O que me importa acreditar que tudo o que se faz volta para quem fez se fazendo o bem tenho recebido o mal? Se cercada do amor de muitos, encontro-me inalcançável (e só). De que me vale o consolo de pensar que quem me fez o mal vai receber o mal no futuro se toda dor agora é somente minha?
Não senhoras e senhores. Não me importa a justiça divina. Não me interessa a lei do retorno. Nenhum mal que volte a quem mal me fez vai aliviar um décimo do sofrer que passo agora.
Desse modo, dizer que Deus está vendo o mal que me fizeram, não faz nenhuma diferença. Especialmente quando sei que existem tantos humanos brincando de ser deus.
E então, o que eu espero afinal?
Em meu mundo, que de tão simples torna-se perfeito e, portanto, impossível, existe a resposta em seguida do gesto. O gesto é o arrependimento; a resposta, é o perdão.
O antídoto, a felicidade.
O desejo é que quem hoje faz o mal seja feliz. Mas tão feliz que seja capaz de sofrer pela remota possibilidade de causar dor a outra pessoa.
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terça-feira, 27 de março de 2018
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
O PROBLEMA DO BRASIL

A ruptura com o Estado Democrático de Direito no Brasil levou o país a um Estado de exceção. Eu não votei na Dilma e tinha muitas críticas à gestão dela. Porém, cada povo tem, quando não o governo que merece, o governo que escolhe. E essa é a base da Democracia. Por impeachment retiraram Dilma do poder e foi instituído seu vice conforme previsto na tão aclamada e pouco respeitada, Constituição.
O que não foi previsto foi que um governante que compartilhava de mesma base política tomaria medidas tão antagônicas ao governo que o antecedeu. Mas o mercado financeiro comemorou! Ações subiram, o real valorizou.
O desemprego aumentou. Programas populares foram extintos, afinal o problema do país é a falta de dinheiro.
A reforma da previdência bate às portas. Afinal, o problema do país é que a população está vivendo mais e onerando o Estado.
Mais de 60 mil vagas em órgãos públicos foram congeladas. Afinal, o problema do país é enxugar a máquina pública.
Direitos adquiridos a duras penas pelos trabalhadores são jogados pelo ralo. Afinal, o problema do país é culpa da deusa Thêmis que pende a balança sempre pro mais fraco.
O Brasil voltou a ocupar o mapa da fome. Afinal, o problema do país é culpa da falta de planejamento familiar.
Tem gente desempregada doando seus filhos porque não pode criar. Tem gente morrendo de fome, frio, de bala perdida... E tem gente, muita gente, morrendo na ignorância.
A condenação do Lula fez a BOVESPA subir quase 4%. Para o meu bolso e desconfio também que para o seu, não veio nenhum 1,00; mas tem gente comemorando.
Afinal, o problema do Brasil é, para muitos, o Lula solto.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
EVITE FOFOCAS: PUBLIQUE-SE!
Durante muito tempo louvei os ensinamentos do "bom velhinho" Zygmunt Bauman e apreciei, embora nunca tenha seguido, as máximas do reservar-se. Conter-se em felicidade e tristeza; poupar o mundo de saber sobre suas frustrações, sua condição física e mental afinal o que se ganha e se perde ninguém precisa saber. Ninguém deveria se importar.
Desse modo, também há que se lembrar da máxima "se não pode com eles, junte-se a eles". E maior do que o sistema, está quem o alimenta. Quem são?
São centenas, milhares, milhões e bilhões que podem ter facilmente acesso a qualquer um de nós neste ciberespaço.
Felizmente, dentre esses bilhões, existem pouquíssimos que vão sondar a vida de outro, mas que ao fazer, irão fazer com maestria sem abrir mão da oportunidade de especular sobre tudo o que veem e inventar tudo o que não veem. Vão perseguir e se informar de tudo o que o outro faz.
Alguns, por exemplo, costumam ser inofensivos. Colecionam fotos minhas e me escrevem sobre elas. Fazem homenagens públicas, declarações de carinho. Outros repostam meus textos dando os devidos créditos.
Outros simplesmente, vivem para tentar me derrubar. Haters (?)
Diante disso, venho desenvolvendo uma ótima ferramenta e atalho para todos os que têm extrema necessidade de especular sobre minha vida e a qual recomendo a todos quanto leem este texto: publique-se!
