quinta-feira, 27 de agosto de 2015
terça-feira, 25 de agosto de 2015
MEU CARO AMIGO
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
A FESTA
sexta-feira, 15 de maio de 2015
EU, A SONHADORA
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Não venha, Dionísio... Ou, venha!
DE ARIANA PARA DIONÍSIO
Hilda Hilst
I
É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora
E sozinha supor
Que se estivesses dentro
Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora
Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.
II
Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu
Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.
III
A minha Casa é gurdiã do meu corpo
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência
E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.
A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
À uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta
Por que recusas amor e permanência?
IV
Porque te amo
Deverias ao menos te deter
Um instante
Como as pessoas fazem
Quando vêem a petúnia
Ou a chuva de granizo.
Porque te amo
Deveria a teus olhos parecer
Uma outra Ariana
Não essa que te louva
A cada verso
Mas outra
Reverso de sua própria placidez
Escudo e crueldade a cada gesto.
Porque te amo, Dionísio,
é que me faço assim tão simultânea
Madura, adolescente
E porisso talvez
Te aborreças de mim.
(...)
[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]
[in Poesia: 1959-1979/ Hilda hilst. - São Paulo: Quíron; (Brasília): INL, 1980.]
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Dos poemas que eu gostaria de ter escrito... Voa Liberdade
Entra se eu servir como morada
Deixa eu voar na sua altura
Agarrado na cintura
Da eterna namorada
Desses que a gente sonha acordado
Voa, coração esvoaçante
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado
Voa, nas manhãs ensolaradasEntra, faz verdade essa ilusão
Voa, no estalo do meu grito
Quero ver teu infinito
Nesse azul sem dimensão
Quero ver teu infinito
Nesse azul sem dimensão
Voa, voa minha liberdade
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado
Voa, nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade essa ilusão
Quero ver teu infinito
Nesse azul sem dimensão
Quero ver teu infinito
Nesse azul sem dimensão
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Da série: poemas que eu gostaria de ter escrito "Não é fácil"
Só quero encontrar o que é melhor em mim.
Ser mais do que alguém que sai no jornal,
Mais do que um rosto no comercial
E não é fácil viver assim.
Se eu quiser chorar,
Não ter que fingir.
Sei que posso errar
E é humano se ferir.
Parece absurdo, mas tente aceitar
Que os heróis também podem sangrar.
Posso estar confuso, mas vou me lembrar
Que os heróis também podem sonhar.
E não é fácil viver assim.
Seja como for agora eu sei que o meu papel
Não é ser herói no céu, é na Terra que eu vou viver.
Eu não sei voar, isso é ilusão
Ninguém pode andar com os pés fora do chão!
Sou só mais alguém, querendo encontrar
A minha própria estrada pra trilhar
Apenas alguém, querendo encontrar
A minha própria forma de amar
....
Super-herói (Não é fácil) - Sandy e Junior
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Eu e minhas assimetrias... (1)
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Da série: os poemas que eu gostaria de ter escrito... (3)
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Da série: os poemas que eu gostaria de ter escrito... (2)
Poema
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Da série: os poemas que eu gostaria de ter escrito... (1)
Pr'algumas pessoas o tempo tá no seu lugar
Pr'algumas pessoas é cedo
O vento da infância passou e não dá pra pegar
Os apaixonados têm medo
E o que ficou tão combinado não dá mais pra cumprir
Pr'alguns ainda é cedo
E o vento frio da infância ainda sopra nas estátuas
Pr'alguns ainda é cedo

