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sábado, 2 de fevereiro de 2019

SEU TEMPO

O que serão dos sensíveis num mundo de pedras?


Um dia um ser sensível feriu-se numa pedra, ao olhar do lado viu outro sorrindo e sua sensibilidade o levou à profunda mágoa, pois acreditava que ele era o motivo do riso. Por um instante foi tomado de cólera e atirou a primeira pedra ao que sorria. Vendo isso, o outro sensível se sensibilizou e foi buscar justiça. Mas o que foi ferido, de tão sensível que era, caiu em profundo descontentamento. Seus amigos o vendo assim, se sensibilizaram a dor que ele estava sentindo e então não aceitaram ouvir outro lado da história.
Os que contavam a história, se cansaram de repetir, e por sua sensibilidade, cada um calou-se em si mesmo. Os sensíveis que ainda restavam, diante de tanta bagunça, cuidaram em buscar estratégias para se defender de possíveis pedras. Outros sensíveis no entanto, continuavam negando o óbvio e insistiam em ser bons. Esses não conseguiam muitas conquistas. Um amigo era aqui, mas não mais acolá. - Não é possível que exista
alguém tão inocente! - Talvez esteja querendo passar a perna em todos nós. (...) Eram os pensamentos que predominavam.
Os poucos sensíveis tentavam de todo modo alertar o quão bom era viver assim. Frustravam-se. Choravam. Os médicos os receitavam.
Depressão, ansiedade, transtorno daqui e outro dali e a sensibilidade virara doença.
...
Ter sensibilidade exacerbada num mundo de pedras é não sucumbir à realidade. Mas é preciso abandonar a ingenuidade. Como um pensador já dizia, é ter maldade suficiente para perceber o mal e sabedoria o bastante para nunca praticar o mal contra alguém. Pessoas sensíveis - ainda - são essenciais ao mundo.
Estamos cercados de pessoas que nos julgam e nos veem como pessoas fracas, débeis, intensas, desnecessárias... O mundo criou e disseminou que nós temos a obrigação de ser feliz e de mostrar através de nossas fotos maravilhosas como estamos saudáveis, alegres, em lugares bacanas, com gente bonita. 
Traços de sensibilidade são evitados. Beleza, coragem, estilos são incentivado. Exigidos. E isso é maior crueldade desses tempos, pois cada um tem seu tempo, seus medos, traumas e sabe o que passa dentro de si. 
Todos nós enfrentamos alguma batalha, porém só os fortes assumem suas fraquezas e buscam ajuda!
Você está no caminho certo. Você está em seu tempo. 
A cura para todo mal é estar nele sabendo que não faz parte dele. É reconhecer e aceitar nossas limitações sabendo até onde podemos ir e deixar q outros cheguem até nós.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A FELICIDADE QUE ME CABE*

Porque se remar para esquerda ou para direita, tanto faz.
Só não posso ficar parada.
Porque quem conheceu a infelicidade, saberá um dia ser feliz.

Cada um tem a felicidade que lhe cabe e da minha não vou desistir.
Se não feliz em viver só, penso um dia não ser.
Sendo completa em mim, embora espere você.

Felicidade que me cabe e eu não caibo dentro dela
Não porque não acredite, mas porque ainda não a conheci.
Mas pela esperança, tenho a certeza.
Certa que a certeza é ser feliz.

E na certeza que neste mundo ainda cabe felicidade,
Tenho procurado meu lugar.
Enquanto não acho, acredito.
Com olhar fixo e sorriso aberto a todos que felizes já são.

Sendo eu assim oscilante entre a fé e o esperar,
Sigo firme acreditando num futuro mais feliz.
A mim compete sorrir mesmo quando for chorar.
Com verdade e consciente que ainda não sou feliz,

Mas com esperança, isso sempre, de um dia conseguir.

------------------------
*O poema base para este poema está aqui. Este é o início de uma série de poemas reescritos com a proposta de transformar em antônimo do poema-base, sendo este melancólico. A ideia foi do amigo, Gabriel e eu dedico este poema acima a ele e a Ronaldo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A FESTA



Seja festa
Pro povo em romaria
A quem grita gol e atesta a vitória da alegria
A quem nunca teve e empresta
A quem anda e assovia
A quem falta e a quem resta
Pra quem quer se alegrar
Seja festa
A quem venceu mais um dia
A quem dorme e a quem cansa
A quem ouve a melodia
Pra quem namora e dança
Pra quem vai ter e adia
Pra quem recua e avança
Pra quem quer se alegrar
Seja festa
A quem largou velharia
A quem muda de endereço
A quem ama poesia
A quem já aferiu o preço
A quem quase desistia
A quem já se olhou do avesso
Pra quem quer se alegrar
Seja festa
A quem ama bateria
A quem toca flauta e encanta
Quem nunca encantaria
A quem já não cabe e é tanto que já não caberia
A quem ama bicho e planta
Pra quem quer se alegrar
Festa da paz a dança do sofredor, ai
Canta mais que cantar, ver
Chama chama chama chama
Queima a dor
Começar, recomeçar
Seja festa
Pra quem vem da boemia
Pra quem olha o mundo e canta o prazer à revelia
Pra quem liga o rádio e espanta a tristeza e a quem varia
A quem velho e a quem criança
A quem quer se alegrar

(Oswaldo Montenegro)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

SAUDADE

Saudade de quando eu escolhia passar o rímel à prova d’água porque eu ponderava a possibilidade de chorar e escorrer pelos olhos. Hoje eu saio de casa sem rímel, porque não faz falta se eu passar ou não.


Saudade de quando eu ia dormir com a certeza do salto que eu usaria no dia seguinte, sabendo exatamente o olhar invejoso e até nojento de algumas meninas para os meus sapatos exclusivos e o meu andar quase em desfile. Hoje, tanto faz qualquer rasteira.

Saudade de quando meu olho era capaz de enxergar além do preto, branco e cinza no espectro e as roupas e os acessórios tinham mais cores. Hoje, só existem essas variações.

Saudade de quando eu conseguia dizer “amém” quando alguém dizia “Deus te abençoe”.

Saudade de quando eu dava “graças a Deus” e quando eu dizia “se Deus quiser”.

Saudade de quando havia Deus na minha vida.

Saudade de quando havia vida.

