quarta-feira, 13 de setembro de 2017

SETEMBRO É O NOVO JANEIRO

Eis que começa o ano. E o que poderia sair dele? Trocando os pés pelas mãos e caminhando ao avesso desde dezembro; fazendo dos sonhos possibilidades reais e acreditando que eram realidade, como aquele caminhante no deserto que de tanto padecer enxerga uma miragem e acredita que é um oásis. 

E assim eu estava: caminhando num imenso deserto que eu mesma encontrei enquanto procurava o que não existia no labirinto dos meus pensamentos confusos, no vão de minhas expectativas, sempre maiores do que comporta a realidade. Falhei. 

Como se não bastasse a falha, eu insisti nela. E por quantas vezes pensei em desistir? 

Dia desses um amigo me falou que existem pessoas que nos inspiram e outras que sugam nossas energias. Interpretei, em outras palavras, que todo relacionamento é uma troca de energias. Algumas pessoas ao te abraçarem, te desejarem um bom dia, ou mesmo ao sorrirem para você, vão te energizar de uma forma tão positiva, que você terá vontade de sorrir também. Outras vão te deixar com um ar pesado e podem comprometer seu humor naquele dia ou seu comportamento enquanto estiver próximo a ela.

Sempre que vou a algum lugar levo minha espontaneidade. Dias desses eu estava na boate. Tinha sido mais uma semana frustrada em que nada de novo aconteceu e quando acontecia, não era nada de muito agradável. Mas então eu estava lá e em determinado momento quando fui buscar uma água no bar, um rapaz me parou e disse: 
eu estou impressionado com sua energia! Você é muito alegre e isso contagia. Sério! Eu estava todo desanimado, pensando em ir embora, agora estou dançando!
E então eu pensei naquele minuto, como as pessoas não conseguem disfarçar sua essência, por "pior" que elas estejam. Aquele rapaz não sabia nada sobre o que eu vinha passando, quantas noites de insônia, falta de ar, choro, ansiedade... E no entanto, ele me via como uma pessoa tão alegre, capaz de contagiá-lo.  Não tive outra reação a não ser dar um abraço agradecendo por isso e neste abraço, eu transmiti tudo de melhor que existia em mim. Transmiti minha energia.

Nos eventos subsequentes que eu fui, observei mais atentamente. Não é que esse negócio de energia funciona mesmo? 

Sei que agora, em setembro, como uma fênix, eu ressurjo das minhas próprias cinzas. Eis que os dias, ainda que cinzentos, sempre guardam em algum horizonte, um lindo arco-íris e por mais pessimista que eu me defina, sei que são as cores desse arco-íris que tenho guardadas nas memórias de minha retina e que não se apagam nunca. Afinal, parafraseando a mim mesma... O que eu sou, não depende de quem você é.

Para mim, o ano começou agora. E eu digo isso isso, porque agora eu começo a receber o eco de minhas ações. Ninguém perde por ser bom, pode perder muito, por ser ingênuo, é fato. Mas a essência da bondade cedo ou tarde retorna a quem a pratica. Então nunca perca a oportunidade de transmitir o melhor de você a qualquer um que cruzar o seu caminho. Não importa quantas vezes te forem cruéis, cada um sempre vai dar apenas aquilo que tem.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O QUE VOCÊ MATARIA?

No fim é o afeto, o herói e o vilão de nossa história. E qual o sentido do afeto em nossa vida se aquele que nos abraça um dia não mais poderá? Mas o que seria de nós se não colocássemos naquele abraço toda a força do nosso amor porque quem nos abraça é digno dele?

No início é o afeto. Pode ser num simples sorriso. Quando pais e filhos, por vezes lágrimas. Um porque nasceu, outro por emoção. E ali está traçado. Como pode um pai não amar seu filho? Como pode um filho não amar seu pai? 

No meio de tudo é o afeto. O afeto é que faz perdoar. O afeto faz voltar atrás em decisões que pareciam tão certas. O afeto é o único que faz esquecer todo o mal. Briga de irmãos, amizades verdadeiras, pais e filhos... O amor é o único eterno. 

E amar dói. Dói porque tem fim. Dói porque no fim, todo amor é egoísta. Todo amor quer aquele que se ama pela eternidade que ele durar. Porque quem ama morre e quem é amado também. E qual o sentido do afeto em nossa vida se todo amor morre?

Talvez o maior castigo que Deus deu ao homem foi o desequilíbrio que todos possuem em maior ou menor medida entre a capacidade de amar e impossibilidade de esquecer. 

