqui as coisas continuam do mesmo jeito

É, por aqui as coisas continuam do mesmo jeito. Diria que estou mais forte! Foi Nietzsche mesmo quem disse que aquilo que não nos mata, nos fortalece. E talvez seja isso mesmo. Mas talvez, também, não fosse preciso sofrer tanto. Na verdade eu sempre duvidei de que para aprender fosse necessário chegar ao extremo da dor. Ou ao menos duvidei do fato dessa dor não precisar ter um limite. É isso! Toda dor necessária ao crescimento precisa, clama, urge, implora por um limite!

Um limite que nos impeça de agir impensadamente. Um limite que nos impeça de ficar prostrada numa cama por dias, dias e dias... Um limite que nos faça lembrar do que sentimos pelo outro e em nome disso reconsiderar posicionamentos, decisões, atos e palavras.

É... Por aqui as coisas continuam do mesmo jeito. A tempestade fez estrago apenas em mim. Tudo mais permanece igual. Há dias em que acordo e que quase te chamo. É difícil saber que mesmo que eu tente impedir, o sol vai estar lá fora brilhando quando o dia raiar. É cruel lembrar da verdade de Shakespeare que grita aos meus ouvidos que não importa em quantos pedaços meu coração foi partido, o mundo não vai parar esperando que eu o conserte.

A cada dia uma voz me convence que você não gosta de mim. Outra voz me diz que você gosta. Sei que ao menos uma é razão, só não sei qual. Ou talvez eu não queira saber porque como eu te disse, por aqui as coisas continuam do mesmo jeito. Às vezes tento te incriminar como assassino de meus sonhos. Mas nem por isso levas culpa nenhuma porque a cada manhã se renova essa esperança, esse feixe de luz, de sonho e vontade de recomeçar. Então eu sigo acreditando que cada noite a mais, marca um dia a menos da gente se reencontrar e reescrever as linhas que pelo caminho se desviaram.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

PERDER-SE DE DEUS É NÃO TER SOCORRO


"Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?"

Saudade mesmo eu sinto do tempo em que eu podia acreditar na resposta que seguia a pergunta acima iniciando o salmo 121 da Bíblia. 

Certa vez Rick Warren, escritor cristão, disse que nunca saberemos que Deus é tudo o que precisamos, até que Deus seja tudo o que tivermos. Essa frase soa muito bem a quem tem dentro de si, em algum lugar, um lugar para Deus. 

Dostoiévski dizia que há dentro do homem um vazio do tamanho de Deus. E a todos que se abandonaram tão longe e que de tão vazios chegam ausentar-se de si mesmos, cabe o pensamento de que não existe vazio maior que aquele deixado em quem se abandona de Deus.

A maior contradição a que pode chegar um ateu ou agnóstico é fazer uma oração porque oração requer fé. Quem ora o faz com fé, rogando por algo que espera que Deus cumpra. 

"Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito..." (Mateus 21.21)

Mas ainda assim você ora. Pede, implora e roga não para que os montes se transportem, mas para ter um pouco de fé. Nesse momento é tarde, porque Deus já fez as malas quando você o expulsou e foi cuidar dos que são DEle. Tudo o que você pode ouvir é o eco de seu grito. Não há ninguém dentro de você além de você mesmo e você é tão pequeno, tão frágil, tão falho, tão dependente.

Dentro do hiato você começa a apelar pra caridade de quem você de alguma forma feriu, mas guarda dentro de si muito de Deus. Você rasteja e se humilha a outro ser tão pequeno, frágil, falho e dependente quanto você e que agora pode te olhar e dizer: tenho pena de você.

No vazio perdido em si mesmo, sem fé, sem Deus e sujeito ao sentimento de pena do outro, você ultrapassa as barreiras limítrofes do desespero. Você eleva seus olhos para o monte, mas não vê nenhum socorro. 