Saudade de mim.

Porque hoje eu não sei quem é Deus.

Porque hoje eu não sei nem quem eu sou.

terça-feira, 31 de março de 2015

ESCOLHA

Eu escolhi.
Vou amar até o fim.
Vou acreditar no amor e me permitir.
Vou deixar outra pessoa me amar e valorizar cada gesto.
Vou desejar todo o bem, embora receba o mal.
Vou continuar sendo escudo contra tudo o que de ruim me fizerem.
Mesmo achando estranho que o meu bem te motive a devolver o mal.
A sua ingratidão, não anula minha gratidão.
O seu desamor, não anula meu amor.
O seu medo, não anula minha coragem.
Enquanto fôlego me restar, restará amor.
Porque cada um só dá o que tem e eu tenho coisas lindas.
São tantas auroras e tanto sol se pondo...
E a cada manhã um novo dia, faça sol ou chuva.
Um dia em branco.
Claro como tem que ser.
Porque mesmo que você impeça, a luz vai brilhar.
E você não pode apagar a luz do dia.
E você não pode apagar a minha luz.
A cada morte, uma nova vida,
A cada nova vida, uma esperança.
Não importa você,
Importa entregar o meu melhor.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

DAS MICROAGRESSÕES AOS CRIMES PASSIONAIS

Por: Hellen Taynan


O ciúme que você acha bonitinho no começo do relacionamento pode ser causa para sua morte mais à frente.

Há alguns dias ouvi de uma moça muito linda e jovem que se o cônjuge dela pensasse que ela o estava traindo, ele a trairia. Ora, a condição de vingança não é nem o ato, mas o pensamento de tal ato. A mesma moça me relatou como se achasse bonito o fato comum dela estar em um ambiente com algum parente e seu parceiro chegar sem avisar e passar um tempo a observando a ponto de saber o que ela consumiu naquele tempo, se levantou em algum mom

ento e com quem falou.
Esses episódios me fizeram lembrar de um artigo que lí a algum tempo sobre como são cometidos os crimes passionais.  A agressão máxima que tira a vida do ser que se julga amado, geralmente não vem como um impulso. As estatísticas mostram que não é do dia para noite que alguém que se convive lado a lado vai tirar sua vida. Antes, existe um quadro evolutivo e que proporciona essa atitude.
Aqui, não pretendo colocar a mulher como ser indefeso ou parte frágil, mas ela acaba se enquadrando como coitada quando está inserida em um relacionamento doente e mesmo com todos a sua volta avisando e ela mesma se percebendo em perigo, insiste em permanecer na relação. O discurso é sempre o mesmo e gira em torno do “eu não tenho forças”, “quem vai me sustentar?” ou, o pior, “eu preciso dele”.
Quanto a estas questões eu te digo que você tem mais força do que pensa, que pode se sustentar tanto quanto o seu companheiro consegue e que você definitivamente NÃO precisa dele para nada.
Os crimes que culminam com a morte de um dos envolvidos na relação, dão-se em estágio evolutivo. As brincadeiras de tapinhas no início do namoro evoluem para socos e ponta pés. Mas antes mesmo que se chegue a este nível, observe a evolução das micro agressões.
Primeiro as agressões começam verbais. São discussões que podem começar com diálogos aparentemente inofensivos, mas a voz se eleva cada vez mais e palavras cada vez mais baixas são proferidas. É essa a fase dos xingamentos e dos “pingos nos ís”. O problema é que quase nunca os pingos são colocados suficientemente e aí vem a segunda fase.
Na segunda fase, as agressões por xingamento não suprem mais e por mais que o rumo seja à exaustão, as palavras baixas vão se tornando insuficientes. Agora se têm as agressões psicológicas. Um agride o outro naquilo que lhe é mais sensível. A parte que detém o domínio na discussão manipula o outro e faz sentir sujo, culpado, diminuído... Nesta fase também cria-se no outro a falsa ideia de dependência. Você é convencida de que sozinha não é ninguém e que não vai conseguir e que precisa dele para estar bem, para se sentir segura, para se sustentar financeiramente. Assim, quando o domínio psicológico é concretizado, quando o outro é menosprezado e encontra-se nas mãos do agressor, as palavras não bastam e então vem a terceira fase.
A terceira fase é a agressão física. Após os xingamentos e o derrame de todas as palavras capazes de diminuir o outro ao último grau de um ser humano, ou até arrastá-lo para mais baixo que isso, as micro agressões evoluem à agressão física. Tapas, empurrões, ponta pés, socos e ameaças de morte. Chantagens e exigências de que as coisas sejam do jeito que ele quer. Ele passa a responsabilizar você de tudo. Logo, se você apanha é porque provocou e se acontecer algo com ele e ele for denunciado ou preso, você será culpada e ele fará você pagar por isso.
Enfim, a quarta e última fase é a consumação do crime. Todas as fases anteriores se esgotaram e nada mais supre o descarregar do ódio a não ser, tirar a vida do outro. Apesar dos crimes passionais serem movidos a picos de grandes emoções, os episódios não são impulsivos. São planejados e até avisados muito tempo antes de acontecer.
Crimes passionais, em sua maioria, são tragédias anunciadas. Em pleno século XXI, ainda é comum ouvir mulheres se queixando de machismo, quando na verdade elas próprias são machistas quando se sujeitam às micro agressões e defendem seu parceiro como podem das atrocidades que ele comete.

É muito triste sentir-se impotente diante de situações como essa. Por mais que se avise e que se mostre caminhos de fuga para a pessoa que é vítima das micro agressões, na maioria das vezes ela encontra-se numa teia, na qual, aquele que tenta livrá-la, em sua concepção, faz o mal e aquele agressor que a prende, quer sempre o melhor para ela.

Publicado em: Jornal de Caruaru

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CID 10 - F31: NÃO EXISTE CERTEZA NA VIDA DE UM BIPOLAR

Eis alguns antagonismos:
"Um calor muito frio."
"Um bem que é mal."
"Uma escuridão clara."
"Um bipolar com certezas."

A metamorfose ambulante cantada por Raul, é apenas uma casca de como pensa um indivíduo que é bipolar. Não aqueles que sofrem de indecisão, fraqueza de personalidade, insegurança, baixa autoestima ou frescura. Mas um bipolar mesmo, desses que saem do consultório rotulado e de receitinha carimbada.

