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terça-feira, 13 de março de 2018

DEPRESSÃO

A depressão é um quarto escuro no qual só quem já esteve, sabe que não quer voltar.
A depressão é um quarto escuro que guarda monstros dentro do armário e embaixo da cama. Esses monstros só você vê, mas ninguém mais precisa, afinal você e só você é devorado por eles.
E porque só você é devorado por eles, você está só.
E eles comem tua alma, sugam tuas forças. Você se sente sufocado. Falta o ar.
Você está preso em correntes tão pesadas que não te deixam levantar.
As pessoas te olham e te dizem: reaja! Vamos, saia daí! Você não pode ser tão fraco.
As religiões te oprimem e te fazem sentir mais culpada. Deus não quer que você esteja do jeito que está.
Você está magoando sua família.
Você está magoando o próprio Deus!
Que ser tão desprezível é você!
Quando parecem se convencer de que algo não está normal, decidem ouvir uma opinião. Alguém que consiga ver tudo de fora. Este alguém te receita. Primeiro em via branca, depois azul. Uma via, duas, três ou quatro papéis.
A farmácia te vende.
Você engole. Calado.
Os dias passam e você para de chorar.
Os dias passam e você não reclama mais.
Os dias passam e você tem cada vez mais dificuldade de lembrar das coisas.
Os dias passam e você sequer sabe qual é o dia.
Os dias passam e você não sente mais nada.
Você não sente nada.
Você se torna um nada ocupado por imenso vazio.
Porque para se curar a depressão, para sair do quarto escuro, é necessário enganar o seu cérebro que você morreu. Que os monstros venceram e conseguiram te dominar.
E se você morreu, você não vai tentar suicídio. Nem vai conseguir.
E todos ao seu redor ficarão tranquilos.
Você está bem.

H.T.



#depressao #textoautoral #escritoresbrasileiros #quartoescuro #prisaopsiquica #freud #psiquiatria #psicanalise #textoscrueis #diganaoaoplagio

sexta-feira, 25 de março de 2016

SUICÍDIO

Durante esses 7 anos que escrevo, reuni um público de leitores interessados em meus textos.

O blog nunca foi segmentado. Muitos foram os textos sobre depressão, sobre suicídio, sobre angústia, sobre tristeza.

Sempre tive uma alma muito triste. Mais por sensibilidade que pela tristeza em si. Por essa capacidade apurada de perceber e sentir as coisas mais sutis do modo mais intenso que cabe a um ser humano.

De todos os julgamentos que me fazem, ninguém pode dizer que contenho sentimentos. Eu transbordo o que sinto. Talvez porque seja amante da verdade e acredite em sua sublimidade inalcançável em plenitude, eu insista tanto em rasgar no verbo tudo o que sinto. Toda verdade sem cerimônias e sem me preocupar com a dureza da palavra que a expressa.

Hoje, ainda guardo em mim um quê de tristeza. Agora, mais por empatia que pela tristeza em si. E acredite, eu não me importo em sofrer arranhões se em troca eu puder salvar alguém do precipício. Muitas vezes eu choro por pessoas que não conheço. Quase sempre eu sofro por uma dor que não sinto, mas sei que outro sente. Eu consigo sentir cada lágrima de quem chora desistindo da vida e procurando libertar-se da dor recorrendo ao suicídio.

Quero que se por acaso você se encontra em um estado semelhante, busque um motivo ou lembrança de algo que te deu alegria! O nascimento de uma criança, um passeio com seus pais, uma situação de quando você era criança, uma festa com seus amigos...
Pense em alguém que você ama sorrindo.

Pensou?

Se sim, eu tenho certeza que você sorriu. E quem sorri porque lembrou do sorriso de alguém, precisa continuar vivo para não matar essa lembrança. Precisa continuar vivo para ser o motivo do sorriso de alguém quando esse alguém lembrar de você.


O suicídio não mata somente a dor. O suicídio mata qualquer oportunidade que a vida te dá de ser feliz.

Viva!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

MAGRA SÓ DE CORPO

Oi.

Hoje tirei do papel o primeiro projeto para 2016.

Trata-se de um canal para compartilhar o processo que me fez engordar, emagrecer e estar hoje como estou. Também o que vou fazer parar chegar onde quero. O canal chama-se "Magra só de corpo" e tem esse nome justamente porque um dos problemas que enfrento, e muita gente também, é a dificuldade em se perceber magra. Isso pode gerar problemas seríssimos, inclusive anorexia.

É importante que todos sejam chamados a um processo racional sobre sua imagem para que se perceba realmente como é. As pessoas que têm essa consciência, conseguem de forma mais fácil não apenas salvar-se a si mesmas de transtornos como a anorexia, como ajudar outras pessoas a não desenvolver este problema!

Às pessoas que visitam meu blog, peço que ajudem divulgando o canal, se inscrevam nele e deem "like" nos vídeos. Compartilhem com amigos e conhecidos que estão se preparando para cirurgia bariátrica. Compartilhem com quem já perdeu muito peso e ainda assim acredita que é necessário emagrecer mais. Compartilhem com quem sofre de transtorno ou compulsão alimentar.

Faça com que este vídeo chegue a todos que precisam assistir.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

DAS MICROAGRESSÕES AOS CRIMES PASSIONAIS

Por: Hellen Taynan


O ciúme que você acha bonitinho no começo do relacionamento pode ser causa para sua morte mais à frente.

Há alguns dias ouvi de uma moça muito linda e jovem que se o cônjuge dela pensasse que ela o estava traindo, ele a trairia. Ora, a condição de vingança não é nem o ato, mas o pensamento de tal ato. A mesma moça me relatou como se achasse bonito o fato comum dela estar em um ambiente com algum parente e seu parceiro chegar sem avisar e passar um tempo a observando a ponto de saber o que ela consumiu naquele tempo, se levantou em algum mom