Elimine as possibilidades de especulações levianas sobre sua vida. Mostre-se!
Costumo dizer que as fofocas crescem até chegar a mim. Quando chegam, morrem. Não dou audiência para o que disseram que ouviram falar... Não tenho tempo para perder sondando a vida de ninguém. Estou muito ocupada vivendo a minha própria vida.
Paradoxalmente, é necessário vencer uma batalha todos os dias dentro de si, para que se possa viver em paz consigo e eu tenho aprendido muito bem a lição.
Meu blog é autobiográfico. Minhas fotos são. As legendas são. As músicas que ouço são. Os personagens que admiro são. Tudo o que acredito, tudo o que me transformei, o que sou e o que vier a ser é parte de uma autobiografia. Exposta. Pública. Autêntica. Minha.
Nenhum olho grande seca o mar. Nenhum farol é capaz de constranger o sol a ponto dele não brilhar. Sou o que sou.
E que sejamos melhor a cada dia.
quinta-feira, 16 de março de 2017
Por aqui as coisas continuam do mesmo jeito
Um limite que nos impeça de agir impensadamente. Um limite que nos impeça de ficar prostrada numa cama por dias, dias e dias... Um limite que nos faça lembrar do que sentimos pelo outro e em nome disso reconsiderar posicionamentos, decisões, atos e palavras.
É... Por aqui as coisas continuam do mesmo jeito. A tempestade fez estrago apenas em mim. Tudo mais permanece igual. Há dias em que acordo e que quase te chamo. É difícil saber que mesmo que eu tente impedir, o sol vai estar lá fora brilhando quando o dia raiar. É cruel lembrar da verdade de Shakespeare que grita aos meus ouvidos que não importa em quantos pedaços meu coração foi partido, o mundo não vai parar esperando que eu o conserte.
A cada dia uma voz me convence que você não gosta de mim. Outra voz me diz que você gosta. Sei que ao menos uma é razão, só não sei qual. Ou talvez eu não queira saber porque como eu te disse, por aqui as coisas continuam do mesmo jeito. Às vezes tento te incriminar como assassino de meus sonhos. Mas nem por isso levas culpa nenhuma porque a cada manhã se renova essa esperança, esse feixe de luz, de sonho e vontade de recomeçar. Então eu sigo acreditando que cada noite a mais, marca um dia a menos da gente se reencontrar e reescrever as linhas que pelo caminho se desviaram.
domingo, 21 de fevereiro de 2016
CÉU, INFERNO, SORTE OU REVÉS? UNIVERSOS PARALELOS, VERDADES ABSOLUTAS.
Aquilo que nos mantém vivos é bem maior do que o instrumento dito corpo. Pois a existência é constituição e a permanência é estado.
Assim, desde quando estava na igreja eu tinha a nítida impressão que cada um tem dentro de si a ideia de céu ou inferno. É como se houvesse um lugar à imagem e semelhança daquele que alimenta em sua mente o que julga ser. E eu ainda acreditava nessa separação e que o fim de cada um seria a glória do paraíso ou a perdição no inferno.
Depois desenvolvi a ideia de que cada um vai para onde acredita. Essa visão é muito coerente por sinal com o que na realidade todos os crentes pensam, mas não admitem. Eles acreditam quem vão se encontrar no céu e viver como uma grande família. Mas não admitem que o que ele pensa do céu, é diferente do que o seu irmão, membro da mesma família, pensa.
Com isso, não julgo errado aquele que concebe o céu e o inferno a seu modo. Também eles estão certos. Também sua pluralidade, suas divergências, miopias e certezas encontram espaço. Aqui ou além. Infinidades de verdades relativas que encontram seu absoluto dentro de cada um que acre
dita haver somente uma verdade.
Talvez, o que minha mente e minha percepção me fazem ver de modo ainda embaçado, esteja bem nítido se considerar a ideia de universos paralelos. Isso é suportado se compreendermos que existe um sopro e algo de muito complexo dentro de nós que nos impulsiona à existência, transvalorando a própria vida. Assim, condiciono o sentido de existir à permanência, de modo que, ainda que se relativize a existência, o ente permanece aqui ou em outro universo sob aquilo que é sopro, alma.