Pessoas que sofrem de Transtorno Bipolar, não deveriam nunca dizer sim ou não. A turma do talvez deve sempre ser idolatrada sob um fã clube presidido por ele próprio.
O que faz você quando se arrepende de uma escolha? Chora, maldiz o mundo, grita... Ou, se for maduro o suficiente, para, reflete, encontra-se consigo mesmo, ergue a cabeça e aceita que daqui pra frente vai agir diferente e aprender com seu erro.
O que um bipolar faz quando se arrepende de uma escolha? Isola-se, fere-se, flerta com a morte e às vezes casa com ela.

Um bipolar nunca aprende com seus erros e por isso os comete repetidas vezes durante sua vida.
Um bipolar não precisa de medicamentos. Ele não vai se curar com isso.
Medicamentos psiquiátricos apenas dopam. Tiram a pessoa da realidade. Bloqueiam algumas sinapses cerebrais para o bem-viver em sociedade. Mas, na verdade, querem o bem-viver DA sociedade, nunca o do doente. Aliás, não existe bem-viver em uma personalidade doente. Não existe nem vida.

F31 é um transtorno. É pior que metástase. Afinal, antes definhar padecendo de dores físicas e sabendo o seu fim a morrer emocionalmente. Apodrece por dentro, mas continua em pé.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Acerca do homem

Se o homem tem uma essência, essa essência é firmada no egoísmo. Antes do homem ser humano, ele é animal. A carne, o sangue, o suor, o sabor, as sensações de frio e calor, dor e alegria, tristeza e felicidade de um homem não podem superar as de um outro ser vivo. A pulsão que dá a vida e os movimentos, está presente no mais simples dos seres. O homem é apenas 1 das bilhões de espécies de vida identificadas pela ciência, que desconhece até o momento dezenas de outras bilhões. 

Aristóteles, antes de Cristo, proferiu que o homem é um animal racional. Ainda hoje, há essa ideia. No entanto, tal como Nietzsche, eu me recuso a acreditar que o homem tem algum mérito a mais que um macaco e por isso também, sem entrar no arcabouço teológico da história, me posiciono de fato contra a evolução e sou a favor do criacionismo! O processo de criação da vida, sem sombra de dúvidas, foi concebido por um Designer muito inteligente, chame-o de Deus. Eu o chamo assim.

Mas o que é o homem? O homem é um ser desprezível. O homem é um equívoco. O homem é um sabotador da obra de Deus. O homem é podre. Os fluidos do homem o tornam asqueroso em sua constituição material. Os pensamentos do homem o tornam asqueroso em sua constituição humana. Tem-se no homem um ser ao mesmo tempo subjetivo, a saber, o seu grau máximo de diferenciação das outras espécies; o homem biológico e o homem material. Destarte, o homem subjetivo, não é mais do que o seu semelhante; o homem biológico, não é mais do que outras espécies vivas; o homem material, não é mais do que o adubo que prepara a terra para receber a semente.

Chega-se a máxima interpretação do homem, que o reduz ao nada que ele é. Assim, Fernando Pessoa diz que o homem é um cadáver adiado. O que de fato, resume a pequenez que outrora insiste em disfarçar-se de complexa e ilegível. O homem caminha para o fim. O homem é um ser que deteriora-se. Mais do que isso, o homem, em toda a sua racionalidade, se auto-deteriora. A vida esbarra na contradição de preservar a existência e destruí-la com intervenções do próprio cuidador.

O instinto de autopreservação do homem, permite que outro homem seja destruído em prol da vida de quem detém maior poder. Essa seleção não é natural. É uma seleção egoística, que envolve jogos, influências, força, carisma, persuasão, ameças, chantagens e todas as armas vis que o homem não precisa de licença legal para possuir.

Assim, vai o homem vivendo e seguindo o fluxo. Sendo fluido em seu comportamento e usando as máscaras cabíveis para cada cena de sua vida. O mesmo homem pode ser muitos outros e jamais revelar quem realmente é. A fonte primária permanece lá, mas foi corrompida pela sede de auto satisfação. De nada importa se a satisfação de um, causa a dor do outro. O que importa é que o homem vislumbra-se como ser independente, de necessidades individuais que o levam ao que ele estabeleceu como bom. O outro que procure o seu padrão do que é bom e siga-o.

O egoísmo extremo do homem está em preservar a vida do seu semelhante. Mesmo o amor, sentimento mais nobre, é convertido em egoísmo. O meu egoísmo é tão superior ao meu amor, que você deve permanecer ao meu lado não por que você me ama, mas porque eu o amo. Assim, não morra! Não fuja! Não me deixe. Mas e se morrer? Outro vem e substitui esse amor. Até a Bíblia prevê a dissolução do amor jurado com a morte de uma das partes. Neste sentido, fico com Nietzsche quando ele diz que sentimentos não devem ser jurados. O que se jura é o compromisso. Sentimentos são fluidos. O homem é fluido. O tempo é fluido. A vida o é.

A ridícula obsessão pelo amor, transforma-se em atos egoístas. Só Jesus amou. Abaixo dele, tudo é troca. Tudo é conveniência, interesse, comodidade e condicionalidade. O egoísmo em sua faceta exacerbada, é quando o homem sente prazer por ter feito o bem a outrem. Eu quero te ajudar, não porque vou te ajudar, mas porque vou me sentir bem ajudando.

O entendimento humano é limitado. Esse texto é limitado pelo seu entendimento e principalmente pelo meu. O engenheiro responsável por este universo, é poderoso o suficiente para dar continuidade ao que vem além do homem. Nosso entendimento não sabe como e o que ultrapassa nossa capacidade desprezível de utilização de nossa mente, deve ser investigado até o ponto em que não ultrapasse nossa sanidade. 

Ainda que não existisse moral, ética, religião ou nenhum valor, o homem saberia identificar a culpa, o medo, a dor e o incômodo. Essa consciência que cada um traz consigo, aproxima o homem de uma verdade superior a ele. Aproxima o homem de uma verdade, mas jamais o fará vê-la por completo. Somente uma criatura capaz de utilizar mais do que 7% de sua capacidade intelectual conseguiria. Talvez existam criaturas que utilizem mais do que isso, e que por este mesmo motivo, não se enquadram na mesma espécie que nós.

