sábado, 10 de fevereiro de 2018

VITAL


Quando silencia-se em mim o entusiasmo, a angústia me toma por amiga.
Confidente de seu querer, querendo sempre que eu não queira o motivo do bem querer.
Quando suicidam-se em mim as forças, a saudade me adota como filha.
Faz-me primogênita e única, abraça-me e sufoca, faz sangrar a minha alma, faz doer o coração.
Quando a esperança está quase no fim, o amor me toma por guia.
Faz-se base, estrutura e topo, matéria fundamental em mim;
Faz-me insistir em viver
Por quem não desiste de amar.

H.T.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O PROBLEMA DO BRASIL


A ruptura com o Estado Democrático de Direito no Brasil levou o país a um Estado de exceção. Eu não votei na Dilma e tinha muitas críticas à gestão dela. Porém, cada povo tem, quando não o governo que merece, o governo que escolhe. E essa é a base da Democracia. Por impeachment retiraram Dilma do poder e foi instituído seu vice conforme previsto na tão aclamada e pouco respeitada, Constituição. 
O que não foi previsto foi que um governante que compartilhava de mesma base política tomaria medidas tão antagônicas ao governo que o antecedeu. Mas o mercado financeiro comemorou! Ações subiram, o real valorizou. 
O desemprego aumentou. Programas populares foram extintos, afinal o problema do país é a falta de dinheiro. 

A reforma da previdência bate às portas. Afinal, o problema do país é que a população está vivendo mais e onerando o Estado. 
Mais de 60 mil vagas em órgãos públicos foram congeladas. Afinal, o problema do país é enxugar a máquina pública.
Direitos adquiridos a duras penas pelos trabalhadores são jogados pelo ralo. Afinal, o problema do país é culpa da deusa Thêmis que pende a balança sempre pro mais fraco. 
O Brasil voltou a ocupar o mapa da fome. Afinal, o problema do país é culpa da falta de planejamento familiar. 
Tem gente desempregada doando seus filhos porque não pode criar. Tem gente morrendo de fome, frio, de bala perdida... E tem gente, muita gente, morrendo na ignorância. 

A condenação do Lula fez a BOVESPA subir quase 4%. Para o meu bolso e desconfio também que para o seu, não veio nenhum 1,00; mas tem gente comemorando. 
Afinal, o problema do Brasil é, para muitos, o Lula solto.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

EVITE FOFOCAS: PUBLIQUE-SE!

Durante muito tempo louvei os ensinamentos do "bom velhinho" Zygmunt Bauman e apreciei, embora nunca tenha seguido, as máximas do reservar-se. Conter-se em felicidade e tristeza; poupar o mundo de saber sobre suas frustrações, sua condição física e mental afinal o que se ganha e se perde ninguém precisa saber. Ninguém deveria se importar.
Contudo, redes como Facebook, Instagram, Twitter, Blogger e as diversas possibilidades de compartilhamento de status dizem que você não é mais sócio majoritário de sua vida. Ao ler os contratos de termos de uso das redes sociais está lá que mesmo após sua morte tais ferramentas ainda detém o direito sobre o que você compartilhou. É uma espécie de pacto daqui para além.
Desse modo, também há que se lembrar da máxima "se não pode com eles, junte-se a eles". E maior do que o sistema, está quem o alimenta. Quem são? 
São centenas, milhares, milhões e bilhões que podem ter facilmente acesso a qualquer um de nós neste ciberespaço. 
Felizmente, dentre esses bilhões, existem pouquíssimos que vão sondar a vida de outro, mas que ao fazer, irão fazer com maestria sem abrir mão da oportunidade de especular sobre tudo o que veem e inventar tudo o que não veem. Vão perseguir e se informar de tudo o que o outro faz. 
Alguns, por exemplo, costumam ser inofensivos. Colecionam fotos minhas e me escrevem sobre elas. Fazem homenagens públicas, declarações de carinho. Outros repostam meus textos dando os devidos créditos. 
Outros simplesmente, vivem para tentar me derrubar. Haters (?) 
Diante disso, venho desenvolvendo uma ótima ferramenta e atalho para todos os que têm extrema necessidade de especular sobre minha vida e a qual recomendo a todos quanto leem este texto: publique-se!
Elimine as possibilidades de especulações levianas sobre sua vida. Mostre-se! 
Costumo dizer que as fofocas crescem até chegar a mim. Quando chegam, morrem. Não dou audiência para o que disseram que ouviram falar... Não tenho tempo para perder sondando a vida de ninguém. Estou muito ocupada vivendo a minha própria vida.
Paradoxalmente, é necessário vencer uma batalha todos os dias dentro de si, para que se possa viver em paz consigo e eu tenho aprendido muito bem a lição.
Meu blog é autobiográfico. Minhas fotos são. As legendas são. As músicas que ouço são. Os personagens que admiro são. Tudo o que acredito, tudo o que me transformei, o que sou e o que vier a ser é parte de uma autobiografia. Exposta. Pública. Autêntica. Minha.
Nenhum olho grande seca o mar. Nenhum farol é capaz de constranger o sol a ponto dele não brilhar. Sou o que sou. 
E que sejamos melhor a cada dia.