Permanência aqui direciono num sentido diferente e superior a existência. Digo isto tentando, de forma didática, alcançar os que amam à lógica dedutiva, valendo-me de Descartes para ligar o sentido de existir ao sentido de consciência. Assim, se para existir é mister ser consciente, para permanecer é necessário apenas continuar. O melhor disso é que não depende da razão.
A noção da consciência e a necessidade de explicação delineada para todos os acontecimentos deve ser menos perseguida que as sensações e percepções que os elementos da natureza podem proporcionar. Pois se o vento, o fogo, a água e a terra permanecem, assim também permanece o homem pois do mesmo modo, em sua constituição química, possui elementos que nunca morrem.
A ideia de permanência produz outro tipo de percepção e contato com o universo. A energia que não se esgota, os elementos que não morrem, a vida que se renova. Despida ou com outras roupas, em outras formas, em outras cores, em outros sons.
Permaneço, ainda que neste corpo eu não exista.
domingo, 27 de dezembro de 2015
E SE ARREPENDIMENTO MATASSE?
Oi
Hoje estou aqui, após um longo tempo, para falar mais uma vez de minhas observações. A cada dia que passa, atesto como o mundo é mesmo um baile de máscaras onde cada um usa aquela que lhe convém. Longe de mim atirar a primeira pedra, nem a segunda ou a última. Sou tão hipócrita quanto os que fazem isso, até porque um dia devo ter feitoe que o bom senso me livre de fazer outro dia. Mas o que é 'isso' a que eu me refiro? Vamos lá!
O mundo, a vida, as experiências, os traumas, a presença de alguma entidade ou divindade em sua vida... Seja qual for a força, todos estamos sujeitos a arrependimentos por algo que fizemos. Ainda que tenha sido a nossa própria vida. Explico. Alguém que foi tido como um filho mau e que maltratou os seus pais, pode se arrepender em algum momento e mudar seu comportamento. Alguém que foi cristão e hoje é muçulmano e olha pro seu passado acreditando que foi um erro, que foi tempo perdido e se arrependeu. Alguém que teve relacionamento homoafetivo e hoje constituiu uma família ao lado de alguém do sexo oposto e se arrepende do seu passado... Ou o contrário também, claro! Alguém que foi muito oprimido em um relacionamento heteroafetivo e hoje é feliz ao lado de alguém do mesmo sexo e se pergunta: como foi possível perder tanto tempo?
Enfim! Inúmeras situações ocorrem na vida de todo mundo em todo o tempo e são passíveis de serem revertidas. A vida dá essa chance, o mundo dá essa chance. Até Deus garante salvação aos que se arrependeram... E, por isso, em questão última: o arrependimento é DIVINO (e necessário) para as religiões, seitas e até estilos de vida.
Mas, porém, contudo, todavia, entretanto... Que dizer das pessoas que não se contentam com o arrependimento e não têm capacidade de assumir o que elas achavam errado em sua prática como uma responsabilidade delas? Particularmente, algo que me incomoda demais é a transferência de responsabilidade a outrem de algo que você praticou. Assim, nada impede que eu um dia tenha defendido o PT e votado no Lula 2x e em Dilma 1x. Nada me impede também de dizer que hoje eu não votaria, que não votei na última eleição e que desacredito do partido. Me sinto traída pela ideologia que um dia defendi, porém é diferente de dizer, por exemplo, que
Outro exemplo, ainda mais simples, se eu bati no copo e quebrei, EU QUEBREI O COPO! Não foi o copo que quebrou. Entenderam a questão?
Explicando ainda mais, porque se alguém faz isso, simplesmente pare! Eu posso ter tido um, dez, mil,dez mil relacionamentos homoafetivos e pode ter sido muito bom aos meus olhos na época. Mas hoje, eu me arrependo. Sou uma mulher Hétero com H maiúsculo, casada, tenho filhos e sou católica apostólica romana, faço novena, trezena e me chicoteio quando peco. Olha só! Então eu olho para trás e digo
pausa porque enjoei aqui
Ahhh, vamos combinar, né? Ninguém pode te obrigar a ser bissexual ou petista ou nazista ou roqueira, ou cristã. Se você curtia dançar na boquinha da garrafa e hoje só ouve Led Zeppelin, beleza! Se pra você vale ser a dita cidadã respeitada que trabalha fora, cuida da casa, dos filhos, do marido, vai à igreja acender vela pros santos e aos domingos vai ao zoo dar pipoca aos macacos, entenda que foi uma mudança sua, motivada por suas experiências, vivências e traumas. Pelo arrependimento mesmo!
