sábado, 26 de novembro de 2016

BRAVA FLOR


Das flores que me destes, quase todas se perderam.
Apenas uma resiste e insiste manter-se viva entre todas que morreram.
Brava flor que não se entrega! A esta darei meu nome.
E assim admirada compreenderei tamanha bravura que agora é manifesta
em tom de desafio.
Que de tudo menos dói a morte,
Mas a incapacidade de fazer voltar aquilo que um dia viveu.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

DIAMANTES E CRISTAIS

Apenas os fortes conseguem evitar a dor

Seus ouvidos frágeis quase de cristal
Revidam as palavras que os ferem
E aqui ou acolá repelem
- Não quero mais sentir.

E assim numa palavra cerrada com ponto final
Terminam o sentimento.
Curam-se da ressaca da dor
Que dura, se não menos, poucos dias
Porque nunca perderam a razão.

Não é frágil quem treme o riso
Tampouco é frágil quem segura o choro
Precavidos são os que poupam os ouvidos
Fortes os que não suportam a dor.

Apenas os frágeis possuem ouvidos fortes
Somente os frágeis comportam um sentir intenso
E assim sentindo, suportam tanto sofrer
Posto que sofrer também é sentir.

Eis aí o sentido: os frágeis são os fortes!
E quanto mais forte se sente,
Mais frágil se é.

Que rogas tu então?
Ser forte e sentir cristais,
Ser frágil e sofrer diamantes.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

EXPECTATIVAS E FRUSTRAÇÕES

Uma frustração, duas fontes.
Expectativas e decepções são os destinos
Expectativas dependem de você.
Decepções somente do outro.

És responsável pela decepção que causas, não pela expectativa de quem espera,

Às vezes penso que prefiro expectativas
Sempre fui boa em administrar minhas culpas.
Mas quando outro lhe a faz mudar planos.
Adiar, mudar, desistir
Ele assume a responsabilidade.
E se não cumpre,
Frustração por decepção.

Nenhum objeto de exclusividade,
Nenhum dinheiro ou palavra
Paga a decepção.
E cada dia mais eu confirmo
Eu não tenho nenhum motivo.

Vivendo por mera obrigação de viver.

Por enquanto.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

LIKE A BRIDGE...

Eu dizia que sempre seria a ponte sobre as águas turbulentas para todo aquele que eu fizesse amado em meu coração. Eu fui. Eu sou. Não. Nunca recebi amor na mesma medida que dei. Na verdade parei de cobrar ou mesmo esperar por isso. Em meu ato, por assim dizer egoísta, aceitei que ninguém se doa assim como eu me dou e ninguém é capaz de amar assim. Geralmente veem interesse.
E assim, desconfia-se dos gestos gratuitos, das caronas estendidas a um caminho que não seria o meu, de um chocolate que comprei para apenas porque lembrei da pessoa e sei que ao receber ela vai sorrir. Desconfiam de um "eu te amo", não acreditam quando digo "estou sempre aqui". Mas pensando bem, na verdade existia sempre um interesse. O interesse que o outro fizesse o mesmo. Não comigo, muito embora os pequenos gestos que esboço são realidades que queria para mim, mas não seria para mim ou comigo. Ou pelo menos não apenas. Mas sim com todos. Um gesto simples que seja capaz de aliviar a mente de alguém é muito valioso. Pode salvar um dia, às vezes salva até uma vida. Mas daí eu olhei ao meu redor e no hiato que ocupa minha vida, quase culminando com a declaração de extremo abandono e solidão, eu vejo que tenho pessoas como esse cara e isso me conforta muito e me dá a certeza que sou muito privilegiada.
Moab tem o dom raro que talvez nenhum outro tenha. Ele não vincula o que me dá a nada que eu possa devolvê-lo. Ele não tem pena de mim porque eu não faço parte da mesma igreja que ele e por isso não serei "salva". Ele não me assedia nas redes sociais. Ele não fica me "cantando" no messenger. Ele nunca me pediu nada e ainda assim ele tem tanto. Ele nem sabe como já me tirou sorrisos e lágrimas. Ele nem sabe como sou agradecida simplesmente porque ele me vê exatamente como eu gostaria de ser. E ainda que eu mesma tenha dúvidas que eu possa ser tanto, ele tem certeza que sou.



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

0 x 0

Foram 11 meses e 1 dia de resistência. Hoje quando acordei, não sentia nada maior do que a vergonha por ser tão fraca. Um escape para extravasar a dor que só causa dor maior depois que é a do arrependimento. Agora, a dificuldade em fazer qualquer coisa. O sentimento de não saber fazer qualquer coisa. Essa velha sensação eu nem posso me espantar. Tinha sido assim da última vez. E eu lembro que durante todo o dia, eu chorei no espelho e disse a mim mesma: nunca mais. Hoje o jogo foi zerado, uma nova contagem se inicia. E em mim apenas a certeza de para sempre não dizer nunca mais. 
Porque eu suporto enfrentar ao lado de quem amo todas as adversidades, menos perdê-lo.