segunda-feira, 15 de agosto de 2016

É CARO DEMAIS SER HUMILDE. É ALTO O PREÇO DE VIVER EM PAZ.


O preço de viver em paz é não ter paz.

Não dentro de você, mas em volta.
Veja bem.

Um dia você pode estar na sua. Você pode decidir manter-se fiel a você, às verdades que são compatíveis com o que você acredita e acima de tudo, respeitar as diversas verdades que cada um decide acreditar.
Pode ser que você viva uma vida pautada em admitir humildemente seus limites. Reconhecer seu lugar no mundo e sua obrigação de ajudar o próximo.

Pode ser que você siga sua vida em paz e decida disseminar essa paz que está em seus planos, afinal já tem tanta gente fazendo o contrário que você pensa que faria bem variar o menu com o que é bom.
Você pensa.
Pode ser que tenha gente goste. Pode ser que não.
E então pode ser que a paz que você dissemina seja motivo de ira de quem não recebe essa paz. Pode ser que você esbarre na prepotência de quem se acha dono da verdade.
Pode ser que sua doação seja motivo de desconfiança por quem faz tudo em troca de qualquer coisa.

Mas, ora! Ontem era herói, hoje é um vilão.
Crucifica-o! Crucifica-o!

Pois.
Se o Mestre do Amor foi abandonado pelos amigos, foi feito de herói a vilão e posto entre ladrões, foi morto por disseminar a paz... Quem é você que espera troféu maior do que o esquecimento?


quarta-feira, 27 de julho de 2016

PROCURA-SE!

Procura-se alguém que preencha os pé-requisitos:

- Não ter profissão;
- Não ter garantia de renda;
- Estar no mínimo dois estados federativos longe da família;
- A família (há dois estados federativos de distância) não ter garantia de renda;
- Não ter relacionamento afetivo;
- Ter sido vítima de violência machista;
- Não ter onde dormir hoje em segurança.

Enfim, procura-se alguém sozinho. Se vc está assim, preenche todos os requisitos e consegue encontrar motivos favor entrar em contato urgente, Preciso de vc, para livrar-me de mim.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

A DOR DE QUEM FICA

E nesses dias que você deseja não estar ali. Que você tenta em desespero, consumir a última gota de álcool a fim de que esse gesto possa lhe tirar a percepção daquilo que é real, porque a carga é grande demais para que você suporte. A sensação de impotência. De não acreditar e de nunca aceitar que alguém assim como você seja capaz de ferir outro alguém assim como você. E nesse turbilhão de emoções, a que mais prevalece é a impotência. A dor de não poder voltar arás de ficar paralisado ao último ponto em que Deus te olha e diz: você não pode. 
Só Ele. Só Ele pode. Ele permite. Por Ele isso acontece. Você não sabe, eu não sei. Ele sabe! Revolta? Talvez. O momento é por demais tenso para pensar em rebelar-se contra o único amigo que se pode ter, seja lá como se chame.
É dor.
É o golpe com ferro na cabeça de alguém, é o caco de vidro na garganta de outro. São as balas perdidas, os automóveis em alta velocidade. É o caos. É a violência. É a religião. É a doença. É quem mata sem querer, é quem vive para matar. É a morte, senão.
A morte.
O fim da esperança. O fim de quem foi só esperança. E morreu desejando acreditar.
É a saga de quem continua a lutar para ir onde outros não foram. Mas se estivessem aqui iriam.
A morte que mata quem morre e faz doer em quem fica, motiva a lutar pelas causas que deixaram, mas nunca deixaram de acreditar.
Lutemos!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

QUEM É O SAFADÃO?

Na semana em que uma banda representando o forró autêntico que marcou a construção histórica e cultural do povo de Pernambuco consegue, por aclamação popular, estar dentre os finalistas de um dos programas mais cobiçados por artistas de todo o Brasil, o feed de notícias do facebook evidencia que não é bem esse o foco de discussão dos caruaruenses.

É sabido, desde a biologia, que aquilo que não se alimenta não se desenvolve. Eis aí um dos motivos para que os artistas locais estejam vivenciando um processo de desnutrição forçado pela omissão das autoridades que ao que parecem, não estão dispostas a alimentar o desenvolvimento ou a manutenção desta cultura. 

Há seis anos eu deixei Caruaru. O orgulho que sinto de minha cidade e do meu estado carrego comigo onde estou. Muitas vezes abro o armário e experimento algumas roupas. Após estar beirando o desespero, porque não me agradei de nenhuma (tem dias que é assim), eu visto a camisa com a bandeira de Pernambuco. Não como última opção, mas como certeza de se um dia eu olhar no espelho e achar que não está bom, é melhor eu nem sair de casa, porque eu é quem não estou. E esse é o nível do meu orgulho. O sotaque, o futebol, a música, o cordel, o Auto do Moura, os amigos de sempre. 

O que acontece hoje com o São João de Caruaru não deve ser nem de longe motivo de vergonha do povo caruaruense. Lembrem que qualquer lugar pode ter a maior festa do mundo, se tiver como prioridade o investimento nessa festa. O São João de Caruaru e o de todos, perde o sentido de patrimônio cultural, quando a cultura local não é o patrimônio desse lugar. O que se lamenta, e isso é certo, é que os artistas locais que foram os responsáveis pela disseminação de uma cultura rica (não de dinheiro, mas de valor), hoje sejam esquecidos. Estejam negligenciados porque perderam lugar à mesa para novos famintos que acharam por bem alimentar-se de outros pratos.