ento e com quem falou.
Esses episódios me fizeram lembrar de um artigo que lí a algum tempo sobre como são cometidos os crimes passionais.  A agressão máxima que tira a vida do ser que se julga amado, geralmente não vem como um impulso. As estatísticas mostram que não é do dia para noite que alguém que se convive lado a lado vai tirar sua vida. Antes, existe um quadro evolutivo e que proporciona essa atitude.
Aqui, não pretendo colocar a mulher como ser indefeso ou parte frágil, mas ela acaba se enquadrando como coitada quando está inserida em um relacionamento doente e mesmo com todos a sua volta avisando e ela mesma se percebendo em perigo, insiste em permanecer na relação. O discurso é sempre o mesmo e gira em torno do “eu não tenho forças”, “quem vai me sustentar?” ou, o pior, “eu preciso dele”.
Quanto a estas questões eu te digo que você tem mais força do que pensa, que pode se sustentar tanto quanto o seu companheiro consegue e que você definitivamente NÃO precisa dele para nada.
Os crimes que culminam com a morte de um dos envolvidos na relação, dão-se em estágio evolutivo. As brincadeiras de tapinhas no início do namoro evoluem para socos e ponta pés. Mas antes mesmo que se chegue a este nível, observe a evolução das micro agressões.
Primeiro as agressões começam verbais. São discussões que podem começar com diálogos aparentemente inofensivos, mas a voz se eleva cada vez mais e palavras cada vez mais baixas são proferidas. É essa a fase dos xingamentos e dos “pingos nos ís”. O problema é que quase nunca os pingos são colocados suficientemente e aí vem a segunda fase.
Na segunda fase, as agressões por xingamento não suprem mais e por mais que o rumo seja à exaustão, as palavras baixas vão se tornando insuficientes. Agora se têm as agressões psicológicas. Um agride o outro naquilo que lhe é mais sensível. A parte que detém o domínio na discussão manipula o outro e faz sentir sujo, culpado, diminuído... Nesta fase também cria-se no outro a falsa ideia de dependência. Você é convencida de que sozinha não é ninguém e que não vai conseguir e que precisa dele para estar bem, para se sentir segura, para se sustentar financeiramente. Assim, quando o domínio psicológico é concretizado, quando o outro é menosprezado e encontra-se nas mãos do agressor, as palavras não bastam e então vem a terceira fase.
A terceira fase é a agressão física. Após os xingamentos e o derrame de todas as palavras capazes de diminuir o outro ao último grau de um ser humano, ou até arrastá-lo para mais baixo que isso, as micro agressões evoluem à agressão física. Tapas, empurrões, ponta pés, socos e ameaças de morte. Chantagens e exigências de que as coisas sejam do jeito que ele quer. Ele passa a responsabilizar você de tudo. Logo, se você apanha é porque provocou e se acontecer algo com ele e ele for denunciado ou preso, você será culpada e ele fará você pagar por isso.
Enfim, a quarta e última fase é a consumação do crime. Todas as fases anteriores se esgotaram e nada mais supre o descarregar do ódio a não ser, tirar a vida do outro. Apesar dos crimes passionais serem movidos a picos de grandes emoções, os episódios não são impulsivos. São planejados e até avisados muito tempo antes de acontecer.
Crimes passionais, em sua maioria, são tragédias anunciadas. Em pleno século XXI, ainda é comum ouvir mulheres se queixando de machismo, quando na verdade elas próprias são machistas quando se sujeitam às micro agressões e defendem seu parceiro como podem das atrocidades que ele comete.

É muito triste sentir-se impotente diante de situações como essa. Por mais que se avise e que se mostre caminhos de fuga para a pessoa que é vítima das micro agressões, na maioria das vezes ela encontra-se numa teia, na qual, aquele que tenta livrá-la, em sua concepção, faz o mal e aquele agressor que a prende, quer sempre o melhor para ela.

Publicado em: Jornal de Caruaru

domingo, 25 de janeiro de 2015

SOBRE SUMIR PRA SEMPRE E MORRER UM POUQUINHO



Se eu pudesse caminhar agora pela praia e parar em um lugar muito muito muito escuro e esperar que do céu viesse um disco voador que me abduzisse para um planeta distante, fora do sistema solar, eu iria sem pensar. Nessas horas, faz falta uma dose de esquizofrenia. Porque, fosse eu esquizofrênica, estaria mesmo a essa hora esperando um óvni. 

Como gozo de boa saúde mental, sei que se eu fosse à praia agora, na melhor das hipóteses, o máximo que conseguiria era ser assaltada e estuprada. Na melhor das hipóteses, a título de fuga da realidade, eu conseguiria fácil alguma droga que talvez me levasse mesmo para outro planeta.

Assim, permaneço num vão dentro de mim mesma. Um vão que é ao mesmo tempo abismo e labirinto. Perdida. Querendo sumir para outro mundo pra sempre. Viver no outro mundo, sem memória, sem lembrança.

Um mundo que não é o mundo dos mortos. Eu não queria morrer pra sempre. Só um pouquinho. Porque quando se morre, não sente dor. A alma pode até sentir. Mas o que é a alma sem a consciência? A alma não tem terminação nervosa. A alma não secreta lágrima. Não sorri. Não sente frio ou calor.

Se a dor que conhecemos em consciência nos causa frio ou calor, sorriso ou lágrima, sangra, inflama e arde, eu aceito trocá-la por uma que não conheço. Uma que me tirasse a dor da lembrança e trocasse a memória pelo porvir.

Como não se pode decidir se o sofrimento deve ser do corpo ou da alma, eu morro um pouquinho. Hoje mesmo morri.  Mas morrer de pouquinho dói mais ainda, porque quando acaba volta a vida. Melhor mesmo é ir habitar em outro mundo.

Um mundo sem lembrança, sem memória, sem tempo, num espaço abstrato, onde as formas sejam fluidas e o bem-estar do hoje, mais importante que o ontem e o amanhã. Ou que o ontem nem exista.

Um mundo assim sem dor, sem história, sem passado, sem decisão difícil, sem flagelo, sem lágrima. Um mundo sem vida arraigada na superficialidade do que é matéria. 
Enquanto o mundo é apenas fantasia. O real é morrer aos poucos. Mais um dia, menos um dia. 

Todo dia a mais, subtrai um pouco do brilho dos olhos de quem ontem e hoje foi só sofrimento.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CID 10 - F31: NÃO EXISTE CERTEZA NA VIDA DE UM BIPOLAR

Eis alguns antagonismos:
"Um calor muito frio."
"Um bem que é mal."
"Uma escuridão clara."
"Um bipolar com certezas."

A metamorfose ambulante cantada por Raul, é apenas uma casca de como pensa um indivíduo que é bipolar. Não aqueles que sofrem de indecisão, fraqueza de personalidade, insegurança, baixa autoestima ou frescura. Mas um bipolar mesmo, desses que saem do consultório rotulado e de receitinha carimbada.

Pessoas que sofrem de Transtorno Bipolar, não deveriam nunca dizer sim ou não. A turma do talvez deve sempre ser idolatrada sob um fã clube presidido por ele próprio.
O que faz você quando se arrepende de uma escolha? Chora, maldiz o mundo, grita... Ou, se for maduro o suficiente, para, reflete, encontra-se consigo mesmo, ergue a cabeça e aceita que daqui pra frente vai agir diferente e aprender com seu erro.
O que um bipolar faz quando se arrepende de uma escolha? Isola-se, fere-se, flerta com a morte e às vezes casa com ela.

Um bipolar nunca aprende com seus erros e por isso os comete repetidas vezes durante sua vida.
Um bipolar não precisa de medicamentos. Ele não vai se curar com isso.
Medicamentos psiquiátricos apenas dopam. Tiram a pessoa da realidade. Bloqueiam algumas sinapses cerebrais para o bem-viver em sociedade. Mas, na verdade, querem o bem-viver DA sociedade, nunca o do doente. Aliás, não existe bem-viver em uma personalidade doente. Não existe nem vida.

