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terça-feira, 25 de agosto de 2015

MEU CARO AMIGO

Em minhas brincadeiras de falar verdades, hoje interpreto a música Meu Caro Amigo. Letra do Chico Buarque de Holanda da década de 70. A música-carta que foi na época enviada a Augusto Boal que estava na Europa, conta em ritmo de festa as tristezas do Brasil. Hoje, 2015, nossas novidades a contar são as mesmas, mas as tristezas... 


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A FESTA



Seja festa
Pro povo em romaria
A quem grita gol e atesta a vitória da alegria
A quem nunca teve e empresta
A quem anda e assovia
A quem falta e a quem resta
Pra quem quer se alegrar
Seja festa
A quem venceu mais um dia
A quem dorme e a quem cansa
A quem ouve a melodia
Pra quem namora e dança
Pra quem vai ter e adia
Pra quem recua e avança
Pra quem quer se alegrar
Seja festa
A quem largou velharia
A quem muda de endereço
A quem ama poesia
A quem já aferiu o preço
A quem quase desistia
A quem já se olhou do avesso
Pra quem quer se alegrar
Seja festa
A quem ama bateria
A quem toca flauta e encanta
Quem nunca encantaria
A quem já não cabe e é tanto que já não caberia
A quem ama bicho e planta
Pra quem quer se alegrar
Festa da paz a dança do sofredor, ai
Canta mais que cantar, ver
Chama chama chama chama
Queima a dor
Começar, recomeçar
Seja festa
Pra quem vem da boemia
Pra quem olha o mundo e canta o prazer à revelia
Pra quem liga o rádio e espanta a tristeza e a quem varia
A quem velho e a quem criança
A quem quer se alegrar

(Oswaldo Montenegro)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

EU, A SONHADORA


É que pra Bia, a sonhadora, o mundo
era azul por beleza.
Tudo o que acontece, se acontece era pra ser com certeza.

É que pra Bia, a sonhadora, o mundo era um balão que voava no universo caipira das festas de São João que Deus dá todo mês. 

É que pra Bia, a sonhadora, o tempo era irmão dos amantes. Todo desencontro ali na frente ainda será como antes.

É que pra Bia, a sonhadora, a paz é quem desenha a paisagem das janelas do futuro onde a dor não vai chegar porque o amor desfez.

Oswaldo Montenegro 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Não venha, Dionísio... Ou, venha!

DE ARIANA PARA DIONÍSIO

Hilda Hilst

 

I

É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.

Voz e vento apenas

Das coisas do lá fora

 

E sozinha supor

Que se estivesses dentro

 

Essa voz importante e esse vento

Das ramagens de fora

 

Eu jamais ouviria. Atento

Meu ouvido escutaria

O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.

Porque é melhor sonhar tua rudeza

E sorver reconquista a cada noite

Pensando: amanhã sim, virá.

E o tempo de amanhã será riqueza:

A cada noite, eu Ariana, preparando

Aroma e corpo. E o verso a cada noite

Se fazendo de tua sábia ausência.

 

II

Porque tu sabes que é de poesia

Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,

Que a teu lado te amando,

Antes de ser mulher sou inteira poeta.

E que o teu corpo existe porque o meu

Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,

É que move o grande corpo teu

 

Ainda que tu me vejas extrema e suplicante

Quando amanhece e me dizes adeus.

 

III

A minha Casa é gurdiã do meu corpo

E protetora de todas minhas ardências.

E transmuta em palavra

Paixão e veemência

 

E minha boca se faz fonte de prata

Ainda que eu grite à Casa que só existo

Para sorver a água da tua boca.

 

A minha Casa, Dionísio, te lamenta

E manda que eu te pergunte assim de frente:

À uma mulher que canta ensolarada

E que é sonora, múltipla, argonauta

Por que recusas amor e permanência?

 

IV

Porque te amo

Deverias ao menos te deter

Um instante

 

Como as pessoas fazem

Quando vêem a petúnia

Ou a chuva de granizo.