O romantismo, é característico do homem. Através do romantismo, o homem sonha, fantasia, idealiza um padrão de felicidade e frustra-se quando as coisas saem fora do padrão. Estariam todos os homem vivendo à luz de uma lógica cartesiana, ainda que inconsciente? Estaria o homem vivendo no rumo de uma teoria comportamentalista infindável, onde adaptar-se é tudo o que resta? A visão romântica do homem, o faz viver em um labirinto de tentativas e erro. Esse romantismo é uma película que embaça a visão para o que é real. E o que é real?

O real é o ridículo da humanidade. A humanidade é ridícula. Soberba, prepotente, manipulável, fluida, egoísta, perversa, ardilosa, podre. Ainda assim, é o que resta a você e a mim. Sejamos pois humanos. Apenas humanos e o que vier além disso é acessório.

Hellen Taynan --- 07/07/2014 --- 15:48



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Estratégia para tomar decisões difíceis

"Só estou onde estou, porque tudo que planejei deu errado."
Rubem Alves

Olá. Além da condição temporal em que todos nós nos encontramos, temos algo a mais em comum: todos nós temos dificuldades em tomar decisões, especialmente quando estas decisões repercutirão sobre nossa vida de maneira significativa.
Digo que devo aos meus estudos em Administração, essa habilidade e porque não dizer, frieza em tomar decisões. Sem entrar no âmbito das empresas, que possuem ferramentas tecnológicas e pessoal especializado em tomar decisões, vamos focar em nossa vida. Todos nós estamos a todo momento tomando decisões, abrindo mão de algumas coisas para conseguir outras... Se você não foi educado como uma criança mimada, tendo sempre à mão, tudo o que desejava, provavelmente sua vida foi construída em tomadas de decisões. Mas se você está no grupo dos não-preparados-para-a-vida, tenho a obrigação moral de te sacudir e dizer: aprenda a viver, pois na vida, 90% não está feito e 10% está inacabado e compete a VOCÊ completar as lacunas.
Volte ao passado e lembre-se das vezes em que você escolheu obedecer aos seus superiores e falhou com a turma, ou quando decidiu estar numa boa com a “galera” e arcar com as consequências de uma desobediência. Toda decisão que você toma, tem uma consequência e não compete aqui julgar se é boa ou má, mas se você pauta sua vida dentro dos padrões sociais estabelecidos, provavelmente você terá o mesmo julgamento que eu tenho nas tomadas de decisões que envolvem consequências mais ou menos danosas.
Durante muito tempo em minha vida, eu me senti perdida diante das situações que exigiam uma decisão mais difícil. Foi assim na decisão para o primeiro vestibular... Foi assim na decisão para seguir ou deixar o teatro... Foi assim, na construção de minha identidade e na construção de quem eu sou hoje.
No entanto, posso afirmar que todas as situações que eu passei contribuíram para o que sou hoje. E para você também. Tudo o que você e eu somos hoje é fruto dos erros naquilo que planejamos e ora, se estamos aqui lendo este artigo, podemos nos considerar vitoriosos.
Hoje, desenvolvi um método simplista de tomar decisões e que me ajuda muito. Creio que a maturidade diante das frustrações e escolhas erradas, me fez construir um meio de minimizar os efeitos de minhas escolhas. O método não é difícil e está longe de cálculos e softwares para tomada de decisão. Vamos lá!
Pegue um papel e caneta, ou abra um documento do Word... Isole as opções que estão disponíveis e elenque os prós e contras. Ficou difícil? Vamos ver um exemplo!
Vamos considerar uma jovem de 17 anos que acabou de sair do Ensino Médio e quer ingressar na Universidade, mas está em dúvida entre um curso na área de saúde e outro na área de humanas. Contextualizando a vida desta jovem, vamos supor que ela vem de uma família classe média baixa, estudou a vida toda numa escola pública e cresceu ouvindo que seus pais só se responsabilizariam por sua educação até o fim do “2º grau”, a partir daí, ela teria que criar suas próprias condições de estudar...
Também vamos admitir que ela está INDECISA, ou seja: ela não tem preferência por esse ou aquele curso, na verdade ela consegue se ver exercendo as duas profissões.
Logo, ela precisa considerar os prós e contras dentro da realidade dela em optar por um curso e outro. Dentre os itens, ela pode analisar, por exemplo: o tempo necessário para concluir o curso, o retorno esperado, a realização, o reconhecimento...
Hoje, eu não consigo conceber a ideia de tomar uma decisão importante sem projetar um cenário dessa escolha no futuro. Aplicar este método pode não ser sempre eficaz, nem é essa a proposta. Em todas as decisões, precisamos considerar que o ambiente em nossa volta está em constante mudança. Em todo momento o mundo é bombardeado com fatos que interferem em nossas escolhas. Logo, é possível que seus planos falhem, mas a visão que você foi forçado a ter sobre suas opções, vai te dar ânimo para se reerguer e estabelecer novas metas. E assim, construir novos quadros de análise, novos pontos positivos e negativos e novas possibilidades de escolha e de vida.

Esse era o recado para hoje. Espero que de alguma forma tenha ajudado você a tomar decisões, ou em último caso, apenas levado você a refletir sobre o assunto. Deixe seu comentário e se tiver sugestão de temas para as próximas publicações, envie um e-mail.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Como ser autosuficiente

RELACIONAMENTOS - Independência emocional

Por: Sandra Maia

Incrível! Está tudo bem, você dominando a situação, só, feliz, inteiro, sem dívidas, sem culpas, sem qualquer outro no coração ou na cabeça - livre, desocupado, disponível e, mais que tudo, absolutamente feliz! Pronto para começar uma nova relação e certo de que isso não faz a menor diferença para seu estado de espírito. 

Você finalmente está auto-suficiente sem ser egoísta. Continua se amando, amando os outros, mas deixou esvaziar aquela sensação enlouquecida de necessitar do outro para respirar. Pode, por isso, analisar incluir ou não uma relação na sua vida. Pode escolher: entrar ou não em um relacionamento saudável. Pode decidir por manter tudo como está ou recomeçar a amar.