F31 é um transtorno. É pior que metástase. Afinal, antes definhar padecendo de dores físicas e sabendo o seu fim a morrer emocionalmente. Apodrece por dentro, mas continua em pé.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O amor é contagioso e a tristeza também

Na semana em que Robin Williams deixou este mundo e, ao que indica, através de suicídio, o tema urge uma abordagem complementar. Nada mais propício que fazê-la na coluna de hoje. A depressão é o mal do século. Melhor abordando: a depressão é o mal do século?

A depressão que tira a vida de pessoas hoje é a mesma que tirou a vida de tantos outros do passado. Isso leva a crer que a depressão não é uma epidemia ou um novo mal. O homem sempre teve seus questionamentos acerca da vida, da existência e do sofrimento. Hoje, a facilidade em “suprir” ou melhor dizendo, em “suprimir” a dor está maior. As pessoas sucumbem ao sofrimento, se contaminam pelo mal que elas próprias querem mudar, mas não conseguem, ou em casos piores, lamentam a dor que passou de modo tão profundo e sofrem hoje porque sofreram no passado e não dá para ir no passado e evitar o que passou. Nos casos piores, elas abafam os sentimentos ruins, se fecham e se destroem lentamente.

Todo esse emaranhado de confusão psicológica explode numa desordem neuronal. Não existe um exame laboratorial para confirmar a depressão, mas sabe-se que há um déficit na produção de hormônios importantes para promover o bem-estar comum às pessoas. Antes de escrever a coluna de hoje, eu joguei no “google” indagações sobre a depressão  a fim de acompanhar as pesquisas científicas mais recentes no caso e sinceramente, não encontrei nada de novo que merecesse uma consideração.

As drogas continuam com o mesmo mecanismo de ação, as terapias pouco trazem de novo. Lí um pouco sobre a Terapia Dialética Comportamental, mas as publicações em Português ainda são incipientes e vou me aprofundar mais para falar com alguma propriedade. E hoje o que temos é uma humanidade embaixo de um diagnóstico de desequilíbrio emocional. O ápice é tamanho que em um site popular, você pode fazer “testes de depressão” e não importa o que você aponte, você sempre terá um nível de depressão. Eu fiz um teste desses agora a pouco... 18 questões e eu. Questões subjetivas e eu transbordando de calma, alegria e serenidade. Talvez nunca tenha estado tão sã e o resultado... DEPRESSÃO MODERADA!

Não obstante ao resultado, não critico o teste. Antes, acredito que só um louco não teria nenhum grau de depressão em uma sociedade como a nossa. O que acontece é que as pessoas evitam as emoções. Se as pessoas se preocupassem menos com a imagem que os outros vão ter delas e mais com sua realidade, elas se aceitariam melhor, aceitariam as tristezas e alegrias, insônias e dissabores e assim, os consultórios psiquiátricos estariam menos cheios.

Outro estigma que emerge com a depressão é a resistência. A resistência em assumir o problema, também está ligada a evitar emoções. Isso faz com que o ser humano busque fugas. Assim, têm-se as drogas ilícitas sempre presentes nos piores e melhores momentos. É muito compreensível que uma pessoa deprimida torne-se um dependente de drogas. A mente quer fugir da dor e os efeitos das drogas, oferecem essa fuga.

Os fins que os pacientes deprimidos dão hoje a sua tristeza contagia uma grande parcela de pessoas próximas a ele direta ou indiretamente. O amor, tão difundido e valorizado entre os familiares, amigos, fãs... As relações mesmo superficiais com o padeiro, o catador de lixo, o guarda de trânsito... Todas as relações são abaladas quando a depressão conduz a fins destrutivos.


Se você entendeu o trocadilho do título, vai entender o que estou falando. Porque será que quando me lembro do Robin Williams, só me aparece as cenas de suas caras e bocas, vozes e palhaçadas brincando com pacientes e levando alegria a quem não tinha mais esperança? Sabe aquelas pessoas que o amor contagia? Pois é... Muitas vezes, não é o amor. É a imagem que elas sustentam. Quando a imagem apaga, quando as cortinas se fecham e a solidão invade o camarim, o amor que contagia escorre com a maquiagem. A morte convidou, Robin Williams aceitou. Agora, só resta o luto. A dor dos que ficam. A incerteza de quem vai. A tristeza. E essa... Também contagia!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

03 anos de gastroplastia \o/

Oi.
Tem gente que prefere omitir que fez gastroplastia e graças a Deus, eu não me incluo nessa gente! Sou muito orgulhosa de mim mesma por ter enfrentado milhares de barreiras e derrubado dezenas de gigantes para hoje estar aqui contando vitória e comemorando três anos de cirurgia bariátrica.

De um modo simples:
07/02/11 - 104kg
07/02/14 - 70kg.

Não eliminei tudo o que eu queria, mas foi mais do que eu pensava. Hoje eu PRECISO eliminar 4kg e eu QUERO eliminar 10kg. Primeiro acho que porque o ser humano nunca se contenta com o que tem, né? E segundo porque eu MORRO de medo de engordar novamente. Paguei um preço alto para conseguir esse peso. Eu arrisquei minha vida por isso, eu perdi meu cabelo quase todo por isso, eu fiquei dependente de suplemento vitamínico daqui até a eternidade por isso, eu não tolero mais açúcar por isso... Enfim, eu fiz minha escolha e posso dizer que de quase todasque eu fiz na vida, essa sem dúvida eu tenho certeza que faria de novo!
07/02/2014 às 22:32 eu estava na UTI gritando e gemendo de dor! Foi a pior noite de minha vida e a mais longa com certeza. Quando subi pro apartamento, já estava tudo bem, mas o médico admitiu ter sido uma cirurgia difícil primeiro porque o meu fígado estava muito grande, muita gordura e logo se apresentou, fato esse que, uma vez o médico sendo inexperiente, poderia ter cometido um erro ali mesmo e eu ter morrido. Depois, tive um pico hipertensivo na mesa e houve mais preocupação. Eu não lembro nada disso rsrs. Sei que quem conduziu o médico foi um médico por excelência muito maior que ele, Jesus Cristo.
Agradeço todos os dias a Deus por estar como estou hoje. É como eu disse: não é o fato de ser mais bonita, mas sim que hoje o meu sorriso é mais feliz e isso não tem preço!

