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sábado, 26 de novembro de 2016

BRAVA FLOR


Das flores que me destes, quase todas se perderam.
Apenas uma resiste e insiste manter-se viva entre todas que morreram.
Brava flor que não se entrega! A esta darei meu nome.
E assim admirada compreenderei tamanha bravura que agora é manifesta
em tom de desafio.
Que de tudo menos dói a morte,
Mas a incapacidade de fazer voltar aquilo que um dia viveu.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

QUAL SEU LUGAR?

E no final de tudo, lá onde o sol se põe para nunca mais nascer, lá onde o canto dos pássaros vai ficando baixinho até se perder, lá onde o abraço ficou vazio e o choro é rio afogando o rosto, lá onde a memória se perdeu porque o sopro de vida acabou, o que fica para tantos é apenas um lugar. Para outros, um espaço. E aqueles que são espaço, nunca se ausentam por completo. 
O lugar é demasiadamente pouco. Um canto pequeno. Quadrado, estreito, limítrofe, comportado. Comporta um tempo finito e que pode ser ocupado. Ocupado por outro corpo.
Lugar tem endereço e tem direção. 

Um sai outro chega e acabou também o lugar. Ontem estava aí, hoje não estou mais. Amanhã estarei acolá e de lugar em lugar, um senta outro sai, o que saiu deitou na areia, saiu e outro veio. Subiu no ônibus, estava cheio, não tinha lugar, ficou em pé, já ocupou lugar. Um saiu, cedeu lugar, o outro sentou, não tem mais lugar. 

Um cala e tira sua voz do lugar, outro fala e agora o lugar é da outra voz.
Não, não, não! Não lute para ocupar um lugar!
Poupe as energias para ser maior que o cantinho que se perde e ganha. Que agora é, e num é pra já, já não é mais.
Ocupe espaço!
Vamos, seja motivo do motivo de alguém! Dissipe luz em seu sorriso de modo que aquele que ocupa um lugar sinta vontade de dissipar essa luz também a outro. Preencha o lugar com o sorriso, ocupe o canto de sentimentos. 
Ensine sem palavras, que boas energias ocupam espaço. 
Seja o espaço o seu lugar!
E lá no final de tudo, onde nada mais restar, você permanecerá no amor que deixou nos lugares que passou.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

CÉU, INFERNO, SORTE OU REVÉS? UNIVERSOS PARALELOS, VERDADES ABSOLUTAS.

Aquilo que nos mantém vivos é bem maior do que o instrumento dito corpo. Pois a existência é constituição e a permanência é estado.



Assim, desde quando estava na igreja eu tinha a nítida impressão que cada um tem dentro de si a ideia de céu ou inferno. É como se houvesse um lugar à imagem e semelhança daquele que alimenta em sua mente  o que julga ser. E eu ainda acreditava nessa separação e que o fim de cada um seria a glória do paraíso ou a perdição no inferno.


Depois desenvolvi a ideia de que cada um vai para onde acredita. Essa visão é muito coerente por sinal com o que na realidade todos os crentes pensam, mas não admitem. Eles acreditam quem vão se encontrar no céu e viver como uma grande família. Mas não admitem que o que ele pensa do céu, é diferente do que o seu irmão, membro da mesma família, pensa. 

Com isso, não julgo errado aquele que concebe o céu e o inferno a seu modo. Também eles estão certos. Também sua pluralidade, suas divergências, miopias e certezas encontram espaço. Aqui ou além. Infinidades de verdades relativas que encontram seu absoluto dentro de cada um que acre
dita haver somente uma verdade.

Talvez, o que minha mente e minha percepção me fazem ver de modo ainda embaçado, esteja bem nítido se considerar a ideia de universos paralelos. Isso é suportado se compreendermos que existe um sopro e algo de muito complexo dentro de nós que nos impulsiona à existência, transvalorando a própria vida. Assim, condiciono o sentido de existir à permanência, de modo que, ainda que se relativize a existência, o ente permanece aqui ou em outro universo sob aquilo que é sopro, alma.

Permanência aqui direciono num sentido diferente e superior a existência. Digo isto tentando, de forma didática, alcançar os que amam à lógica dedutiva, valendo-me de Descartes para ligar o sentido de existir ao sentido de consciência. Assim, se para existir é mister ser consciente, para permanecer é necessário apenas continuar. O melhor disso é que não depende da razão. 

A noção da consciência e a necessidade de explicação delineada para todos os acontecimentos deve ser menos perseguida que as sensações e percepções que os elementos da natureza podem proporcionar. Pois se o vento, o fogo, a água e a terra permanecem, assim também permanece o homem pois do mesmo modo, em sua constituição química, possui elementos que nunca morrem.

A ideia de permanência produz outro tipo de percepção e contato com o universo. A energia que não se esgota, os elementos que não morrem, a vida que se renova. Despida ou com outras roupas, em outras formas, em outras cores, em outros sons.

Permaneço, ainda que neste corpo eu não exista.