Trabalho


Agora você está na melhor das situações, embora muitos a seu lado ainda não possam alcançar o estado em que chegou! Chegar aqui dá trabalho? Sim, um trabalhão danado. Demanda trabalhar a auto-estima, mudar o foco e deixar para lá a função insana de se ocupar com o outro. É importante mudar de lado e assumir a si mesmo. Abrir mão da dependência emocional, evoluir.

Não é mesmo simples e muito menos rápido, mas é possível. Estar só não por medo, mas por opção! Até porque, o fato de ter feito escolhas erradas, simplesmente não pode condená-lo a continuar errando e a única forma de sair desse círculo é compreender que sim, você errou, escolheu o pior e se deixou iludir. Mas passa! Dói, mas crescer dói, olhar para os erros é dolorido, compreender o que nos faz manter um comportamento doente, vicioso, o que nos faz viver uma vida é um temor. Mas, fazer o quê? Se esse é o remédio, que assim seja! Vamos olhar para trás e poder andar para frente! Vamos trabalhar o emocional.

Amadurecer

Então, depois de tudo entendido, depois de um bom período na terapia, na análise, na auto-descoberta, está tudo bem. Sem os véus é possível viver. Viver de forma diferente. No aqui, agora, para escolher melhor com base em todo o aprendizado adquirido.

Exercer esse poder de escolha é mesmo o máximo! E faz tão bem, que eu realmente recomendo deixar de lado o que não serve e focar no que faz bem! Esse é mesmo o melhor dos mundos. E, para tal, não há mágica. É preciso deixar de lado tudo o que for piloto automático, conforto desconfortável, acomodação. É necessário usar a força e a coragem - que pode estar escondida por anos de submissão. É preciso pegar a vida com as próprias mãos. Não se deixar levar - ao contrário, definir os caminhos, as diretrizes a forma como quer chegar do outro lado. Plantar o bom para colher beleza, verdade, bondade. Respirar e inspirar. Viver porque é bom. Porque podemos mais.

Sonhos

Tudo isso pede auto-conhecimento, recuperação da auto-estima e, um toque de desapego. Desapego da dor, do sofrimento, de tudo o que não é coerente com as nossas novas escolhas. Com nossos sonhos. Sim, sonhos.

Para estar totalmente de bem, precisamos relembrar nossos sonhos. Trazer de volta uma a um - viver a que viemos, ou seja, brilhar. Por isso, quando está tudo bem podemos sempre celebrar! Festejar, a vida, as datas importantes, o momento. Escolhas, sempre escolhas!


*Sandra Maia é autora dos livros: 
Eu Faço Tudo por Você - Histórias e relacionamentos co-dependentes e Você Está Disponível? Um caminho para o amor pleno.
Disponível em: http://www.oinconfidente.com.br/noticias/acervo/566

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A relação entre o ser humano e a comida

Por: Hellen Taynan

Olá caríssimos leitores,

Com a matéria de hoje, dou uma pausa nos transtornos emocionais e inicio uma “nova temporada” que vai tratar de um assunto muito interessante: a relação entre o ser humano e a comida. O cronograma de postagens vai abranger uma introdução sobre o assunto, ainda um pouco ligada à saúde mental, pois como vamos ver, desequilíbrios alimentares estão ligados a problemas e traumas que levam a um comportamento compulsivo; após essa introdução, pretendo abordar fatos sobre minha experiência expondo a vocês como eu saí dos 56kg para 105kg em poucos anos e o processo cirúrgico ao qual me submeti para eliminar 35kg e manter o peso há 3 anos! Fiquem atentos, pois este cronograma também vai abordar as dietas da moda e mostrar o que elas prometem e o que cumprem (ou se cumprem) na realidade.
Assim, convido vocês a passearem junto comigo, me conhecendo um pouco mais e aprendendo com minha experiência! Não deixe de expressar sua opinião, pois é muito importante para mim, saber como repercute na vida de vocês aquilo que eu escrevo aqui.
Transtornos Alimentares
transtorno alimentar
Qualquer comportamento alimentar que foge aos padrões da normalidade, seja pra mais ou pra menos, é designado como um transtorno, uma patologia que possui inclusive descrição no CID 10 e como toda doença, quando diagnosticada no início, tem ótimos prognósticos. As pesquisas iniciais mostravam que este tipo de transtorno estava presente, em quase totalidade, na vida de mulheres, geralmente na adolescência ou início da fase adulta; hoje temos um número cada vez maior de crianças e adultos de ambos os sexos desenvolvendo problemas com a alimentação. Esse comportamento inadequado provém geralmente de uma disfunção emocional e, não preciso repetir o quão pressionados somos hoje em dia por uma perfeição inatingível, uma postura exemplar e bem sucedida, o que acaba explodindo de alguma forma.
Quando se fala de transtorno alimentar, logo vem à mente anorexia x bulimia. A anorexia é uma preocupação excessiva e uma obsessão extrema pela eliminação de massa. Geralmente os anoréxicos combinam gastos calóricos absurdos através de atividades físicas e ingerem cada vez menos alimentos; por mais magros que estejam, não conseguem se ver assim e continuam buscando emagrecer cada vez mais, não sendo raro a combinação de laxantes e diuréticos para eliminar qualquer resíduo que o corpo produza. O resultado disso é a desidratação, desnutrição e morte. Karen Carpenter, vocalista do grupo The Carpenters, foi vítima fatal da anorexia em 1983 e tantos outros anônimos morrem a cada dia da mesma forma porque não têm conhecimento, apoio e ajuda de profissionais e familiares.
Na bulimia, temos um comportamento semelhante na obsessão pela perda de peso, porém é uma resposta à uma ação: aqui se processa o Transtorno obsessivo-compulsivo onde o indivíduo tem um comportamento compulsivo diante da comida, ingerindo uma quantidade além do convencional e após reconhecer o “desvio”, tenta corrigir ao seu modo, forçando vômito em 90% dos casos ou fazendo uso de laxantes, cafeína, cocaína e/ou dietas excessivamente restritivas.
Um indivíduo pode desenvolver um transtorno alimentar ainda enquanto bebê. Foi o que aconteceu comigo, por exemplo. Mas, teria um bebê razões de estresse ou grandes disfunções emocionais a ponto de desenvolver um transtorno dessa magnitude? Bom, precisamos entender que os acontecimentos do meio para o interior, são, na maioria dos casos, os principais responsáveis, mas não são os únicos. A genética, sempre ela, também atua nesta questão. Uma mãe com comportamentos compulsivos, tender a ter filhos compulsivos; diabetes gestacional também influencia essa disfunção.
Minha experiência: o início
Minha mãe conta que desde bebê, eu sofria de disfunção alimentar. Eu chorava por comida, comia, chorava mais, comia mais e assim eu ia até regurgitar, pois não cabia mais nada em meu estômago, mesmo assim eu comia e comia e comia… Então eu fui crescendo (e comendo) e sempre tive tendência a engordar. Fui uma criança gordinha e entrei na adolescência sofrendo bullying (que há 15 anos não se falava). Nunca gostei de esportes coletivos e para completar, sempre tive o humor depressivo, uma sensibilidade à flor da pele e constantes variações de humor. Mas eu dançava! E dos 15 aos 18 anos, estava no auge de fazer tudo o que eu mais gostava: eu dançava, fazia teatro, estudava música, dirigia grupos artísticos em Caruaru e pesava 56kg em 1,62m. Então, sem me ater aos fatos, eu comecei a engordar e foi um efeito cascata de modo que a expressão montou-se da seguinte forma: a depressão disparou o gatilho da compulsão e eu comia compulsivamente, engordava rapidamente, tinha mais depressão e parava com as atividades que me davam prazer e cada vez mais só encontrava prazer na comida, muita comida que terminava com o vômito por excesso. 56, 60, 70, 80, 90, 100… 105kg! Todo esse peso e eu me sentindo muito mal; autoestima já não existia e prazer mesmo, só em comer; fisicamente, já sentia o peso (literalmente) de minha forma física e meus joelhos doíam, não conseguia mais pisar firme no chão, pois meu calcanhar doía, costas doíam… Era como se eu já não suportasse meu próprio corpo. Alguns problemas como intolerância à glicose (início de diabetes tipo 2), esteatose hepática acentuadíssima (gordura no fígado), colesterol gritando alto, paradas respiratórias durante o sono, ronco, sudorese em excesso, preconceito, tristeza constante e raiva de mim mesma acompanhavam minha vida. A comida dava prazer, mas ao mesmo tempo servia de autopunição e eu sei que muitos enfrentam problemas semelhantes.
As dietas que tentei neste período e como consegui pôr fim à obesidade irei detalhar nas próximas matérias.