Seja forte o suficiente para dizer que fez e se arrependeu e hoje não faria mais. Não transfira a responsabilidade do que fez ao grupo que pertenceu um dia. Não cuspa no prato que comeu, pois um dia poderá ter fome novamente. Se você é mentalmente capaz, nem mesmo amigos que se drogam, conseguem te convencer a se drogar. Eu já estive presente em grupos de amigos onde alguns se drogavam e eu nunca experimentei nada. Do mesmo modo, se aquilo me incomoda, eu estou com os pés desamarrados para sair.
Não, doce criança... Nunca se iluda! Saiba que o grupo a que você pertence hoje, pode te decepcionar tanto ou mais do que aquele que você julga ter sido tão perverso com você. E a vida é tão sarcástica com quem não aprende com os erros que é capaz de te dar outra chance de se arrepender, pra ver você abrir a boca e dizer, mais uma vez, que foi vítima de uma lavagem cerebral e agora se curou.
Curou, mas ficou sequelas.
Curou, mas não importa o que você faça seu arrependimento não mata seu passado e as escolhas que você fez. Apenas se arrependimento matasse, você seria capaz de matar a sua história.
Hoje estou aqui, após um longo tempo, para falar mais uma vez de minhas observações. A cada dia que passa, atesto como o mundo é mesmo um baile de máscaras onde cada um usa aquela que lhe convém. Longe de mim atirar a primeira pedra, nem a segunda ou a última. Sou tão hipócrita quanto os que fazem isso, até porque um dia devo ter feito
O mundo, a vida, as experiências, os traumas, a presença de alguma entidade ou divindade em sua vida... Seja qual for a força, todos estamos sujeitos a arrependimentos por algo que fizemos. Ainda que tenha sido a nossa própria vida. Explico. Alguém que foi tido como um filho mau e que maltratou os seus pais, pode se arrepender em algum momento e mudar seu comportamento. Alguém que foi cristão e hoje é muçulmano e olha pro seu passado acreditando que foi um erro, que foi tempo perdido e se arrependeu. Alguém que teve relacionamento homoafetivo e hoje constituiu uma família ao lado de alguém do sexo oposto e se arrepende do seu passado... Ou o contrário também, claro! Alguém que foi muito oprimido em um relacionamento heteroafetivo e hoje é feliz ao lado de alguém do mesmo sexo e se pergunta: como foi possível perder tanto tempo?
Enfim! Inúmeras situações ocorrem na vida de todo mundo em todo o tempo e são passíveis de serem revertidas. A vida dá essa chance, o mundo dá essa chance. Até Deus garante salvação aos que se arrependeram... E, por isso, em questão última: o arrependimento é DIVINO (e necessário) para as religiões, seitas e até estilos de vida.
Mas, porém, contudo, todavia, entretanto... Que dizer das pessoas que não se contentam com o arrependimento e não têm capacidade de assumir o que elas achavam errado em sua prática como uma responsabilidade delas? Particularmente, algo que me incomoda demais é a transferência de responsabilidade a outrem de algo que você praticou. Assim, nada impede que eu um dia tenha defendido o PT e votado no Lula 2x e em Dilma 1x. Nada me impede também de dizer que hoje eu não votaria, que não votei na última eleição e que desacredito do partido. Me sinto traída pela ideologia que um dia defendi, porém é diferente de dizer, por exemplo, que
nunca fui pró-governo, eu fui influenciada pelo meio que eu estava a declarar isso, sob pena de não ser aceita.
Outro exemplo, ainda mais simples, se eu bati no copo e quebrei, EU QUEBREI O COPO! Não foi o copo que quebrou. Entenderam a questão?
Explicando ainda mais, porque se alguém faz isso, simplesmente pare! Eu posso ter tido um, dez, mil,
Nunca gostei de beijar outra mulher. Mas eu precisava fazer isso para ser aceita no grupo. Tinha medo de ser rejeitada.