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A relação entre o ser humano e a comida

Por: Hellen Taynan

Olá caríssimos leitores,

Com a matéria de hoje, dou uma pausa nos transtornos emocionais e inicio uma “nova temporada” que vai tratar de um assunto muito interessante: a relação entre o ser humano e a comida. O cronograma de postagens vai abranger uma introdução sobre o assunto, ainda um pouco ligada à saúde mental, pois como vamos ver, desequilíbrios alimentares estão ligados a problemas e traumas que levam a um comportamento compulsivo; após essa introdução, pretendo abordar fatos sobre minha experiência expondo a vocês como eu saí dos 56kg para 105kg em poucos anos e o processo cirúrgico ao qual me submeti para eliminar 35kg e manter o peso há 3 anos! Fiquem atentos, pois este cronograma também vai abordar as dietas da moda e mostrar o que elas prometem e o que cumprem (ou se cumprem) na realidade.
Assim, convido vocês a passearem junto comigo, me conhecendo um pouco mais e aprendendo com minha experiência! Não deixe de expressar sua opinião, pois é muito importante para mim, saber como repercute na vida de vocês aquilo que eu escrevo aqui.
Transtornos Alimentares
transtorno alimentar
Qualquer comportamento alimentar que foge aos padrões da normalidade, seja pra mais ou pra menos, é designado como um transtorno, uma patologia que possui inclusive descrição no CID 10 e como toda doença, quando diagnosticada no início, tem ótimos prognósticos. As pesquisas iniciais mostravam que este tipo de transtorno estava presente, em quase totalidade, na vida de mulheres, geralmente na adolescência ou início da fase adulta; hoje temos um número cada vez maior de crianças e adultos de ambos os sexos desenvolvendo problemas com a alimentação. Esse comportamento inadequado provém geralmente de uma disfunção emocional e, não preciso repetir o quão pressionados somos hoje em dia por uma perfeição inatingível, uma postura exemplar e bem sucedida, o que acaba explodindo de alguma forma.
Quando se fala de transtorno alimentar, logo vem à mente anorexia x bulimia. A anorexia é uma preocupação excessiva e uma obsessão extrema pela eliminação de massa. Geralmente os anoréxicos combinam gastos calóricos absurdos através de atividades físicas e ingerem cada vez menos alimentos; por mais magros que estejam, não conseguem se ver assim e continuam buscando emagrecer cada vez mais, não sendo raro a combinação de laxantes e diuréticos para eliminar qualquer resíduo que o corpo produza. O resultado disso é a desidratação, desnutrição e morte. Karen Carpenter, vocalista do grupo The Carpenters, foi vítima fatal da anorexia em 1983 e tantos outros anônimos morrem a cada dia da mesma forma porque não têm conhecimento, apoio e ajuda de profissionais e familiares.
Na bulimia, temos um comportamento semelhante na obsessão pela perda de peso, porém é uma resposta à uma ação: aqui se processa o Transtorno obsessivo-compulsivo onde o indivíduo tem um comportamento compulsivo diante da comida, ingerindo uma quantidade além do convencional e após reconhecer o “desvio”, tenta corrigir ao seu modo, forçando vômito em 90% dos casos ou fazendo uso de laxantes, cafeína, cocaína e/ou dietas excessivamente restritivas.
Um indivíduo pode desenvolver um transtorno alimentar ainda enquanto bebê. Foi o que aconteceu comigo, por exemplo. Mas, teria um bebê razões de estresse ou grandes disfunções emocionais a ponto de desenvolver um transtorno dessa magnitude? Bom, precisamos entender que os acontecimentos do meio para o interior, são, na maioria dos casos, os principais responsáveis, mas não são os únicos. A genética, sempre ela, também atua nesta questão. Uma mãe com comportamentos compulsivos, tender a ter filhos compulsivos; diabetes gestacional também influencia essa disfunção.
Minha experiência: o início
Minha mãe conta que desde bebê, eu sofria de disfunção alimentar. Eu chorava por comida, comia, chorava mais, comia mais e assim eu ia até regurgitar, pois não cabia mais nada em meu estômago, mesmo assim eu comia e comia e comia… Então eu fui crescendo (e comendo) e sempre tive tendência a engordar. Fui uma criança gordinha e entrei na adolescência sofrendo bullying (que há 15 anos não se falava). Nunca gostei de esportes coletivos e para completar, sempre tive o humor depressivo, uma sensibilidade à flor da pele e constantes variações de humor. Mas eu dançava! E dos 15 aos 18 anos, estava no auge de fazer tudo o que eu mais gostava: eu dançava, fazia teatro, estudava música, dirigia grupos artísticos em Caruaru e pesava 56kg em 1,62m. Então, sem me ater aos fatos, eu comecei a engordar e foi um efeito cascata de modo que a expressão montou-se da seguinte forma: a depressão disparou o gatilho da compulsão e eu comia compulsivamente, engordava rapidamente, tinha mais depressão e parava com as atividades que me davam prazer e cada vez mais só encontrava prazer na comida, muita comida que terminava com o vômito por excesso. 56, 60, 70, 80, 90, 100… 105kg! Todo esse peso e eu me sentindo muito mal; autoestima já não existia e prazer mesmo, só em comer; fisicamente, já sentia o peso (literalmente) de minha forma física e meus joelhos doíam, não conseguia mais pisar firme no chão, pois meu calcanhar doía, costas doíam… Era como se eu já não suportasse meu próprio corpo. Alguns problemas como intolerância à glicose (início de diabetes tipo 2), esteatose hepática acentuadíssima (gordura no fígado), colesterol gritando alto, paradas respiratórias durante o sono, ronco, sudorese em excesso, preconceito, tristeza constante e raiva de mim mesma acompanhavam minha vida. A comida dava prazer, mas ao mesmo tempo servia de autopunição e eu sei que muitos enfrentam problemas semelhantes.
As dietas que tentei neste período e como consegui pôr fim à obesidade irei detalhar nas próximas matérias.

Saiba mais:
Além da bulimia, anorexia e transtorno compulsivo por alimentos, existe uma série de outros distúrbios alimentares além de mais 1/3 de disfunções não identificadas. As que conhecemos hoje são :

Hipergafia – aumento do consumo de alimentos em decorrência de um trauma.
Ortorexia – comum em países desenvolvidos, consiste na obsessão por alimentos saudáveis, excluindo outros indispensáveis.
Pica – comum em grávidas e crianças que obedecem ao impulso de comer o que dá vontade, independente dos seus danos.
Sindrome de Prader-Willi – distúrbio genético e incurável ligado à necessidade involuntária de comer constantemente. Alguns antidepressivos têm reduzido os efeitos dos danos.
Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) – compulsão por comer característica da bulimia, porém sem o uso de métodos extremos de perda de peso. Afeta cerca de 30% dos obesos.
Transtorno de ruminação - frequente em crianças pequenas, caracteriza-se pela regurgitação ou remastigação repetida que não podem ser explicados por nenhuma condição médica.
Vigorexia - obsessão por um corpo musculoso e atraente, quase sempre em homens. Envolve um treinamento muscular obsessivo e alimentação voltada para a manutenção desse corpo com uso frequente de anabolizantes.

Dicas:
Cuide-se hoje porque prevenir sempre foi mais simples que tratar. Se você sofre de algum distúrbio e não consegue lutar sozinho, saiba que o acompanhamento para tratar de disfunções alimentares é multidisciplinar e envolve médico, nutricionista e psicólogo. Eu estou disposta a conversar com você e tirar suas dúvidas ou dar uma orientação, baseada em minhas experiências, sobre o melhor caminho a ser seguido. Felizmente hoje, problemas como estes estão sendo mais valorizados e muitos profissionais estão buscando especializar-se no apoio a pessoas que sofrem destes transtornos. No mais, lembre-se que tudo precisa ser dosado, pois até mesmo a perseguição por hábitos de vida saudáveis, podem se tornar doentios. O equilíbrio entre o que dá prazer e o que é saudável sempre será a melhor alternativa.