domingo, 7 de janeiro de 2018

PROCURA-SE

- Procuro alguém q seja autêntico, que diga o que sente e que o faça com verdade. 
Alguém que não tenha medo de errar, mas principalmente, alguém que não tenha medo de reconhecer que errou. 
Procuro Alguém que tenha fôlego para recomeçar do zero, mesmo após ter perdido tudo.
Alguém que não perca a fé de amar e não tenha medo de sentir, por mais forte que seja o sentimento. 
Alguém está aí?
- Sim, estou aqui.
(...)
E um silêncio se fez presente.
E logo a ausência do anunciante preenchia aquela busca.
- Oi, tudo bem? Eu sou Alguém. 
Sou Alguém que aprendi a ser para o outro, tudo o que eu queria que fossem para mim. Alguém que extrapola o espaço que lhe é cedido para quem o procura e que por isso, quando apareço, se fecham a mim.
Procuram-me tanto e quando apareço, percebo que aquilo que tanto se procurava era mera idealização utópica do que se busca, mas não se quer alcançar. Como uma vontade de finalização e plenitude que se deseja, mas se evita.
Contudo e felizmente, no mundo são poucos Alguéns. O mundo tá cheio de gente. 
Gente muito bem vestida e comportada. De fala lenta e volume baixo. Gente que se molda e com muito esforço se encaixa na vida que julga ideal viver. 
No fim, gente que fere gente, Alguém que se fere por gente que inevitavelmente busca qualquer meio para exorcizar aquilo que de fato é e não quer mostrar. 
É como se Ninguém tivesse preparado para receber o Alguém que se pede.

-Oi, eu sou Ninguém.


sábado, 2 de dezembro de 2017

HISTRIÃO DA VIDA*

Ao som de Wagner escrevo estas palavras. O peso de sua ópera compete com o do meu olhar. Que antes de peso, é pesar. 
Pela palavra incompreendida, pelo julgamento precipitado. E por quem, pela impossibilidade de amar, julga impossível ser amado. 
É pesar também por mim. Pelas palavras proferidas, pelos gestos sem retorno, pela cara lavada pelo ácido da verdade. 
Escrever ao som de Wagner exige pressa e rigidez. Não espere uma palavra que defina quem eu sou. Não espere o rosto feliz de um leitmotiv indignado. 
Apressa-me dizer o quanto sinto de pesar por minha romântica visão de querer viver Vivaldi em Quattro stagioni, quando em perene inverno, a Sinfonia Fausto me cai melhor. 
E mais do que arte, vida; o histrionismo da décadence é a pintura que melhor cai a quem não precisa de máscaras para viver sendo quem se é.

Hellen Taynan

*Contextualizando os termos:
1- Wagner: um artista em sua mais completa tradução. Uniu música e teatro sendo maestro e compositor. Ele era muito crítico quanto aos escritores da época e por isso preferia ele mesmo escrever as letras. Considero sua música demasiadamente dramática. Muito mais do que se é possível suportar por mais de 30 minutos.

2- Leitmotiv: quer dizer uma forma de conduzir que Wagner desenvolveu e que usa o mesmo tema da ópera sempre que se executa uma passagem do drama envolvendo determinado personagem.

3- Vivaldi: músico barroco do século XVII. Considero sua ópera leve, linda e feliz.

4- Quattro stagioni: "le quattro stagioni", As quatro estações, composição de Vivaldi.

5- Sinfonia Fausto: composição de Liszt, inspirada na obra de Goethe, Fausto. A obra é cheia de ocultismo, parábolas e verdades de um jovem que tinha tudo, mas queria mais. Um drama para Shakespeare nenhum botar defeito.

6- Histrionismo: modo histérico de agir. Quase caricato. Vale tudo para chamar atenção. (Inclusive tirar foto com o rímel borrado).

7- Décadence: aparece, na filosofia de Nietzsche como fato ligado primeiramente à arte e depois à própria existência. Seria o exagero, o histrionismo nos gestos e para ele, Wagner era o mais histriônico de todos os artistas. Sob o ponto de vista existencial, Nietzsche faz uma crítica sobre os que não têm domínio de si próprios, uma vez que em cada pessoa, existem diversos 'eus' e ser pessoa é meramente síntese dos nossos traços. Nesse texto, utilizei sob os dois pontos de vista. Ora para obedecer à ideia musical que ele propõe; ora para enfatizar a multiplicidade dos "eus".