 

Porque te amo

Deveria a teus olhos parecer

Uma outra Ariana

 

Não essa que te louva

 

A cada verso

Mas outra

 

Reverso de sua própria placidez

Escudo e crueldade a cada gesto.

 

Porque te amo, Dionísio,

é que me faço assim tão simultânea

Madura, adolescente

 

E porisso talvez

Te aborreças de mim.

(...)

[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]

[in Poesia: 1959-1979/ Hilda hilst. - São Paulo: Quíron; (Brasília): INL, 1980.]


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Dos poemas que eu gostaria de ter escrito... Voa Liberdade

Voa, voa minha liberdade
Entra se eu servir como morada
Deixa eu voar na sua altura
Agarrado na cintura
Da eterna namorada
Voa, feito um sonho desvairado
Desses que a gente sonha acordado
Voa, coração esvoaçante
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado
Voa, nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade essa ilusão
Voa, no estalo do meu grito
Quero ver teu infinito
Nesse azul sem dimensão
Voa, no estalo do meu grito
Quero ver teu infinito
Nesse azul sem dimensão
Voa, voa minha liberdade
Voa, coração esvoaçante
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado
Voa, nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade essa ilusão
Voa, no estalo do meu grito
Quero ver teu infinito
Nesse azul sem dimensão
Voa, no estalo do meu grito
Quero ver teu infinito
Nesse azul sem dimensão
Voa...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Da série: poemas que eu gostaria de ter escrito "Não é fácil"

Não quero imitar Deus ou coisa assim,
Só quero encontrar o que é melhor em mim.
Ser mais do que alguém que sai no jornal,
Mais do que um rosto no comercial
E não é fácil viver assim.
Se eu quiser chorar,
Não ter que fingir.
Sei que posso errar
E é humano se ferir.
Parece absurdo, mas tente aceitar
Que os heróis também podem sangrar.
Posso estar confuso, mas vou me lembrar
Que os heróis também podem sonhar.
E não é fácil viver assim.
Seja como for agora eu sei que o meu papel
Não é ser herói no céu, é na Terra que eu vou viver.
Eu não sei voar, isso é ilusão
Ninguém pode andar com os pés fora do chão!
Sou só mais alguém, querendo encontrar
A minha própria estrada pra trilhar
Apenas alguém, querendo encontrar
A minha própria forma de amar
....
Super-herói (Não é fácil) - Sandy e Junior

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Eu e minhas assimetrias... (1)

Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um ser inundado de sentimentos, pois metade de mim é o que ouço e a outra metade é o que calo.

Metade - Oswaldo Montenegro


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Da série: os poemas que eu gostaria de ter escrito... (3)

Bola de meia, bola de gude - Milton Nascimento
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Da série: os poemas que eu gostaria de ter escrito... (2)

Explicação:
Quem me conhece sabe que amo derramar sentimentos nas palavras que eu escrevo, que eu amo escrever e que eu amo a sensação que me dá após concluir um texto, seja crônica, poema ou artigo. Acontece que existem algumas grandes obras que dizem muito sobre mim e que, se eu pudesse, teria escrito da mesma forma porque se encaixa muito em minha vida.
Muitos sabem do meu saudosismo pela infância, então muitas composições remetem a esse tema.
A composição de hoje, pertence a Cazuza, o qual eu não morro de amores, mas tenho que admitir sua genialidade em muitas músicas e essa é uma delas. A música foi interpretada, magistralmente, por Ney Matogrosso e aí está:

Poema
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Da série: os poemas que eu gostaria de ter escrito... (1)

O Vento Frio da Infância - Oswaldo Montenegro

Pr'algumas pessoas o tempo tá no seu lugar
Pr'algumas pessoas é cedo
O vento da infância passou e não dá pra pegar
Os apaixonados têm medo
E o que ficou tão combinado não dá mais pra cumprir
Pr'alguns ainda é cedo
E o vento frio da infância ainda sopra nas estátuas
Pr'alguns ainda é cedo