Disponível em: Jornal Caruaru

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O que os Suicidas Desejam Matar?

Caros leitores, eu acredito que espero mais ansiosa que vocês pelas quartas-feiras, para nos encontrarmos e eu ter o rico privilégio de ler os comentários que vocês fazem. Cada crítica e cada elogio me fazem desejar apresentar sempre o melhor a vocês. Semana passada, falei um pouco sobre a depressão e hoje quero tratar do ponto máximo que a doença mental pode levar o indivíduo, o suicídio.
A palavra “suicídio” pode soar muito pesada, principalmente quando pensamos nas consequências do seu significado. Alguns consideram covardia, outros, coragem, mas poucos conseguem refletir sobre o real motivo que leva algumas pessoas a pensar ou mesmo cometer tal ato. E o que você tem a ver com isso? O suicídio é uma das primeiras causas de morte de jovens no Brasil; dados recentes mostram que 26 brasileiros cometem suicídio por dia, mas ninguém quer falar sobre esse assunto. Na obra de Bertolote “O Suicídio e sua Prevenção” (Ed. Unesp), observamos a terrível estatística que mostra que o aumento proporcional na taxa de suicídio no Brasil nos últimos 25 anos é maior do que o crescimento da média populacional.
O que eu observo quando acompanho jovens que pensam em suicídio revela que 90% deles padecem de uma dor muito profunda e não veem saída. Quando eu pergunto por que eles querem morrer, respondem que não tem nenhuma solução, que todas as tentativas de ser feliz se esgotaram e que não existe mais esperança. Então eu pergunto se caso houvesse uma resposta e um antídoto para matar a dor, ele gostaria de continuar vivendo e é quase unânime ouvir um sim. Logo é fácil concluir que quem comete suicídio, não quer deixar de viver e sim, deixar de sofrer. Querem matar a dor, não o ser.
Por constatar essa realidade, a OMS estimula países onde a taxa de suicídio é alta, a realizarem campanhas de prevenção ao suicídio. Na verdade o tema ainda hoje é tabu até mesmo para profissionais de saúde que evitam utilizar este termo, usando eufemismos desnecessários para referir-se à dura realidade.
Ser feliz está na moda. As redes sociais e os anúncios de televisão estão repletos de felicidade e isso não é errado. O erro está em estabelecer um padrão de felicidade que por vezes está fora da realidade. Parece que hoje todo mundo tem a obrigação de estar sempre bem, sempre sorrindo, sempre feliz, sempre segurando uma máscara para agradar a sociedade enquanto por dentro há um conflito terrível entre dois gigantes lutando para vencer e, infelizmente, no caso dos suicidas, vence o gigante do mal.
Sugiro a você que você alimente o gigante do bem que está dentro de você dos que estão à sua volta. Você pode ser um agente de prevenção ao suicídio e colaborar para que as pessoas consigam vislumbrar as respostas que precisam para erguer a cabeça e entender que não é o fim. Afinal, como diria o poeta “o único fim da esperança, é a morte”, pelo menos nesse mundo.
Como posso ser um agente de prevenção ao suicídio? Meus queridos, muito mais do que substâncias que retardam a atividade cerebral tratando das diversas enfermidades emocionais, a conversa ainda é o melhor tratamento para pacientes nestas condições e esta constatação não é minha, é da ciência! A maior parte das pessoas que cometem suicídio é composta de pessoas solitárias, introspectivas, de poucos amigos, tímidas, discriminadas nos grupos por características “diferentes”. O que converge para o mesmo ponto é: todas precisavam ser ouvidas. Por esta razão, não é raro encontrar longas cartas de despedidas onde a pessoa antes de morrer, escreve tudo o que gostaria que alguém a tivesse ouvido falar.

Você não precisa de um diploma para dedicar parte do seu tempo a ouvir alguém que lhe parece triste, que se isola dos demais ou que está enfrentando algum trauma físico ou emocional. Um dos maiores problemas do mundo moderno é que muitos querem falar, mas poucos querem ouvir. É preciso saber calar diante da dor do outro e deixar que o coração dele fale. E quando as palavras não puderem sair, fale com seus olhos e escute com o coração. Abrace a pessoa longamente e sinta a alma dela de modo que através de seu abraço você consiga ser um instrumento de paz que ela precisa tocar naquele momento.

Publicado em: Jornal de Caruaru

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Quem diria, Lady Gaga dando lição de moral em muita gente que se diz cristã, mas passou longe da Bíblia

Na madrugada dessa sexta-feira, Lady Gaga surpreendeu milhares de fãs e deu uma lição de amor em muita gente que deveria ter o amor em primeiro lugar em seu coração.
A pop star interviu diretamente na decisão de um fã que escreveu uma carta de suicídio e estava prestes a cometer o ato. Pelo que pude perceber o rapaz tem problemas em sua vida, como todos temos, mas o que mais pesa em sua existência é o (des)tratamento de sua própria mãe, evangélica (?) que de acordo com suas palavras o condena ao inferno todos os dias.
Eis a carta do jovem:


"Então...Adeus

Eu não sei se posso continuar. Eu tento ser extrovertido, amigável e sorridente, mas não consigo. Passar pelo o que eu passo, ouvir o que eu ouço não é bom e eu não desejaria isso nem ao meu pior inimigo.

Os últimos dois anos da minha vida têm sido um verdadeiro inferno. Desde que eu me assumi para a minha mãe, ela vem dizendo coisas horríveis para mim.

Sou chamado de drogado, prostituto, sujo, promíscuo, demoníaco e sou condenado ao inferno todos os dias... Pela pessoas que mais amo na minha vida!

Minha família inteira me aceitou, mas minha mãe evangélica e extremamente religiosa não aceitou. Ela esfrega a bíblia na minha cara sempre que pode e isso faz com que eu me sinta mal.

Eu não sei se aguentarei muito mais tempo. Realmente não sei. Eu já realizei muitos de meus sonhos. Eu não vou partir completamente feliz, mas sei que partirei com a lembrança da Gaga cantando meu nome durante a performance de Alejandro na Born this way ball no Rio de Janeiro.

Monsters, talvez esse seja meu último post aqui, então... adeus!

Eu amo todos vocês e te amo muito, Gaga!”.


A "diva" respondeu com a seguinte mensagem:


A tradução diz: “Não, não, não. Não se atreva. Olhe para esse rosto lindo. E toda tristeza tem a capacidade de mudar. Mas você precisa trabalhar para isso. Converse com aqueles que te apoiam e fique conosco neste site. Nós PRECISAMOS DE VOCÊ. Eu preciso de você. Sem você eu perderia uma parte do meu coração. Eu te amo monster, outras pessoas às vezes são incapazes de ter compaixão. Não se sinta mal, sinta-se mal por eles”.