Mais uma vez há vários caminhos. Não é apenas uma bifurcação. É labirinto. Você escolhe o que mais prazeroso lhe parece até quebrar-se novamente em mil pedaços e perder-se de novo até o dia em que ninguém mais vai achar e suas forças serão insuficientes para se refazer.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Sendo bem "ISTA"

Neste Natal não desejei feliz Natal a quase ninguém. A quem o fiz, fiz no modo automático respondendo apenas os desejos de quem a mim chegava. Mais por obrigação que por entusiasmo, o que me fez refletir como é mesmo incrível como o tempo muda nossa percepção seja de ouvidos, paladar, pensamentos ou condutas. Tudo sempre está em movimento num tempo que não dá pra armazenar e deixar protegido numa caixinha. O que sobra do tempo em caixinhas são fotografias, recortes, diários, bilhetes e anotações que para um qualquer - como eu - foram um dia tão caros, como o Natal! 

Natal do Menino Deus, Jesus Cristo, que nasceu pobrezinho numa manjedoura e que você tanto respeitava e acreditava e reproduzia aquela história e memorial. A expectativa! Expectativa de reunir a família em volta da mesa e cear juntos, felizes, confraternizando, trocando juras e promessas de estar sempre junto, sempre perto. Como um ser frágil, quase vulnerável, você devia respeito, silêncio e obediência a seus pais e aos mais velhos. Você precisa segurar forte a mão do seu pai para ninguém levar você dele. Ele precisa te deixar e buscar na escola e em todas as atividades que você participa.

Daí você cresce e consegue discernir a direção que tem que seguir para chegar até sua casa. Você  tem bom reflexo e coordenação garota! Pode atravessar a rua sozinha sem a mão do seu pai para lhe guiar. E mais! Você pode ir à rua sozinha, depois a outro bairro, outra cidade, estado e país. Uau! 

Seria sensacional, não fosse por desconfiar que ao pisar fora de casa sozinha sem o calor da mão dos seus pais na sua, a frieza do mundo vai resfriando a alma. A cada dia você dá um passo maior e quando percebe, você correu tão longe que se perdeu. Perdeu-se no esquecimento das juras que fez, perdeu-se no choro que engoliu seco porque não suportava a ideia de ficar ao menos um dia longe do ninho e agora consegue sorrir todos os dias e muitas vezes vive como se não existisse nada. Nem Natal, nem Jesus, nem ceia, nem família. 

Você, que tanto exaltou sua liberdade agora anda com medo. Pensa antes de falar e não obstante todo o cuidado ainda é culpada pelo mal-estar que suas palavras causam. E ouve coisas que nunca ouviu, e sente medo e vergonha de ser quem é, e tudo o que você acreditava que era de bom, você não é mais. Sua espontaneidade de virtude, passou a defeito. Não, você não é verdadeira! Afinal, quem pode ser como você? Só pode estar sendo cínica. O mundo lhe convence que você está errada, quando na verdade você está é pequena! Você diminuiu e você vai sumindo a cada vez que cede algo que nunca faria, a cada vez que baixa a cabeça e pede desculpas, mesmo sabendo que não devia.

E então por tudo isso, você simplesmente agradece. Agradece ter congelado um pouco a alma e ter se tornado menos humana. O calor que aquecia o amor puro e eterno do coração que desejava feliz Natal com um sorriso largo, jamais suportaria o inverno glacial do mundo que te engoliu. E assim, com doses exageradas de realismo e cerveja, você aprende que ser pessimista é apenas uma tentativa tola de protelar otimismo antes de encarar a realidade.

domingo, 2 de outubro de 2016

ENTRE RAZÃO E A LUCIDEZ

Em algum sentido etimológico, a palavra bêbado significa espírito. Se formos parar para pensar no que é espírito, certamente iremos chegar a pontos convergentes seja qual for sua crença. O espírito é livre. Ele transita tempo e espaço sem se importar quando será recebido, por quem, como. 

Como é você quando fica bêbado?

