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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O PROBLEMA DO BRASIL


A ruptura com o Estado Democrático de Direito no Brasil levou o país a um Estado de exceção. Eu não votei na Dilma e tinha muitas críticas à gestão dela. Porém, cada povo tem, quando não o governo que merece, o governo que escolhe. E essa é a base da Democracia. Por impeachment retiraram Dilma do poder e foi instituído seu vice conforme previsto na tão aclamada e pouco respeitada, Constituição. 
O que não foi previsto foi que um governante que compartilhava de mesma base política tomaria medidas tão antagônicas ao governo que o antecedeu. Mas o mercado financeiro comemorou! Ações subiram, o real valorizou. 
O desemprego aumentou. Programas populares foram extintos, afinal o problema do país é a falta de dinheiro. 

A reforma da previdência bate às portas. Afinal, o problema do país é que a população está vivendo mais e onerando o Estado. 
Mais de 60 mil vagas em órgãos públicos foram congeladas. Afinal, o problema do país é enxugar a máquina pública.
Direitos adquiridos a duras penas pelos trabalhadores são jogados pelo ralo. Afinal, o problema do país é culpa da deusa Thêmis que pende a balança sempre pro mais fraco. 
O Brasil voltou a ocupar o mapa da fome. Afinal, o problema do país é culpa da falta de planejamento familiar. 
Tem gente desempregada doando seus filhos porque não pode criar. Tem gente morrendo de fome, frio, de bala perdida... E tem gente, muita gente, morrendo na ignorância. 

A condenação do Lula fez a BOVESPA subir quase 4%. Para o meu bolso e desconfio também que para o seu, não veio nenhum 1,00; mas tem gente comemorando. 
Afinal, o problema do Brasil é, para muitos, o Lula solto.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O QUE APRENDI COM DILMA ROUSSEF

Sempre me foi peculiar reconhecer no outro tudo aquilo que pode me fazer crescer. Hoje eu venho reunir aqui o que já tenho publicado em poucas linhas nas redes sociais: minha admiração à resiliência da ex-presidenta Dilma Roussef. E esse é um artigo diferente dos que você está habituado a ler acerca do processo dúbio que cercou o impeachment. 

Diferente porque eu não votei em Dilma. Tenho críticas duras ao PT. Eu não votei em Dilma, mas mais de 50 milhões de brasileiros, sim! Logo, não me apetece fazer birra contra alguém que eu não votei. Eu aprendi sobre democracia ainda criança, bem como a aceitar o que é da vontade da maioria. Além do que, o governo é pro povo. O povo soltou Barrabás e condenou Jesus. Foi o povo quem elegeu Dilma. O povo deixou o PT por 14 anos no poder.

Mas esse é um artigo de reconhecimento! De força. De garra de uma mulher que não titubeou. Não se abateu. Não renunciou. Enfrentou de cabeça erguida e olhou os olhos de todos os algozes que desejavam sua cabeça em uma bandeja.


No lugar dela, quantos dos que me leem, sejam homens ou mulheres teriam a mesma coragem? Collor, temendo o inevitável, recuou e tentou renunciar. Não foi possível e amargou uma dupla derrota: uma de ordem política e outra de ordem moral, porque não teve a bravura de enfrentar a derrota. Porque no âmago de sua consciência, pesava a traição que ele cometera ao povo e a ele mesmo.

Não obstante o fato da força de Dilma, registro a nítida percepção da injustiça cometida daqueles que votaram a favor pela cassação do mandato da presidente. Eles não suportaram o peso que os acusava e a fim de aliviar as costas da culpa, num ato de afronta a constituição, desvincularam a segunda frase que o ônus do impeachment acarreta e preservaram os direitos políticos a Dilma. E então, assistimos aos mesmos senadores que se mostravam tão afiados em matéria constitucional, ir contrários a uma medida já prevista.

E Dilma forte. Como muitos dizem, coração valente! Talvez menos subjetivo e mais literal que destaca a sobriedade dela durante todo o processo.

Sim, Dilma! Você me representa! Não só a mim, como a muitos dos que se dizem seus inimigos, mas não têm 1/3 de sua força. A sua atuação me encheu de orgulho de ser mulher. Sua postura mostra que a resiliência, além de necessária é possível. E é possível passar de cabeça erguida diante dos que te acusam, porque se a tua consciência não pesa, não há fardo que te imponham que vá te fazer recuar.

Obrigada, Dilma.