sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

NOVO ANO VELHO


Chegamos ao fim de um ano e talvez pela
primeira vez eu não consiga vislumbrar coisas positivas para o seguinte. Eu poderia, por mim, sentir-me tranquila. Afinal, já carimbei meu futuro pelos próximos anos fazendo o que mais gosto e dá sentido a minha vida. Antes fosse egoísta e conseguisse não pensar nos dias cinzentos para tantos. Nas nuvens pesadas e ameaças de tempestades para todos aqueles que não tiveram os privilégios que tive. Pensasse apenas em mim, sairia deste barco antes q ele naufragasse. Antes que a sede por dinheiro, sob o pretexto de matar a fome, liberasse, sem controle, os agrotóxicos para os pratos. Antes que o avanço da exploração dos recursos minerais, tomasse como câncer o pulmão do planeta, a Amazônia. Antes do genocídio dos índios, antes da extinção da cultura, antes da perseguição política aos que ousam ser oposição. Antes. Deixo aqui meu desabafo de um ano novo com gosto de velho. Um saudosismo do que nunca vivi além das leituras e se vivesse, não teria saudade... Um sentimento que de tão impróprio, é retido numa mordaça. Parafraseando Nietzsche, estamos todos caindo no mesmo abismo. A diferença é que uns gritam, outros dançam. Como diria Raul, "é pena não ser burro, não sofreria tanto". Vai ver q estivesse até dançando agora...
No mais, feliz 1964 para todo mundo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

#VOCÊNÃO

Demorei a entender q muitas vezes quando se tem político de estimação, o animal pode ser quem o estima. Nessa época conturbada, onde 13 candidatos disputam a presidência de um país; percebe-se com tristeza, os danos da ignorância de um povo que só enxerga 2 candidatos.

Nesta eleição, a disputa não está entre esquerda e direita. Para mim, cada um pode se posicionar em qualquer lado, reconheço que está realmente muito difícil. Mas o que me preocupa vai além disso. Não estamos em uma situação que nos impõe escolha entre "elite" e "senzala". A discussão não é se você prefere coxinha ou mortadela. A situação que se levanta é a possibilidade de um estatista subir ao poder e levar um país à barbárie.

Hoje ousei desafiar um conhecido, ferrenho defensor do candidato favorável a colocar Deus acima de tudo e o Brasil acima de todos, a defender o candidato dele. Ele citou algumas situações a qual o referido candidato irá LUTAR CONTRA. O candidato vai LUTAR CONTRA a ideologia de gênero. Vai LUTAR CONTRA os bandidos. Vai LUTAR CONTRA todas as ameaças às famílias. Vai LUTAR CONTRA o regime comunista que quer calar os cristãos e a igreja de Deus.

Gostaria imensamente de ver UM ao menos UM discurso A FAVOR do bem. Algo que buscasse compreender as diferenças sociais e lutar para equilibrá-las. Algo que favorecesse às minorias. Algo que favorecesse a reintegração dos marginalizados à sociedade. Algo de acolhedor para quem não teve oportunidades na vida ser acolhido em um lar saudável. Enfim, algo a favor. Afinal, pelo que vivi no tempo no qual eu estava mais voltada ao cristianismo, era esse o caráter de Jesus. E, ao menos que a Bíblia tenha sido reeditada, as palavras de Jesus e dos seus seguidores eram de amor ao inimigo, perdão, oferecer a outra face, não atirar pedras se tbm for pecador...


Ademais, reservo-me o direito de, a partir de agora, não responder mais a nenhum comentário de eleitores deste senhor. Não porque me falte argumentos, mas pq chega a ser exaustivo responder quem não tem memória, quem clama por um candidato favorável à ditadura. Quem defende o voto a um fascista sob o argumento de ameaça do PT. Quem não enxerga que são mais de 10 candidatos. Quem não tem discurso e quem não consegue escrever mais de 3 linhas, sem citar o nome de Lula, como se na disputa houvesse apenas 2 opções. 