Ahhh, vamos combinar, né? Ninguém pode te obrigar a ser bissexual ou petista ou nazista ou roqueira, ou cristã. Se você curtia dançar na boquinha da garrafa e hoje só ouve Led Zeppelin, beleza! Se pra você vale ser a dita cidadã respeitada que trabalha fora, cuida da casa, dos filhos, do marido, vai à igreja acender vela pros santos e aos domingos vai ao zoo dar pipoca aos macacos, entenda que foi uma mudança sua, motivada por suas experiências, vivências e traumas. Pelo arrependimento mesmo!
Seja forte o suficiente para dizer que fez e se arrependeu e hoje não faria mais. Não transfira a responsabilidade do que fez ao grupo que pertenceu um dia. Não cuspa no prato que comeu, pois um dia poderá ter fome novamente. Se você é mentalmente capaz, nem mesmo amigos que se drogam, conseguem te convencer a se drogar. Eu já estive presente em grupos de amigos onde alguns se drogavam e eu nunca experimentei nada. Do mesmo modo, se aquilo me incomoda, eu estou com os pés desamarrados para sair.
Não, doce criança... Nunca se iluda! Saiba que o grupo a que você pertence hoje, pode te decepcionar tanto ou mais do que aquele que você julga ter sido tão perverso com você. E a vida é tão sarcástica com quem não aprende com os erros que é capaz de te dar outra chance de se arrepender, pra ver você abrir a boca e dizer, mais uma vez, que foi vítima de uma lavagem cerebral e agora se curou.
Curou, mas ficou sequelas.
Curou, mas não importa o que você faça seu arrependimento não mata seu passado e as escolhas que você fez. Apenas se arrependimento matasse, você seria capaz de matar a sua história.
domingo, 22 de novembro de 2015
COISAS DE BALADA...
Oi.
Faz muito tempo que atualizei o blog porque faz muito tempo que não atualizo minha vida também. Na verdade, poderia dizer que há tempos não conheço mais a vida fora do ambiente de trabalho. Mas a maior verdade ainda é que, sem essa atividade de produção intelectual a cem, talvez eu não conhecesse nenhum tipo de vida.
(Pausa para vocês refletirem sobre a vida)
Pois bem. Ontem me dei o luxo de ir assistir A um show aqui em João Pessoa
Sempre que acontece comigo, eu me desconcerto. Não que eu seja tímida, mas é que eu sou desastrada. Sei que a qualquer momento vou tropeçar, ou derrubar algum objeto, ou algum objeto não identificado cairá sobre mim. Enfim, vou fazer besteira. Fora isso, alguns olhares dão medo. Eu sou pré-conceituosa com olhar. Julgo logo. Olhou pra mim, eu rotulo: violento, metido, cafajeste, galinha, inteligente, ignorante, roqueiro, pagodeiro, honesto, fiel, estrábico, romântico, falso, maconheiro, caseiro, casado...
Na verdade o que me encanta mesmo são dentes brancos, bonitos, alinhados e bem cuidados. Nenhum olho supera os dentes.
Daí o homem olha, sorri, chega perto e... Beija a moça! Oi?
Sou do tempo em que se conversava a noite toda e no fim do show rolava um ou dois beijos. Hoje, não se sabe nem o nome da pessoa que se leva pro motel. A ideia é olhou, beijou, transou. De repente até volta pra ver o fim do show da banda que tá tocando. Quiçá não descole outra ou outro.
Pedir o telefone é questão de educação. Hoje em dia fornecer o telefone numa balada é como concurso público: gera a expectativa de chamada, mas não garante.
E o mercado? Pessoas atraentes hoje são como smartphones. Gente linda por todos os lados e para todos os gostos. Gente fútil, na maioria das vezes, é verdade. Mas mulheres e homens lindíssimos. Jovens e atraentes. Perfeitos para um momento. E quem precisa mais do que um momento, né? Com tantas opções, torna-se idiota prender-se a uma.
E eu? É... Eu também não me prendo a uma, logo não sou idiota, mas não me prendo a nenhuma. Não retribuo olhares, nem sorrisos. A análise dos dados levou a conclusão que "tudo parece maior, mas é melhor ficar sozinha que é pra não ficar pior" (CAROLINA, 2002). Eu não sinto nada. Até porque eu sou cientista e cientistas pensam, não sentem.
domingo, 20 de setembro de 2015
NOTA PARA QUEM?
