domingo, 21 de fevereiro de 2016

CÉU, INFERNO, SORTE OU REVÉS? UNIVERSOS PARALELOS, VERDADES ABSOLUTAS.

Aquilo que nos mantém vivos é bem maior do que o instrumento dito corpo. Pois a existência é constituição e a permanência é estado.



Assim, desde quando estava na igreja eu tinha a nítida impressão que cada um tem dentro de si a ideia de céu ou inferno. É como se houvesse um lugar à imagem e semelhança daquele que alimenta em sua mente  o que julga ser. E eu ainda acreditava nessa separação e que o fim de cada um seria a glória do paraíso ou a perdição no inferno.


Depois desenvolvi a ideia de que cada um vai para onde acredita. Essa visão é muito coerente por sinal com o que na realidade todos os crentes pensam, mas não admitem. Eles acreditam quem vão se encontrar no céu e viver como uma grande família. Mas não admitem que o que ele pensa do céu, é diferente do que o seu irmão, membro da mesma família, pensa. 

Com isso, não julgo errado aquele que concebe o céu e o inferno a seu modo. Também eles estão certos. Também sua pluralidade, suas divergências, miopias e certezas encontram espaço. Aqui ou além. Infinidades de verdades relativas que encontram seu absoluto dentro de cada um que acre
dita haver somente uma verdade.

Talvez, o que minha mente e minha percepção me fazem ver de modo ainda embaçado, esteja bem nítido se considerar a ideia de universos paralelos. Isso é suportado se compreendermos que existe um sopro e algo de muito complexo dentro de nós que nos impulsiona à existência, transvalorando a própria vida. Assim, condiciono o sentido de existir à permanência, de modo que, ainda que se relativize a existência, o ente permanece aqui ou em outro universo sob aquilo que é sopro, alma.

Permanência aqui direciono num sentido diferente e superior a existência. Digo isto tentando, de forma didática, alcançar os que amam à lógica dedutiva, valendo-me de Descartes para ligar o sentido de existir ao sentido de consciência. Assim, se para existir é mister ser consciente, para permanecer é necessário apenas continuar. O melhor disso é que não depende da razão. 

A noção da consciência e a necessidade de explicação delineada para todos os acontecimentos deve ser menos perseguida que as sensações e percepções que os elementos da natureza podem proporcionar. Pois se o vento, o fogo, a água e a terra permanecem, assim também permanece o homem pois do mesmo modo, em sua constituição química, possui elementos que nunca morrem.

A ideia de permanência produz outro tipo de percepção e contato com o universo. A energia que não se esgota, os elementos que não morrem, a vida que se renova. Despida ou com outras roupas, em outras formas, em outras cores, em outros sons.

Permaneço, ainda que neste corpo eu não exista.


Um comentário:

Thaise Nathyara disse...

Texto riquíssimo!!!👏👏👏👏👏
Eu permaneço, acreditando q irei voltar em outro corpo!😌