Só se desenvolve aquilo que se alimenta. Não é absurdo pagar um cachê milionário a um artista da moda e recompensar com os 10%, o artista da terra. Absurdo é criticar isso no facebook e no dia do show do famosão ir ao evento e aplaudir a cena. Absurdo é pagar para ir a um show de uma banda famosa e ficar impaciente para que a banda local que abre o show termine logo, porque você não pagou para ver eles e sim a atração principal. Absurdo é ser afiado na língua e cego na ação, porque se perde no caminho e ainda critica os outros porque errou.

Agora seja honesto e responda a si mesmo: se a prefeitura de Caruaru colocasse em seu palco principal no dia 25, um trio pé de serra. Daqueles formados por três senhores, de português deficiente, de chapéu de couro e sandália de feira, o Pátio de Eventos estaria lotado? Você vestiria sua melhor roupa, usaria seu melhor perfume, subiria num salto alto para prestigiar esse show? Ah, talvez esteja um pouco nublado e você não vai com medo da chuva. No dia seguinte a manchete:
"Chuva afasta o público do Pátio de Eventos, que ficou deserto na apresentação do Trio pé de serra".
No entanto, com o show que se aproxima dia 25, ainda que chova granizo, a manchete será algo no tom:
"A chuva não intimida e o público caruaruense lota o Pátio de Eventos em mais um show na noite de ontem".

Acredito que a aclamação da banda Fulô de Mandacaru mais do que bairrismo, é uma resposta acerca do que o público quer ouvir. Contudo, tenho dúvidas que, se não fosse a repercussão na atração global, esses artistas talentosíssimos que compõem banda, tivessem unido o povo em orquestra pelo seu nome. No entanto, devemos trabalhar com evidências e os fatos estão aí para quem quiser ver: um coral uníssono em todo o Brasil votando para eleger a banda como a melhor desta edição.

Só se desenvolve aquilo que se alimenta. Vamos alimentar o que queremos ver florescer. Ainda que a prefeitura se cale, o artista vai onde o povo está. Logo, se a prefeitura não fornece o alimento, sejamos você e eu o mantenedor dessa cultura. Enquanto não fizermos isso, a nossa construção histórica e cultural continuará afundando e assistimos inertes chamando Safadão, o prato do cardápio, quando quem dele se serve somos nós.

domingo, 19 de junho de 2016

SEMPRE HAVERÁ AMOR

Não há no mundo, nenhum ser humano que seja totalmente desprovido de amor ou isento de ser importante na vida de alguém. Por pior que alguém pareça, por mais que ele ou ela tenha ferido muitas pessoas, haverá sempre um que essa pessoa ame e que a ame de volta. Até o mais cruel dos seres humanos, é amado por alguém.

Não é à toa que as mães choram por seus filhos criminosos que são mortos em combates. Não é à toa que tantos lutam por sistemas políticos que para outros tantos são maléficos. Há quem se orgulhe de Hittler e até o demônio tem adoradores. Um estuprador, será sempre o filho de um pai e o irmão de alguém, o melhor amigo de outro... Um político corrupto é um filho, um pai, um marido, um irmão.

Uma pessoa que usa seu poder para ofender pessoas fragilizadas por alguma doença e usa de crueldade para assassinar esperanças em nome da ciência, feita por meios escusos, também está sujeita a adoecer e ser ofendida no futuro por alguém mais poderoso que ela. Em casos como esses, feliz é aquele que tem o amor como maior poder. Porque enquanto a motivação for o interesse financeiro para subir de elevador ao sucesso profissional, a vida de quem faz isso nunca será plena.

Quando eu percebi isso, percebi que não tenho o direito de desejar o pior para ninguém, porque nada pode ser pior que o vazio. Percebi ainda que o mal que eu desejo a outro, nutre algum mal a mim mesma. E que se eu desejo o mal a quem me fez mal, eu não estou desejando o mal a uma pessoa, mas a outros inocentes que amam essa pessoa e vão sofrer também.

No entanto, lembre que não desejar o mal não é sinônimo de anular-se ou enfraquecer-se diante do opressor. Portanto, saiba reconhecer seus limites. Se determinado texto te ofende, não leia. Se você se revolta por sentir-se pequeno diante de agressões, não revide. Quem agride não vai se importar com sua fragilidade e provavelmente nunca vai reconhecer-se como agressor. Lembre que para alguém essa pessoa cruel, é um ser amado.

Aproxime-se de pessoas que te querem bem, que lutam com você e por você. Anule o mal de sua vida, que o mal da vida de quem é mau um dia também será anulado. Porque naturalmente, as coisas tomam seu rumo e se encaixam e apenas as árvores morrem de pé. Fora isso, nunca haverá gigante grande o suficiente que não seja humilhado pela lei que rege a vida e o trás de volta à terra. Ele também um dia cairá e perecerá tal qual perece a menor das criaturas.

Desejo a todos um domingo de paz!