Saiba mais:
Além da bulimia, anorexia e transtorno compulsivo por alimentos, existe uma série de outros distúrbios alimentares além de mais 1/3 de disfunções não identificadas. As que conhecemos hoje são :

Hipergafia – aumento do consumo de alimentos em decorrência de um trauma.
Ortorexia – comum em países desenvolvidos, consiste na obsessão por alimentos saudáveis, excluindo outros indispensáveis.
Pica – comum em grávidas e crianças que obedecem ao impulso de comer o que dá vontade, independente dos seus danos.
Sindrome de Prader-Willi – distúrbio genético e incurável ligado à necessidade involuntária de comer constantemente. Alguns antidepressivos têm reduzido os efeitos dos danos.
Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) – compulsão por comer característica da bulimia, porém sem o uso de métodos extremos de perda de peso. Afeta cerca de 30% dos obesos.
Transtorno de ruminação - frequente em crianças pequenas, caracteriza-se pela regurgitação ou remastigação repetida que não podem ser explicados por nenhuma condição médica.
Vigorexia - obsessão por um corpo musculoso e atraente, quase sempre em homens. Envolve um treinamento muscular obsessivo e alimentação voltada para a manutenção desse corpo com uso frequente de anabolizantes.

Dicas:
Cuide-se hoje porque prevenir sempre foi mais simples que tratar. Se você sofre de algum distúrbio e não consegue lutar sozinho, saiba que o acompanhamento para tratar de disfunções alimentares é multidisciplinar e envolve médico, nutricionista e psicólogo. Eu estou disposta a conversar com você e tirar suas dúvidas ou dar uma orientação, baseada em minhas experiências, sobre o melhor caminho a ser seguido. Felizmente hoje, problemas como estes estão sendo mais valorizados e muitos profissionais estão buscando especializar-se no apoio a pessoas que sofrem destes transtornos. No mais, lembre-se que tudo precisa ser dosado, pois até mesmo a perseguição por hábitos de vida saudáveis, podem se tornar doentios. O equilíbrio entre o que dá prazer e o que é saudável sempre será a melhor alternativa.

Disponível em: Jornal Caruaru

sábado, 18 de janeiro de 2014

Step by step

... porque o bulanabula também é beleza! =D

Tônico;
Primer;
Base;
Corretivo;
Pó;
Penteia sobrancelha;
Preenche sobrancelha;
Sombra 1;
Sombra 2;
Sombra 3;
Lápis de olho;
Rímel;
Curvex;
Mais rímel;
Delineador;
Blush;
Bronzer;
Batom.
= 40 minutos.

Água;
Sabonete;
Demaquilante.
= 5 minutos.

Por isso as fotos são importantes.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O que os Suicidas Desejam Matar?