Não conheço seu espírito, mas muito posso conhecer pelo que você demonstra quando bebe. Pessoas violentas tendem a crescer diante dos outros, pessoas carinhosas, tendem à expressar publicamente seu sentimento. Pessoas alegres riem como se estivessem num show de comédia, pessoas angustiadas choram como se não houvesse amanhã para elas. Eu por exemplo, amo.

Eu amo você, a lua, o sol, o guarda de trânsito, o garçom. Mas se você já ocupa um espaço em minha vida, eu não só continuarei te amando, como nesse momento, reunirei toda verdade do meu coração para te mandar via mensagem ou ligação um sonoro "eu amo você". 

Às vezes causa arrependimento, mas eu digo - sóbria - com toda certeza: nunca disse uma mentira bêbada. O arrependimento é mais por não ter conseguido segurar a verdade. Mas se estar bêbado é estar dominado pelo espírito e este é livre, como posso eu detê-lo?

Não. Não posso.

O fato é que sóbria ou bêbada pelo menos eu, sou todinha amor. E você, bêbado é livre. Portanto, quando você fica bêbado, para quem você telefona? 

Talvez a tua razão conscientemente te impediria conseguir, mas bêbado, você liberta seu espírito. Suas vontades sem reservas. Apenas você. Quem mais importa?

domingo, 25 de setembro de 2016

SENTIR E TRANSBORDAR

Você já gostou tanto de alguém a ponto de chorar quando pensa nessa pessoa?

Ah, mas se faz chorar não pode ser bom... Talvez não seja mesmo, mas não o sentimento. 

O sentimento é bom. Transborda. O querer bem, a vontade de ter, o sonho. 
A vontade de ter o sonho que se quer bem e saber que tal qual muitos sonhos, esse querer não é possível. E se possível, não provável.

E quanto a saber que a quem transborda sentimento tem outro alguém que nem sente tanto é mais conforto que inveja? Acho que é quase assim quando se sofre por distância. Por mais que você saiba que seria capaz de amar uma estrela de forma mais suave, compreensiva, parceira, e presente, você acaba aceitando a ideia de ter outros corpos celestes fazendo esse papel, pois ainda que torto, também é cuidador e colabora para que sua estrela permaneça suspensa no céu.

Mas esse papel secundário, coadjuvante, ínfimo e quase desnecessário também faz chorar. E chorar de distância quando se pensa em quem se ama é o prelúdio do sofrimento por amar quem não se tem. De modo que não sei mais se choro por amor ou se choro por saudade. 

Mas uma coisa é certa. 
Cada lágrima é sentimento que transborda calado e cai molhado em terra seca, lamentando um amor que não se espera mais brotar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

ELOS

As melhores letras e inspirações a elos inquebráveis que desafiam o entendimento. Atrações por acaso em conexões sem sentidos que geram momentos com propósito. E também cada riso, lágrima, abraço e desejo de bem. Números, dias, horas somas e validações de uma equação perfeita. Vidas paralelas que se cruzam no infinito. Caminhos que mudam. Ansiedade que passa e convence do que é paz. Instantes tão pequenos que não se apercebem do momento maior. As melhores letras e memórias. A dedução de uma constante abrigada em seres, por hora inconstantes, mas que resistem às tempestades. Fortaleza. Cais. Segurança. Confiança. Elo. Sentimento permanente de um bem que nunca morre. Posto que morre quem sente, mas o sentir em si justifica a permanência. Assim, digo pois que o que sinto não me pertence. Até aqui não percebia que eu pertenço ao que sinto. E por isso é tanto em mim que sou pouco.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

AOS MESTRES...

Muitos foram os escritos durante os anos desde que aprendi a escrever. Sim, meu primeiro texto foi uma carta a minha professora (tia). Tantos receberam minhas cartas, poemas, homenagens em palavras e por vezes até em lágrimas.

Sei que o que me cabe é pouco. Nenhum profissional é mais digno de respeito e devoção que o professor. O professor é o protagonista, mas fica na coxia e ouve os aplausos ao artista que ele formou e se sente feliz ainda que o artista nunca mais volte para agradecer e lembrar seu nome.