Eu sempre fui uma criança diferente das outras e tinha uma chama pra treta que sentia de longe. O pior de tudo era minha mãe que não sabia onde tinha errado comigo. Eu era meio burra e reprovei matemática na sétima série porque comecei a gostar de um menino e ele não me dava bola. Daí um dia na balada... blá blá blá
Calma! Não vou prosseguir! Mas se... Eu seria best-seller!
A literatura que faz sucesso hoje não é composta de palavras rebuscadas, até porque poucos leitores hoje entendem o significado. Também não pode conter metáforas, perífrases, eufemismos, ironias ou anáforas. Tudo isso cansa o leitor porque exige demais dele e o que ele quer é o que está exposto, de preferência curto e claro.
Fernando Pessoa, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos, Machado de Assis, Lima Barreto, Mário Quintana, Manoel Bandeira et al., não fariam sucesso nessa nova geração de leitores. As mocinhas querem "notas para ela". E assim todos se tornaram consumidores compulsivos de frases fragmentadas e quanto mais simples, melhor.
Não, eu não sou capaz de criar notinhas rasas. Eu nunca gostei de superfícies. Ademais eu valorizo deveras a nossa língua, que aliás é uma das poucas coisas decentes que resta ao país. Preocupo-me com a hibridação e os neologismos.
Sobre as notinhas, recentemente li uma frase que seria uma ótima "nota para ela". Anota aí:
Tinha muito amor pra dar, mas também dava sem amor.
Verdade ninguém quer ler. Só o sonho, o imaginário, o ideal são bem-vindos nessa geração que pede "nudes" e "sdv".
A língua portuguesa foi prostituída e é violentada a cada novo hit do sucesso que se ouve tocar, a cada coisinha bonitinha curtinha e diretinha que é novidade na livraria. A minha eterna inquietude e meu extremo pesar ao músico talentoso que nunca vai ter a casa cheia e ao escritor competente que terá um número medíocre de vendas.
Diante desse cenário, há ainda quem sonhe com revolução!
Revolução na política, no sistema, na educação, protestos enfim! Ora, a melhor forma de se tornar líder é através do discurso. A melhor arma continua sendo a persuasão pela comunicação. Logo, se o Brasil é terra de cego e se em terra de cego quem tem um olho é rei; torna-se dispensável ter os dois olhos e convencer pela retórica bem fundamentada. Até que isso aconteça, as pessoas já estarão descendo até o chão no quadrado de quatro e recitando as malditas notinhas do sucesso.
É, eu sei... Estou fadada a morrer sem encontrar minha função nesse mundo, estou bem certa disso. Um ser atemporal com noção abstrata de espaço. Eu guardo as minhas notas, que por sua vez guardam verdades. Às vezes até venho aqui mostrar. Meus escritos estão longe da fama. Remam contra a maré, mas por mim tudo bem eu sempre fui movida por desafios mesmo...
domingo, 22 de março de 2015
A VERDADE É SOFRER
A minha verdade é empírica.
A minha verdade é confiar nas pessoas.
A minha verdade é acreditar que elas serão em algum momento honestas e justas.
Sendo minha verdade, justiça, espero receber exatamente o que eu dou.
Mas a minha verdade é burra.
Porque a minha verdade está consciente que no fim nada disso acontece e que eu vou sofrer.
A minha verdade é sofrer, acreditando que cada um é diferente mesmo sabendo que são iguais.
A minha verdade é acreditar que agora estou sendo feliz, por que de fato estou.
Mas a verdade é que você está longe.
Então a minha verdade, volta a ser sofrimento.
A minha verdade é confiar nas pessoas.
A minha verdade é acreditar que elas serão em algum momento honestas e justas.
Sendo minha verdade, justiça, espero receber exatamente o que eu dou.
Mas a minha verdade é burra.
Porque a minha verdade está consciente que no fim nada disso acontece e que eu vou sofrer.
A minha verdade é sofrer, acreditando que cada um é diferente mesmo sabendo que são iguais.
A minha verdade é acreditar que agora estou sendo feliz, por que de fato estou.
Mas a verdade é que você está longe.
Então a minha verdade, volta a ser sofrimento.
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