Caros leitores, eu acredito que espero mais ansiosa que vocês pelas quartas-feiras, para nos encontrarmos e eu ter o rico privilégio de ler os comentários que vocês fazem. Cada crítica e cada elogio me fazem desejar apresentar sempre o melhor a vocês. Semana passada, falei um pouco sobre a depressão e hoje quero tratar do ponto máximo que a doença mental pode levar o indivíduo, o suicídio.
A palavra “suicídio” pode soar muito pesada, principalmente quando pensamos nas consequências do seu significado. Alguns consideram covardia, outros, coragem, mas poucos conseguem refletir sobre o real motivo que leva algumas pessoas a pensar ou mesmo cometer tal ato. E o que você tem a ver com isso? O suicídio é uma das primeiras causas de morte de jovens no Brasil; dados recentes mostram que 26 brasileiros cometem suicídio por dia, mas ninguém quer falar sobre esse assunto. Na obra de Bertolote “O Suicídio e sua Prevenção” (Ed. Unesp), observamos a terrível estatística que mostra que o aumento proporcional na taxa de suicídio no Brasil nos últimos 25 anos é maior do que o crescimento da média populacional.
O que eu observo quando acompanho jovens que pensam em suicídio revela que 90% deles padecem de uma dor muito profunda e não veem saída. Quando eu pergunto por que eles querem morrer, respondem que não tem nenhuma solução, que todas as tentativas de ser feliz se esgotaram e que não existe mais esperança. Então eu pergunto se caso houvesse uma resposta e um antídoto para matar a dor, ele gostaria de continuar vivendo e é quase unânime ouvir um sim. Logo é fácil concluir que quem comete suicídio, não quer deixar de viver e sim, deixar de sofrer. Querem matar a dor, não o ser.
Por constatar essa realidade, a OMS estimula países onde a taxa de suicídio é alta, a realizarem campanhas de prevenção ao suicídio. Na verdade o tema ainda hoje é tabu até mesmo para profissionais de saúde que evitam utilizar este termo, usando eufemismos desnecessários para referir-se à dura realidade.
Ser feliz está na moda. As redes sociais e os anúncios de televisão estão repletos de felicidade e isso não é errado. O erro está em estabelecer um padrão de felicidade que por vezes está fora da realidade. Parece que hoje todo mundo tem a obrigação de estar sempre bem, sempre sorrindo, sempre feliz, sempre segurando uma máscara para agradar a sociedade enquanto por dentro há um conflito terrível entre dois gigantes lutando para vencer e, infelizmente, no caso dos suicidas, vence o gigante do mal.
Sugiro a você que você alimente o gigante do bem que está dentro de você dos que estão à sua volta. Você pode ser um agente de prevenção ao suicídio e colaborar para que as pessoas consigam vislumbrar as respostas que precisam para erguer a cabeça e entender que não é o fim. Afinal, como diria o poeta “o único fim da esperança, é a morte”, pelo menos nesse mundo.
Como posso ser um agente de prevenção ao suicídio? Meus queridos, muito mais do que substâncias que retardam a atividade cerebral tratando das diversas enfermidades emocionais, a conversa ainda é o melhor tratamento para pacientes nestas condições e esta constatação não é minha, é da ciência! A maior parte das pessoas que cometem suicídio é composta de pessoas solitárias, introspectivas, de poucos amigos, tímidas, discriminadas nos grupos por características “diferentes”. O que converge para o mesmo ponto é: todas precisavam ser ouvidas. Por esta razão, não é raro encontrar longas cartas de despedidas onde a pessoa antes de morrer, escreve tudo o que gostaria que alguém a tivesse ouvido falar.

Você não precisa de um diploma para dedicar parte do seu tempo a ouvir alguém que lhe parece triste, que se isola dos demais ou que está enfrentando algum trauma físico ou emocional. Um dos maiores problemas do mundo moderno é que muitos querem falar, mas poucos querem ouvir. É preciso saber calar diante da dor do outro e deixar que o coração dele fale. E quando as palavras não puderem sair, fale com seus olhos e escute com o coração. Abrace a pessoa longamente e sinta a alma dela de modo que através de seu abraço você consiga ser um instrumento de paz que ela precisa tocar naquele momento.

Publicado em: Jornal de Caruaru

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Depressão, o câncer da alma

Por: Hellen Taynan

O sofrimento não depende de você, mas o espaço que ele vai ocupar em sua vida, sim. No mundo, existe mais de 7 bilhões de pessoas e todas passam, passaram ou passarão alguma dificuldade na vida. Os problemas vêm para nos fazer crescer, vêm para nos ensinar algo e mesmo quando pensamos que não tem propósito nenhum passar por determinada situação, mais a frente veremos que foi necessário.
Quando verificamos as mudanças que ocorrem no reino animal, percebemos que nenhuma delas vem sem dores e sofrimentos. Como exemplo, temos a ostra que para produzir a pérola, precisa ser ferida e invadida por parasitas e após lutar contra eles, vai produzindo uma “verruga” que vai crescendo até termos a linda e preciosa pérola. A pérola é uma ferida cicatrizada e não existe cicatriz sem quem antes haja uma dor. Quantas pérolas você já produziu?
A superação de um acidente, uma enfermidade, a perda de um ente querido, um não quando você apostou tudo o que tinha em um sim... Todas estas coisas servem para nos lapidar e nos fazer olhar para a vida de outra maneira.
Eu venci um câncer! Eu tive depressão e a depressão é o câncer da alma. Esse é o mais arrasador de todos, pois enquanto nos outros tipos de câncer o paciente luta pela vida, na depressão o paciente só deseja a morte e não vislumbra uma saída para o sofrimento que o aflige. Eu lutei contra a depressão por quase 10 anos. Experimentei várias drogas receitadas por “n” psiquiatras até encontrar a medicação correta porque o que serve para uns, não faz o mesmo efeito para outros.
Hoje, curada desta enfermidade, decidi tentar impedir de alguma forma que as pessoas cheguem ao estado que eu cheguei. Eu estudei, me formei em psicanálise, estou sempre lendo livros sobre o assunto, escrevendo e pensando sobre isso. Estou disposta a ajudar, pois aprendi que na vida só fazemos a diferença se pudermos servir de alguma forma às pessoas.
O processo de cura da depressão envolve tempo e amor dos que estão ao seu lado. A maioria das pessoas que vencem esta enfermidade encontra em Deus a resposta para a vida. Eu sei que acima de medicamentos e visitas a médicos, a fé que descobri dentro de mim foi fundamental para que eu encontrasse a cura.
Esteja atento para os sintomas iniciais da depressão! Às vezes, o estresse do dia a dia, a privação de sono, maus hábitos alimentares ou uma frustração aparentemente pequena, pode ser o disparador da doença. Eu me coloco à disposição para conversar com você que precisa de alguma ajuda. Muitas vezes uma palavra certa é tudo o que precisamos para erguer a cabeça e seguir em frente antes que a doença se instale em nosso corpo.
A dica que dou é: ame! Se você conhece alguém que está sofrendo de depressão, ame-o. Mas ame-o muito, mais do que suas forças permitem, pois o amor e o carinho são protagonistas da cura desta doença. Converse, gaste tempo ao lado dessa pessoa! Muitas vezes o paciente com depressão tem a necessidade de ser ouvido por alguém que não critique seu sofrimento, apenas escute e dê uma palavra de força. Esqueça frases do tipo “ah, comigo foi pior e eu não fiquei assim”... Ou ainda “você tem que sair de casa, ver gente, reaja!” Substitua estes jargões por “eu vejo a sua dor e não tenho noção do tamanho que ela ocupa em sua vida, mas estou aqui para te ajudar”. Entenda que a pessoa está doente e como tal, ela não escolheu ficar assim, então pare de exigir que a pessoa reaja, acorde pra vida e esteja junto de pessoas que muitas vezes nem entendem o sofrimento dela. Antes, leve-a a um lugar calmo, mostre a ela como a vida torna as coisas mais simples mais bonitas... Um nascer do sol, o perfume de uma flor, o controle do movimento das águas do mar que atingem seu limite e voltam e o canto dos pássaros.
Desta forma, você terá encontrado uma maneira de produzir pérolas dentro de si mesmo e ainda ajudar que outras pessoas produzam suas pérolas vencendo as dores dessa vida.