Sim, tudo o que sou em minha vida enquanto profissional e ser humano foi alicerçado no tripé: respeito, reconhecimento e gratidão. A começar em minha casa, pois minha mãe também é professora e assim seguiu seu ofício até a enfermidade a afastar da sala de aula.

Por falar na minha mãe, lembro como ela adoeceu. Grande parte foi pela rotina dela como educadora, veja só! Ela trabalhava no turno da manhã em uma escola, à tarde viajava a uma cidade do interior para atuar como supervisora e à noite, voltava a lecionar.

Também foi com minha mãe que aprendi a respeitar o professor. Menos por palavras e mais pelo exemplo. Para mim, cada vez que me referia a um professor, eu estava me referindo a minha própria mãe... Como desrespeitar?

Cada vez que um aluno desrespeita um professor, ele não fere apenas o profissional. O agressor consegue hostilizar o ambiente, comprometer a estabilidade emocional e até mesmo o futuro de todos os envolvidos no processo de aprendizagem.
Cada vez que um aluno desrespeita um professor, ele fere o critério de quem estudou anos para afirmar o conhecimento que aquele que feriu, “acha” que é mais ou menos adequado.

Mas, não fosse ainda suficiente - porque de fato não o é - prestar homenagens e honras aos meus queridos mestres por estas palavras as quais vocês foram cruciais para que hoje eu escrevesse (e por isso desde já, peço perdão se peco aqui ou acolá em concordâncias ou regências). Não sendo palavras de gratidão o bastante, eu chego ao cume do que eu poderia para  prestar-lhes reverência: 
dedicar a minha vida aos estudos, para um dia ser como vocês.
Assim, em mim, carrego até hoje, do carbono ao hidrogênio, do solstício de verão ao equinócio da primavera... Do parnasianismo em suas formas perfeitas à desestrutura da arte contemporânea... Equações, cruzamentos de ervilhas... Conjugação do verbo “to be”...

Desenvolvo as coordenadas, por um dia ter sido subordinada a vocês, que merecem orações!

E hoje, diante de paradigmas epistemológicos, campo científico, capital simbólico, trocas, valor, R... E tantos nomes difíceis que nunca pensei ser capaz de dizer e conhecer o significado...

Assim sou formada enquanto ser e sigo em formação pelas mentes brilhantes dos meus (sempre) queridos mestres. O mérito é todo de vocês.


Obrigada!

sábado, 16 de abril de 2016

QUERENDO SER, ME DESFAÇO

O que me contagia é alegria. Nenhuma inveja ou nenhum mal forjado na cabeça das pessoas pode ser maior do que o bem que existe dentro daqueles que têm a paz como objetivo. Qualquer argumento que você utilize para provar superioridade em relação ao seu semelhante só te deixa mais ignorante, pois o sol não precisa escrever que ilumina o dia, nem a chuva faz texto para humilhar o fogo porque é molhada.
E se soa ridículo um adulto gostar de fadas e brinquedos, imagine quão triste é um adulto fazer uso de sua esperteza (inerente ao adulto) para favorecer seus interesses. Nunca fui muito boa nessas coisas de jogar. Sempre fui pela verdade, nunca segurei mentira por muito tempo. E se você me conta algo e pede que eu guarde segredo, eu guardo mesmo, porque provavelmente eu te ajudarei a enfrentar ou entender a situação e depois esquecerei... O que não é minha vida, quando me é possível, me cabe ajudar, não viver.

Hoje eu entendo porque fui e sou muitas vezes taxada de boba, ingênua, criança... É porque eu olho para as pessoas fora de mim como espelho de quem sou e me custa acreditar que fora de mim exista algo que não há dentro de mim. Por isso, acredito. Por isso, sofro. E também por isso entendo quando alguém sofre. Você nunca ouvirá que seu nome saiu de minha boca para mal dizer-lhe. Se eu não puder fala algo bom a seu respeito, tampouco falarei mal. Mas cá pra nós, todo mundo sempre tem algo de bom a ser lembrado.