E agora? Alguém pode dizer a esta mãe que ela está anos-luz do cristianismo? Essa é a melhor forma de levar a Palavra de Deus a alguém? O mundo está mesmo ao contrário e só quem é temente a Deus pode perceber com sensibilidade e vontade de mudar e ser realmente o sal dessa Terra e a luz desse mundo. Oremos!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Depressão, o câncer da alma

Por: Hellen Taynan

O sofrimento não depende de você, mas o espaço que ele vai ocupar em sua vida, sim. No mundo, existe mais de 7 bilhões de pessoas e todas passam, passaram ou passarão alguma dificuldade na vida. Os problemas vêm para nos fazer crescer, vêm para nos ensinar algo e mesmo quando pensamos que não tem propósito nenhum passar por determinada situação, mais a frente veremos que foi necessário.
Quando verificamos as mudanças que ocorrem no reino animal, percebemos que nenhuma delas vem sem dores e sofrimentos. Como exemplo, temos a ostra que para produzir a pérola, precisa ser ferida e invadida por parasitas e após lutar contra eles, vai produzindo uma “verruga” que vai crescendo até termos a linda e preciosa pérola. A pérola é uma ferida cicatrizada e não existe cicatriz sem quem antes haja uma dor. Quantas pérolas você já produziu?
A superação de um acidente, uma enfermidade, a perda de um ente querido, um não quando você apostou tudo o que tinha em um sim... Todas estas coisas servem para nos lapidar e nos fazer olhar para a vida de outra maneira.
Eu venci um câncer! Eu tive depressão e a depressão é o câncer da alma. Esse é o mais arrasador de todos, pois enquanto nos outros tipos de câncer o paciente luta pela vida, na depressão o paciente só deseja a morte e não vislumbra uma saída para o sofrimento que o aflige. Eu lutei contra a depressão por quase 10 anos. Experimentei várias drogas receitadas por “n” psiquiatras até encontrar a medicação correta porque o que serve para uns, não faz o mesmo efeito para outros.
Hoje, curada desta enfermidade, decidi tentar impedir de alguma forma que as pessoas cheguem ao estado que eu cheguei. Eu estudei, me formei em psicanálise, estou sempre lendo livros sobre o assunto, escrevendo e pensando sobre isso. Estou disposta a ajudar, pois aprendi que na vida só fazemos a diferença se pudermos servir de alguma forma às pessoas.
O processo de cura da depressão envolve tempo e amor dos que estão ao seu lado. A maioria das pessoas que vencem esta enfermidade encontra em Deus a resposta para a vida. Eu sei que acima de medicamentos e visitas a médicos, a fé que descobri dentro de mim foi fundamental para que eu encontrasse a cura.
Esteja atento para os sintomas iniciais da depressão! Às vezes, o estresse do dia a dia, a privação de sono, maus hábitos alimentares ou uma frustração aparentemente pequena, pode ser o disparador da doença. Eu me coloco à disposição para conversar com você que precisa de alguma ajuda. Muitas vezes uma palavra certa é tudo o que precisamos para erguer a cabeça e seguir em frente antes que a doença se instale em nosso corpo.
A dica que dou é: ame! Se você conhece alguém que está sofrendo de depressão, ame-o. Mas ame-o muito, mais do que suas forças permitem, pois o amor e o carinho são protagonistas da cura desta doença. Converse, gaste tempo ao lado dessa pessoa! Muitas vezes o paciente com depressão tem a necessidade de ser ouvido por alguém que não critique seu sofrimento, apenas escute e dê uma palavra de força. Esqueça frases do tipo “ah, comigo foi pior e eu não fiquei assim”... Ou ainda “você tem que sair de casa, ver gente, reaja!” Substitua estes jargões por “eu vejo a sua dor e não tenho noção do tamanho que ela ocupa em sua vida, mas estou aqui para te ajudar”. Entenda que a pessoa está doente e como tal, ela não escolheu ficar assim, então pare de exigir que a pessoa reaja, acorde pra vida e esteja junto de pessoas que muitas vezes nem entendem o sofrimento dela. Antes, leve-a a um lugar calmo, mostre a ela como a vida torna as coisas mais simples mais bonitas... Um nascer do sol, o perfume de uma flor, o controle do movimento das águas do mar que atingem seu limite e voltam e o canto dos pássaros.
Desta forma, você terá encontrado uma maneira de produzir pérolas dentro de si mesmo e ainda ajudar que outras pessoas produzam suas pérolas vencendo as dores dessa vida.

Esse foi o 2º texto de nossa coluna. A proposta é que neste mês de janeiro tratemos de assuntos relacionados à saúde mental. A cada mês, abordarei um tema e você pode sugerir sobre o que gostaria de ler. Obrigada e até quarta!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança

Por: Wagner Brenner

Gabriel é um menino esperto.
Cresceu ouvindo isso.
Andou, leu e escreveu cedo.
Vai bem nos esportes.
É popular na escola e as provas confirmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.
“Esse menino é inteligente demais”, repetem orgulhosos os pais, parentes e professores. “Tudo é fácil pra esse malandrinho”.
Porém, ao contrário do que poderíamos esperar, essa consciência da própria inteligência não tem ajudado muito o Gabriel nas lições de casa.
- “Ah, eu não sou bom para soletrar, vou fazer o próximo exercício”.

Rapidamente Gabriel está aprendendo a dividir o mundo em coisas em que ele é bom, e coisas em que ele não é bom.
gabriel3
A estratégia (esperta, obviamente) é a base do comportamento humano: buscar prazer e evitar a dor. No caso, evitar e desmerecer as tarefas em que não é um sucesso e colocar toda a energia naquelas que já domina com facilidade.
Mas, como infelizmente a lição de casa precisa ser feita por inteiro, inclusive a soletração, de repente a auto-estima do pequeno Gabriel faz um… crack.

Acreditar cegamente na sua inteligência à prova de balas, provocou um efeito colateral inesperado: uma desconfiança de suas reais habilidades.

Inconscientemente ele se assusta com a possibilidade de ser uma fraude, e para protegê-lo dessa conclusão precipitada, seu cérebro cria uma medida evasiva de emergência: coloca o rótulo dourado no colo, subestima a importância do esforço e superestima a necessidade de ajuda dos pais.
A imagem do “Gabriel que faz tudo com facilidade” , a do “Gabriel inteligente” (misturada com carinho), precisa ser protegida de qualquer maneira.
Gabriel não está sozinho. São muitos os prodígios, vítimas de suas próprias habilidades de infância e dos bem intencionados e sinceros elogios dos adultos.
Nos últimos 10 anos foram publicados diversos estudos sobre os efeitos de elogios em crianças.
Um teste, realizado nos Estados Unidos com mais de 400 crianças da quinta série (Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success), desafiava meninos e meninas a fazer um quebra-cabeças, relativamente fácil.
Quando acabavam, alguns eram elogiados pela sua inteligência (“você foi bem esperto, hein!) e outros, pelo seu esforço (“puxa, você se empenhou pra valer hein!”).
Em uma segunda rodada, mais difícil, os alunos podiam escolher entre um novo desafio semelhante ou diferente.
A maioria dos que foram elogiados como “inteligentes” escolheu o desafio semelhante.
A maioria dos que foram elogiados como “esforçados” escolheu o desafio diferente.
Influenciados por apenas UMA frase.