Movida por tristeza e cansaço, escrevo estas palavras:

Elejam quem quiser! 
A democracia existe para isso mesmo. O Estado livre de direito o qual foi levado o Brasil é tão maravilhoso que permite que os brasileiros decidam até por sua própria mordaça. 

Escolham pois a mordaça mais cruel! 
Comecem por bater panelas. Rasguem a constituição, retrocedam o direito ao voto, trabalhem de sol a sol para enriquecer aqueles q vcs nunca serão, clamem pelo direito de pegar em armas e metralhem petralhadas, feminazis, veado e sapatão. Exterminem todos os quais não estão dentro do padrão que lhe fizeram crer que era o padrão natural. 
Elejam aquele que pode calar todos para sempre e q toda atrocidade q hj vcs cometem agredindo por palavras e ações os que pensam contrário a vcs seja cometida com a máxima barbárie, porque em uma ditadura pouco se poderá falar ou agir contra os diferentes. 

No final comemore! Teremos enfim o Brasil q vc sonhou.

domingo, 9 de setembro de 2018

SETEMBRO (VIDEOCLIPE)

Música autoral do artista alagoano Tiago Godoi o qual gentilmente me convidou para encenar o clipe. "Setembro" é lançado em setembro, mês em que se destaca campanhas de prevenção ao suicídio.
Conversem com seus amigos, colegas e parentes. Aconselhe-os, incentive-os a procurar ajuda, ou, procure ajuda você mesmo caso necessite.

terça-feira, 22 de maio de 2018

METONÍMIA

Todo sujeito é verbo
Livre para conjugar-se,
Predicar-se e prejudicar-se
No substantivo chamado vida.
A vida de substância tempo e espaço
De dores, dúvidas e êxtase.
Dos que hesitam e exultam o êxito
Dos sujeitos flexionados
Ocupa assim a palavra, função diferente do ser,
Sendo o sujeito verbo direto
Que transita perto de outros sujeitos
Às vezes intransitivos; às vezes intransigentes.
Narra-se a vida em primeira em experimentos de quinta...
Insubordinados coordenam suas orações com aposto
na aposta que o vocativo que invocam possa um dia os responder.
Todo sujeito é verbo.
Pode ser muitos sendo um só.
Todo sujeito tem por complemento uma dor.
Alguns lamentam saudade,
uns choram o porvir.
Outros fingem ser a dor um presente.
Agradecem.
Sofrem.

H.T.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

APENAS UM BILHETE

- Hellen, por que você faz isso?

- Todos os conselhos que recebo para seguir em frente, bem como as críticas por eu insistir em não seguir, só me levam a perceber, como as pessoas são iguais. Não é à toa que o mundo é como vemos. Os habitantes pintaram o mundo com cores tão fortes que, sobrepostas, o escureceram. E o fato de eu estar neste mundo, dá-me também o direito de redesenhá-lo e colorir com as minhas cores.

É bem verdade que me sinto como o beija-flor que na história tenta apagar o incêndio da floresta sozinho, carregando água em seu bico...
Contudo interessa-me dizer que jamais irei me arrepender de nada do que fiz para tentar suavizar as cores deste mundo. Sempre que insisto em uma situação, é porque eu sinto que de algum modo, poderia derramar ali, a tinta da felicidade. Da valorização do outro, do sentimento de que ninguém pode ser substituído e de que não é normal acostumar-se a dor.

Se no caminho daquilo que eu acreditei ser o indício de novas cores eu me deparo com engano... Se nas situações em que insisto, por insistir, dizem-me louca ou estranha... Ainda assim não há arrependimento.
Antes, eu me dou conta do meu erro. E percebo que aquela pessoa ou situação na verdade, em nada diferia dos tons que não me caem bem. Acabam de certo, por serem todos iguais, o que não é tão ruim, afinal, todos se acostumaram. Alguns são capazes até de jurar que gostam.
E eu... Eu continuarei entregando amor.

- Hellen, por que você faz isso?
- Porque cada um dá somente aquilo que tem.

Com amor,

Hellen Taynan
27/04/2018 (madrugada dentro e fora)