Não existe superioridade em ninguém que é constituído da mesma essência humana. Agradeça se você tem um dom! Celebre se a vida lhe permitiu ter acesso a um conhecimento técnico! E devolva às pessoas em forma de serviço e humildade. 

Vou morrer sem entender como uma pessoa rica e inteligente pode se sentir bem em viver sem servir a um necessitado ou doente e fazer ele ficar bem também. 

De mim, se você enxerga algum bem, na verdade ele está em você. E se você enxerga o mal, eu prefiro que nem esteja perto me olhando.

O amor é a sílaba tônica da humildade e não se prova em teoria.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

QUEIRA ATINGIR O FUNDO DO POÇO

Retrospectiva - RETROS SPECIO - olhar para trás...

E quem evita olhar para trás, está fadado a cometer erros iguais mais à frente. Olhe! Reflita sobre o quanto você cresceu esse ano. Anos difíceis não são tão ruins quando a gente fica diante do computador para escrever no último dia sobre eles. 

É certo que muita coisa é tão pesada que você duvida que seja necessária tanta dor para aprender. Mas quando você passa pelo caminho tortuoso, você reflete que tudo foi escolha sua. E é assim, responsabilizando a mim mesma que eu consigo superar o que de mau me aconteceu. 

Drummond certa vez, falou que o ano era uma industrialização da esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Para ele o ápice é hoje, e um novo ciclo se inicia amanhã. Devo dizer que comigo não funcionou, uma vez que em fevereiro eu já estava exausta e fui mantendo uma sobrevida até novembro. 

Porém, não entrego os pontos fácil - quiçá nunca. Demorou para que eu atingisse o fundo do poço, às vezes pensava não ter fim, pois a queda era livre e não tinha onde me amparar. Cada vez mais eu caia no abismo e por muitas vezes achei que jamais ficaria curada, pois a tristeza é doença que quando atinge a alma, não tem cura. E minha alma estava assim perdida, caindo em um abismo que eu fui empurrada não por aqueles me fizeram mal, mas pelas minhas escolhas que permitiram o mal que me fizeram. 

Mas, eu sempre soube que tudo o que eu precisava era chegar ao fundo do poço. Isso! Muitas pessoas evitam, mas eu louvava demais essa possibilidade e mesmo desacreditando de toda e qualquer esperança que não depende de mim, eu esperava com todo desejo chegar ao fundo. 

Primeiro porque enquanto se está caindo, a força gravitacional te puxa pra baixo e tua densidade não é suficiente para flutuar. Você não tem onde se apoiar. Você está em queda livre. Você não sabe quando vai parar de cair e toda preocupação que você tem gira em torno de incertezas.

Segundo que caindo, desesperado e cheio de incertezas, é impossível refletir sobre qualquer coisa. É preciso estar lá no fundo do poço para pensar estratégias de sobrevivência, saber o que fazer. Quando se acredita que o poço tem fim, por mais profundo que ele seja, quando você chega lá, você tem tempo para consertar o que quebrou, juntar os cacos e se refazer.

É verdade que você não sai do fundo do poço ilesa. Seu sorriso pode não ser mais tão largo; seu olhar carrega um pouco de tristeza; e o coração, cicatrizes. Também é preciso humildade para sair do fundo do poço. Muitas vezes ter que dar a mão a pessoas que você jurava que nunca mais precisaria, mas que foram as únicas que estenderam o braço para te puxar. Quando muito, você volta um pouco ao que era antes de suas escolhas e engole todo orgulho e vaidade.

Mas o fundo do poço existe justamente para que dispensemos de nossa vida o orgulho e vaidade. O fundo do poço existe para cultuar a humildade e nos fazer reconhecer aqueles que verdadeiramente nos amam. O fundo do poço é essencial ao caminho de volta à vida.

Assim, em 2016, eu desejo desejos! E que cada desejo desejado seja realizado e dê origem a outro desejo. Desejo um ano repleto de desejos a você e  mim. Pois é a vontade de viver que nos mantém vivos.