domingo, 2 de outubro de 2016

ENTRE RAZÃO E A LUCIDEZ

Em algum sentido etimológico, a palavra bêbado significa espírito. Se formos parar para pensar no que é espírito, certamente iremos chegar a pontos convergentes seja qual for sua crença. O espírito é livre. Ele transita tempo e espaço sem se importar quando será recebido, por quem, como. 

Como é você quando fica bêbado?

Não conheço seu espírito, mas muito posso conhecer pelo que você demonstra quando bebe. Pessoas violentas tendem a crescer diante dos outros, pessoas carinhosas, tendem à expressar publicamente seu sentimento. Pessoas alegres riem como se estivessem num show de comédia, pessoas angustiadas choram como se não houvesse amanhã para elas. Eu por exemplo, amo.

Eu amo você, a lua, o sol, o guarda de trânsito, o garçom. Mas se você já ocupa um espaço em minha vida, eu não só continuarei te amando, como nesse momento, reunirei toda verdade do meu coração para te mandar via mensagem ou ligação um sonoro "eu amo você". 

Às vezes causa arrependimento, mas eu digo - sóbria - com toda certeza: nunca disse uma mentira bêbada. O arrependimento é mais por não ter conseguido segurar a verdade. Mas se estar bêbado é estar dominado pelo espírito e este é livre, como posso eu detê-lo?

Não. Não posso.

O fato é que sóbria ou bêbada pelo menos eu, sou todinha amor. E você, bêbado é livre. Portanto, quando você fica bêbado, para quem você telefona? 

Talvez a tua razão conscientemente te impediria conseguir, mas bêbado, você liberta seu espírito. Suas vontades sem reservas. Apenas você. Quem mais importa?

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