Esse foi o 2º texto de nossa coluna. A proposta é que neste mês de janeiro tratemos de assuntos relacionados à saúde mental. A cada mês, abordarei um tema e você pode sugerir sobre o que gostaria de ler. Obrigada e até quarta!

sábado, 4 de janeiro de 2014

Para começar bem, evite a ansiedade

Para quem ainda não sabe, agora sou colunista do Jornal de Caruaru e todas as quartas publico um texto sobre algo relacionado ao bem-estar. Para quem não conferiu o primeiro post, atualizo aqui no blog.
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Saudações de um ano novo cheio de boas promessas e melhores desejos renovados a todos que me leem! A partir de hoje, temos um encontro marcado, todas as quartas, aqui no Jornal de Caruaru. Onde falarei sobre tudo o que diz respeito ao nosso “Bem-Estar.”
Hellen Taynan
Hellen Taynan
O ano está novinho e oferecendo um novo livro repleto de páginas em branco para você escrever a sua história da melhor forma possível e isso só depende de você. Problemas existirão em muitos momentos, mas o significado deles em sua vida terá o espaço determinado por você mesmo.
Dia 01 de janeiro é marcado por planos e projetos que geram expectativas e expectativas geram ansiedade. Todos nós somos ansiosos? Em geral, sim. A ansiedade é um traço que além de psicológico, faz parte da característica biológica do ser humano. Fica-se ansioso naturalmente aquele que espera a chegada de alguém querido, o resultado de um concurso ou em momentos que antecedem situações novas que remetem ou não a perigo (medo, nervosismo, desejos, etc). O cuidado que devemos ter está em evitar que a ansiedade enquanto processo natural ocupe o lugar de nossa vida e passemos a viver em torno de uma expectativa, medo ou nervosismo. Quando isso acontece, temos um transtorno de ansiedade, um processo patológico onde os sentimentos em volta do que poderá ocorrer dominam todo o tempo impedindo o indivíduo de realizar suas atividades normais, podendo desencadear outras patologias que, em casos extremos, podem incapacita-lo permanentemente.
Os sintomas dos transtornos de ansiedade em pouco tempo são percebidos pelas pessoas ao seu redor, estes sintomas denotam, dentre outros, os tão falados transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) e síndrome do pânico. Em graus elevados, diante de uma crise de pânico, por exemplo, um surto psicótico fica iminente e suas consequências podem ser devastadoras e até irreversíveis em alguns casos.
Os tratamentos para os transtornos de ansiedade agrupam sessões de psicoterapia e visitas regulares a um psiquiatra que vai recomendar o uso de alguma substância capaz de controlar os desequilíbrios. Hoje, a indústria farmacêutica dispõe de antidepressivos e ansiolíticos muito modernos e eficazes. Os efeitos colaterais tão temidos por esta classe de medicamentos estão sendo cada vez mais minimizados de forma que a beneficência é obtida até mesmo a partir da primeira semana de uso. O inconveniente neste tipo de tratamento é o tempo prolongado que ele dura.
Transtornos mentais não são como um resfriado ou uma infecção corriqueira. O tratamento deve ter hora para começar, mas não se pode abandoná-lo ao primeiro sinal de melhora. É necessário um acompanhamento multiprofissional e muita disciplina acima de tudo. Os medicamentos atuam inibindo as sensações de medo extremo ou nervosismo e é comum que após algumas semanas, muitos indivíduos se considerem curados e abandonem o tratamento; não tarda muito, os sintomas voltam, em geral com maior intensidade. Outra problemática ligada ao fato tempo reside na dificuldade em diagnosticar uma patologia mental, pois os sintomas são muito parecidos e as linhas tênues entre um e outro diagnóstico. Mais um motivo para persistir no tratamento e nas visitas ao psiquiatra. Em geral hoje, os profissionais da área de saúde e equilíbrio mental preocupam-se muito mais em tratar os sintomas em detrimento de buscar rotulações, muitas vezes determinísticas e errôneas. A máxima “de perto, ninguém é normal”; nunca fez tanto sentido na vida das pessoas como hoje. Estresses no trânsito, trabalho, faculdade, problemas familiares, TPM e diversas pressões por escolhas e decisões urgentes e corretas contribuem para um desequilíbrio em algum momento da vida é necessário persistir em autoconhecer-se para identificar quando as adversidades saem do padrão natural e tornam-se prejudiciais à boa convivência.
Se você está passando por momentos de tensão e teme que isso evolua para uma patologia, existem métodos naturais de alimentar sua saúde emocional e preservá-la. Meditar, elevar o pensamento a Deus em oração, exercitar a respiração, ler bons livros e ouvir músicas de boa qualidade são meios de evitar o estresse que leva à ansiedade. Em Caruaru, é possível encontrar parques arborizados, com paisagens tranquilas, propícios à higiene mental. Experimente alimentar sua alma de bons costumes e o autocontrole irá manter sua mente sã.
Até quarta!
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Hellen Taynan: É Bacharel em Administração pela UFPE, pós-graduada em Administração e Marketing pelo Grupo Uninter. Psicanalista formada pelo Instituto Internacional de Psicoterapia e atualmente, graduanda de nutrição na UFPB. Escreve, às quartas, a Coluna Bem-Estar, no Jornal de Caruaru. Sugestões e pautas: hellentaynan@gmail.com