O diagrama abaixo mostra bem as diferenças de mentalidade e o que pode acontecer na vida adulta.
graf
O Malcom Gladwell tem um ótimo livro sobre a superestimação do talento, chamado “Fora de Série” (“outliers”). Lá aprendi sobre a lei das 10 mil horas, tempo necessário para se ficar bom em alguma coisa e que já ensinei pro meu filho.
Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga que ele é inteligente. Diga que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.
Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa.
UPDATE : Apenas alguns esclarecimentos a alguns dos comentários…
01. Não, eu não estou dizendo para não elogiar as crianças. E não, também não estou dizendo para você nunca dizer para o seu filho que ele é inteligente. É apenas uma questão de evitar o RÓTULO.

02. Evidentemente não sou o autor dessa tese/teoria, muito menos desse estudo citado no post. Escrevi justamente SOBRE essa linha de pensamento. Quem escreveu essa teoria foi Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success(http://news.stanford.edu/news/2007/february7/dweck-020707.html) como foi citado acima e nos comentários também.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Para começar bem, evite a ansiedade

Para quem ainda não sabe, agora sou colunista do Jornal de Caruaru e todas as quartas publico um texto sobre algo relacionado ao bem-estar. Para quem não conferiu o primeiro post, atualizo aqui no blog.
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Saudações de um ano novo cheio de boas promessas e melhores desejos renovados a todos que me leem! A partir de hoje, temos um encontro marcado, todas as quartas, aqui no Jornal de Caruaru. Onde falarei sobre tudo o que diz respeito ao nosso “Bem-Estar.”
Hellen Taynan
Hellen Taynan
O ano está novinho e oferecendo um novo livro repleto de páginas em branco para você escrever a sua história da melhor forma possível e isso só depende de você. Problemas existirão em muitos momentos, mas o significado deles em sua vida terá o espaço determinado por você mesmo.
Dia 01 de janeiro é marcado por planos e projetos que geram expectativas e expectativas geram ansiedade. Todos nós somos ansiosos? Em geral, sim. A ansiedade é um traço que além de psicológico, faz parte da característica biológica do ser humano. Fica-se ansioso naturalmente aquele que espera a chegada de alguém querido, o resultado de um concurso ou em momentos que antecedem situações novas que remetem ou não a perigo (medo, nervosismo, desejos, etc). O cuidado que devemos ter está em evitar que a ansiedade enquanto processo natural ocupe o lugar de nossa vida e passemos a viver em torno de uma expectativa, medo ou nervosismo. Quando isso acontece, temos um transtorno de ansiedade, um processo patológico onde os sentimentos em volta do que poderá ocorrer dominam todo o tempo impedindo o indivíduo de realizar suas atividades normais, podendo desencadear outras patologias que, em casos extremos, podem incapacita-lo permanentemente.
Os sintomas dos transtornos de ansiedade em pouco tempo são percebidos pelas pessoas ao seu redor, estes sintomas denotam, dentre outros, os tão falados transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) e síndrome do pânico. Em graus elevados, diante de uma crise de pânico, por exemplo, um surto psicótico fica iminente e suas consequências podem ser devastadoras e até irreversíveis em alguns casos.
Os tratamentos para os transtornos de ansiedade agrupam sessões de psicoterapia e visitas regulares a um psiquiatra que vai recomendar o uso de alguma substância capaz de controlar os desequilíbrios. Hoje, a indústria farmacêutica dispõe de antidepressivos e ansiolíticos muito modernos e eficazes. Os efeitos colaterais tão temidos por esta classe de medicamentos estão sendo cada vez mais minimizados de forma que a beneficência é obtida até mesmo a partir da primeira semana de uso. O inconveniente neste tipo de tratamento é o tempo prolongado que ele dura.
Transtornos mentais não são como um resfriado ou uma infecção corriqueira. O tratamento deve ter hora para começar, mas não se pode abandoná-lo ao primeiro sinal de melhora. É necessário um acompanhamento multiprofissional e muita disciplina acima de tudo. Os medicamentos atuam inibindo as sensações de medo extremo ou nervosismo e é comum que após algumas semanas, muitos indivíduos se considerem curados e abandonem o tratamento; não tarda muito, os sintomas voltam, em geral com maior intensidade. Outra problemática ligada ao fato tempo reside na dificuldade em diagnosticar uma patologia mental, pois os sintomas são muito parecidos e as linhas tênues entre um e outro diagnóstico. Mais um motivo para persistir no tratamento e nas visitas ao psiquiatra. Em geral hoje, os profissionais da área de saúde e equilíbrio mental preocupam-se muito mais em tratar os sintomas em detrimento de buscar rotulações, muitas vezes determinísticas e errôneas. A máxima “de perto, ninguém é normal”; nunca fez tanto sentido na vida das pessoas como hoje. Estresses no trânsito, trabalho, faculdade, problemas familiares, TPM e diversas pressões por escolhas e decisões urgentes e corretas contribuem para um desequilíbrio em algum momento da vida é necessário persistir em autoconhecer-se para identificar quando as adversidades saem do padrão natural e tornam-se prejudiciais à boa convivência.
Se você está passando por momentos de tensão e teme que isso evolua para uma patologia, existem métodos naturais de alimentar sua saúde emocional e preservá-la. Meditar, elevar o pensamento a Deus em oração, exercitar a respiração, ler bons livros e ouvir músicas de boa qualidade são meios de evitar o estresse que leva à ansiedade. Em Caruaru, é possível encontrar parques arborizados, com paisagens tranquilas, propícios à higiene mental. Experimente alimentar sua alma de bons costumes e o autocontrole irá manter sua mente sã.
Até quarta!
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Hellen Taynan: É Bacharel em Administração pela UFPE, pós-graduada em Administração e Marketing pelo Grupo Uninter. Psicanalista formada pelo Instituto Internacional de Psicoterapia e atualmente, graduanda de nutrição na UFPB. Escreve, às quartas, a Coluna Bem-Estar, no Jornal de Caruaru. Sugestões e pautas: hellentaynan@gmail.com

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O contrário do amor



O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.


O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.



Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.



Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.



Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Por que que a gente é assim?