E se eu pudesse matar... Eu mataria a morte.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O VAZIO E O NADA

Haverá um dia em que todas as fugas serão inúteis. Haverá um momento em que todas as doses serão insuficientes para aplacar a dor de viver. Haverá um dia em que todo o amor dentro de você perguntará a você e a si próprio o que ainda faz ali. E neste dia, até o amor irá te abandonar. 
Irá silenciar dentro de você todo sentimento. Todo bem e mal serão nada. Nenhuma dor será sentida e nenhum grito será escutado dentro do imenso vazio que tomou conta de tudo o que um dia foi em você sentimento e crença de que as coisas poderiam dar certo e que tudo seria diferente.
Tudo seria diferente e foi. A cada dia um mal pior até não restar nada. Nem pior nem melhor, nem bom nem mau. Apenas o nada. O nada que nada preenche. A surdez que não permite ouvir os gritos de sobrevivência. A mudez que impede gritar por socorro. Nem prazer nem dor. O nada.
E neste dia, descobrir-se-á que todo o vazio ocupa um espaço imenso. Que seu corpo é pequeno para conter em um ser o vazio e o nada dentro de alguém que se esqueceu de si, que se abandonou após os abandonos, que se desacreditou após as decepções, que se autodestruiu para si a cada tentativa de salvar a si mesmo. Que foi assassinado pelo desamor de quem acreditava amar. 


domingo, 30 de julho de 2017

SENTIMENTO POR CAUSA, PALAVRAS SEM EFEITO



Você partiu em uma manhã fria de junho. Estranhamente um calor súbito tomou conta de meu corpo que não suportava nenhuma vestimenta ou qualquer vestígio de proteção. Não precisava. Todo mal estar veio à tona primeiramente sob a forma deste súbito calor que a notícia de tua ausência eterna provocara em mim. 

Todo este calor era necessário para anunciar o permanente inverno e os dias cinzentos que me acompanham desde o dia que você se foi e me seguirá enquanto eu viver. Hoje resta apenas a saudade de um passado que eu gostaria que congelasse. De muito quente resta essa tristeza que arde como brasa todos os dias. E por todos os dias eu vou lembrar de você e vou sofrer por saber que nunca mais terei seu olhar, seu carinho, sua alegria.

No lugar das cicatrizes dos cortes que fiz, hoje carrego uma imagem sua. De um anjo lindo e puro que sorria ao me ver e me abraçava em suspiros que falavam mais que qualquer palavra. Às vezes me desespero, sua ausência me provoca isso. Então em desespero eu penso em me ferir, mas quando eu vejo você em meu braço eu só consigo beijar muito sua imagem. 

Eu preferia mil vezes a dor dos cortes à sua ausência. Eu arrancaria meu braço para ter você de novo. Eu nunca mais iria te deixar. Eu nunca mais iria confiar seu cuidado a ninguém. Eu sei que se eu estivesse com você, você ainda estaria comigo. Mas eu não estive e agora você não está. Você nunca mais estará e apesar de todo silêncio que se fez em minha vida desde que você se foi, o amor que sinto por você gritará para sempre em mim.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

FRIO PÓS-MODERNO

Cada vez mais me inquieta o frio. Inquieta-me, contudo, não o frio que o vento do inverno provoca ao tocar os rostos e mais aquele que ao tocar os rostos congela os corações. A frieza das redes que não sustentam ninguém; que favorece amizade fastfood para depois se tornar lixo descartado na faxina que os exclui.
Sem viés otimista, mas em constatação tem-se a nata da modernidade líquida: ela escorre!
Escorre e passa.
Não passa para os que ainda estão, não passa para aqueles que ainda hão de vir - depende de nós. Não passa como uma época que finda ou moda que é substituída, mas passa. Passado quase anacrônico, mais passageiro que temporal. Mas passa.
Antes de passar, é possível que deixe a gente menos gente, tal qual são as coisas mais gente que a gente. Antes de passar, é provável que amizades terminem em faxinas, relacionamentos sejam discutidos pelo whatsapp e casamentos desfeitos via skype.
De tudo isso quero me abster. Desejo estar muito longe de estar despedaçada por todo mundo e perto, inteira, de um único lugar. Aquietar a alma, dançar a vida, embriagar-me de todos os sorrisos e olhares que cruzarem o meu. Conhecer pessoas que nunca conheci e reconhecer aqueles que talvez um dia, em faxina, eu tenha limpado de minha (vida) lista.
Sim, a pós-modernidade escorre. E corre.
Escorre e lava a alma; escorre e leva o que passou; e passa como passageiro que tomou o trem e acredita que agora está no rumo certo.
Escorre e corre como as águas de um rio que nunca voltarão a afogar quem encontrou a ponte para o outro lado. O lado onde o frio corta a pele, mas não congela o coração.