Oi.
Estava eu hoje no 5º módulo do curso de psicanálise, estudando Ferenczi e pensando em suas ideias e relações entre a mãe e a criança desde o período de gestação à infância. E aí, também motivada por minha recente leitura "O que as lembranças da infância revelam sobre você", me peguei a pensar em minha infância.
Não me refiro àquela infância dos 5 aos 10 anos, mas àquela de quando eu tinha menos de 1 ano. Meses. É. Eu lembro. E os pensamentos-chave que me remetem à memória estão relacionados diretamente ao abandono. Não digo o abandono proposital, por maldade, mas aqueles "necessários"; ora, minha mãe precisava trabalhar, meu pai precisava viajar/trabalhar. Eles também iam à feira. E eu? Ficava com alguém da mais inteira confiança deles ou não.
Quando eu estava com 9 ou 10 meses, lembro de minha mãe ter me deixado numa sala, num colchonete, dormindo. Algum tempo depois eu acordei e entrei em desespero alí sozinha. Lembro que após chorar copiosamente, uma mulher entrou na sala e me pegou no colo, mas eu queria mesmo era minha mãe... Sinceramente, não lembro em quais condições eu retornei aos braços de minha mãe, mas o desespero que passei com a ausência dela, eu nunca esqueci.
Ainda com pouco menos de 1 ano de idade (ou um pouco mais), lembro de uma tarde sábado? em que meus pais saíram para ir à feira e me deixaram com minha tia. O desespero também imperou.
Agora lembro-me quando eu tinha 4 anos. Era noite e morávamos por trás de um campo de futebol. nesta época, meu pai gostava de tomar uma cervejinha e especialmente nesta época de minha vida, eu sentia MUITO medo. Medo de TUDO. Então, nesta noite, estava tendo jogo e eu podia sentir a casa tremer com a agitação do estádio lotado. Minha irmã, com poucos meses de vida, dormia e minha mãe teve que sair para encontrar meu pai que estava num barzinho. Como você já pode prever, caí no desespero profundo, porque eu ia ficar em casa, sozinha, à noite, quando o estádio fazia minha casa tremer. Minha mãe ainda hesitou em me deixar, mas me responsabilizou pela demora do meu pai e então eu fui convencida a deixá-la ir.
Sabe, eu acredito que o medo embaça a visão e os ouvidos e aí você acaba vendo e ouvindo o que não existe, mas você percebe.
Esses fatos são isolados. Essas lembranças, nem de longe compensam as boas lembranças de minha feliz infância que vivo até hoje. Na verdade, grande parte do meu desespero deve-se ao fato da minha ligação afetiva com meus pais ser muito intensa. Não sei viver sem eles e quando me despeço deles, é como se eu estivesse arrancando um órgão de dentro de mim.
Hoje, meu pai não aprecia mais a cervejinha (para a Glória de Deus) e, às vezes eu até gosto de ficar um pouco sozinha. Mas essa não é a tônica do post; gostaria de focar o afeto x a despedida.
Na data de hoje, após 5 módulos da psicanálise, despertei o pensamento para os simples "tchaus" que dei na vida aos meus amigos e ex-namorados. Eu não precisava amar loucamente para chorar numa simples despedida. Eu amei uma única vez e sinceramente, não esqueço o último tchau que troquei com esse ex. E sei que eu levei quase 10 anos para superar esta despedida. Durante este tempo, toda e qualquer despedida me fazia/faz chorar. Não necessariamente pelo amor desmedido, mas pura e simplesmente pelo fato de ir embora. E hoje?
Hoje eu redescobri o amor. Eu reaprendi a amar. Eu amo o meu marido e acredito que ele me ama o suficiente para nunca se despedir. aprendi, após quase 1 década, a dedicar amor e me doar inteiramente, só que dessa vez com uma diferença: ele merece o meu amor e minha dedicação.
Então é isso. Começo a acreditar, de verdade, que o que somos hoje, tem raízes profundas na nossa infância. Hoje eu amo, mas ainda tenho medo. Medo de despedidas, medo de perder... Medo. Mas acima disso, eu amo. Eu sou amor e amo mais do que temo.
Com amor essencialmente,
Hellen Taynan

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

SUS reduz de 18 para 16 anos a idade mínima para realização da cirurgia bariátrica


Com base em uma consulta pública lançada pelo Ministério da Saúde em 24 de setembro, o Sistema Único de Saúde (SUS) passará a adotar novas regras para a realização da cirurgia bariátrica. Uma delas é a diminuição da idade mínima para se submeter ao procedimento, que passa de 18 para 16 anos. Outra é a mudança da técnica cirúrgica a ser aplicada no atendimento público. Além disso, novos exames passarão a ser obrigatórios.
As alterações farão parte de uma nova portaria, a ser anunciada nos próximos dias e com previsão de entrar em vigor em 2013. Especialistas afirmam que as iniciativas são positivas, mas não garantem a resolução de um dos maiores problemas: a espera por uma cirurgia do SUS pode levar até dez anos.
Para o cirurgião Ricardo Cohen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), outras mudanças também deveriam ser consideradas. “É importante incluir os adolescentes, porém já existe um gargalo grave para a cirurgia em adultos. O problema é como o SUS vai resolver isso”, diz.
A endocrinologista Rosana Radominski, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso) e parceira do Instituto Movere, que trata da obesidade infanto-juvenil, afirma que a inclusão dos jovens de 16 a 18 anos trará impacto positivo. “O adolescente com 16 anos já amadureceu e dois anos, nessa fase, é um tempo muito grande. Eles vão ganhar muito com a possibilidade de fazer a cirurgia mais cedo.”
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a decisão de reduzir a idade está de acordo com recomendações internacionais e atende a uma reivindicação do Conselho Federal de Medicina. “Estudos mostram que o tratamento precoce da obesidade grave pode evitar a ocorrência de uma série de problemas correlatos, como problemas cardiovasculares.”
De acordo com a portaria, cinco novos exames passam a ser obrigatórios antes da operação, entre eles a ultrassonografia de abdome total, a ecocardiografia transtorácica e a prova de função pulmonar completa com broncodilatador.
Segundo o cirurgião Irineu Rasera, titular da SBCBM, a decisão de incluí-los é acertada, desde que a aplicação desses exames não seja obrigatória. “Muitos pacientes precisam desses exames e não os encontram na rede pública. Se a decisão for que os exames estarão disponíveis, vai ser positivo. Mas tornar obrigatória a realização de todos esses exames pode engessar o sistema.”
Com a nova portaria, a técnica cirúrgica adotada pelo SUS passará a ser a gastroplastia vertical em manga, no lugar da ultrapassada gastrectomia vertical em banda. Para Cohen, trata-se de uma adequação da portaria ao que já é praticado nos centros cirúrgicos. “Essa cirurgia já não é feita desde o começo dos anos 1990, pois está associada a reincidência de ganho de peso.”
Plástica
O pacote traz a oferta de mais uma cirurgia plástica indicada para quem perdeu peso. Hoje, é possível fazer a correção do abdome. A técnica que o SUS passará a oferecer inclui reparação na área dorsal.
O ministério deve começar a pagar uma equipe multidisciplinar, encarregada do tratamento. “Muitos serviços já ofertam esse tipo de assistência. Mas eles não recebiam pelo atendimento, algo que agora vai mudar”, disse Padilha.
A nova política muda os critérios para credenciamento de hospitais. Além de infraestrutura mínima, a instituição terá de formar uma rede com um centro de atenção básica e outro de média complexidade.
As mudanças incluem reajuste de 20% do valor pago pelas cirurgias. Outras reivindicações da SBCBM que ainda não foram atendidas incluem a existência de um cadastro unificado de postulantes ao procedimento, a adoção da laparoscopia e a existência de uma política que priorize os pacientes diabéticos (mais informações nesta pág.). Padilha reitera que a consulta pública está aberta. “Outras mudanças poderão ser incluídas. Vamos avaliar as contribuições da sociedade.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.