domingo, 25 de setembro de 2016

SENTIR E TRANSBORDAR

Você já gostou tanto de alguém a ponto de chorar quando pensa nessa pessoa?

Ah, mas se faz chorar não pode ser bom... Talvez não seja mesmo, mas não o sentimento. 

O sentimento é bom. Transborda. O querer bem, a vontade de ter, o sonho. 
A vontade de ter o sonho que se quer bem e saber que tal qual muitos sonhos, esse querer não é possível. E se possível, não provável.

E quanto a saber que a quem transborda sentimento tem outro alguém que nem sente tanto é mais conforto que inveja? Acho que é quase assim quando se se sofre por distância. Por mais que você saiba que seria capaz de amar uma estrela de forma mais suave, compreensiva, parceira, e presente, você acaba aceitando a ideia de ter outros corpos celestes fazendo esse papel, pois ainda que torto, também é cuidador e colabora para que sua estrela permaneça suspensa no céu.

Mas esse papel secundário, coadjuvante, ínfimo e quase desnecessário também faz chorar. E chorar de distância quando se pensa em quem se ama é o prelúdio do sofrimento por amar quem não se tem. De modo que não sei mais se choro por amor ou se choro por saudade. 

Mas uma coisa é certa. 
Cada lágrima é sentimento que transborda calado e cai molhado em terra seca, lamentando um amor que não se espera mais brotar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Bem mais que os meus 20 e poucos anos*

*Por: Tai Ferraz


Sexta-Feira, 23 Set de 2016: Faltam 100 dias para acabar o ano. Desde o dia em que nasci até esta madrugada, eu já vivi 9253 dias, 9251 auroras e 9252 finais de tarde (dado que no momento em que escrevo ainda não vi o nascer e por do sol do dia de hoje e no dia em que cheguei ao mundo, cheguei à tardinha e já havia perdido o nascer do dia, naquele dia).

Cheguei ao ano dos meus 25 anos com um misto de sentimentos, medos e angústias que a minha racionalidade faz crer, são coisas da idade. O duro é que esses 9253 dias já vividos não voltam e, em tese ou de fato, só me resta o agora.

Há tempos li algum texto pela internet que falava sobre a crise dos vinte e poucos anos, eu devo estar vivendo esse negócio. As mudanças tem sido constantes, as tentativas frustradas de mudar o que incomoda, mais constantes ainda. A angústia, o medo e a ansiedade têm sido companheiras constantes. Ao que parece, na minha cabeça e nessa confusão de sentir, eu vivo o momento exato das decisões que guiarão o resto de minha vida. Engraçado é que não há como saber se existirá essa vida e como bem cantou Raul em ‘canto para minha morte’, não há como saber.

A sensação é de que a vida se transformou num grande polvo com fortes tentáculos e que me prende a obrigações e ‘conquistas’. Largar “tudo” o que foi conseguido é entendido como insanidade pela maioria, mas eu passo a entender, cada vez mais, quem faz esse tipo de escolha, afinal, o que seria mesmo esse tudo? É que a vida é rara e se você não encontra os motivos pra viver feliz no agora, o futuro hipotético perde o sentido.

Não é uma ode à vida like Woodstock, longe disso, a personalidade forte que foi amansando ao longo dos anos grita que é melhor esperar.    

Se o futuro chegar, se a idade também e se eu perceber que era só coisa da idade, penso eu, as coisas encaixam.

Mas, se ao contrário, o sentimento for de existência sem vida, vou me lembrar pra sempre desses 9253 dias vividos, dos 100 próximos em que é possível fazer algo de fato e tentarei respirar com a mesma esperança de dias melhores que respiro hoje.

Mas, não se desespere moça, um poeta disse certa vez que temos muito tempo, que temos todo tempo do mundo. De cá, eu fico torcendo que isso seja verdade.

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sábado, 17 de setembro de 2016

DE ABSOLUTO, A MORTE (por enquanto)

Ontem recebi a notícia que o pai de um amigo morreu.
Antes de sair de casa.
Na hora eu pensei em ligar pra ele. Deveria ter respondido o e-mail? Deveria mandar eu mesma um e-mail direcionado? Emudeci.
Menos por ignorar e mais por sentir com ele.
Ainda fico sem palavras diante do absoluto que é a morte.
Sim, porque a morte é de fato o único absoluto. A vida... O que é viver? A vida é completa de relativos em si. Cada um pode ser o que quiser, transformar-se. A morte não. É morte. É fim. Ninguém pode ter duas mortes, muito embora em vida, possa se assumir muitas... A vida é pra os outros o que parece ser. E cada um se engana com a vida que aparenta ter ou que pensa que o outro tem.
A morte é o que de absoluto trás a quem era. Também é absoluta a todos que conheciam qualquer que seja a vida de quem se foi.
(por enquanto).

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

ELOS

As melhores letras e inspirações a elos inquebráveis que desafiam o entendimento. Atrações por acaso em conexões sem sentidos que geram momentos com propósito. E também cada riso, lágrima, abraço e desejo de bem. Números, dias, horas somas e validações de uma equação perfeita. Vidas paralelas que se cruzam no infinito. Caminhos que mudam. Ansiedade que passa e convence do que é paz. Instantes tão pequenos que não se apercebem do momento maior. As melhores letras e memórias. A dedução de uma constante abrigada em seres, por hora inconstantes, mas que resistem às tempestades. Fortaleza. Cais. Segurança. Confiança. Elo. Sentimento permanente de um bem que nunca morre. Posto que morre quem sente, mas o sentir em si justifica a permanência. Assim, digo pois que o que sinto não me pertence. Até aqui não percebia que eu pertenço ao que sinto. E por isso é tanto em mim que sou pouco.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O QUE APRENDI COM DILMA ROUSSEF

Sempre me foi peculiar reconhecer no outro tudo aquilo que pode me fazer crescer. Hoje eu venho reunir aqui o que já tenho publicado em poucas linhas nas redes sociais: minha admiração à resiliência da ex-presidenta Dilma Roussef. E esse é um artigo diferente dos que você está habituado a ler acerca do processo dúbio que cercou o impeachment. 

Diferente porque eu não votei em Dilma. Tenho críticas duras ao PT. Eu não votei em Dilma, mas mais de 50 milhões de brasileiros, sim! Logo, não me apetece fazer birra contra alguém que eu não votei. Eu aprendi sobre democracia ainda criança, bem como a aceitar o que é da vontade da maioria. Além do que, o governo é pro povo. O povo soltou Barrabás e condenou Jesus. Foi o povo quem elegeu Dilma. O povo deixou o PT por 14 anos no poder.

Mas esse é um artigo de reconhecimento! De força. De garra de uma mulher que não titubeou. Não se abateu. Não renunciou. Enfrentou de cabeça erguida e olhou os olhos de todos os algozes que desejavam sua cabeça em uma bandeja.


No lugar dela, quantos dos que me leem, sejam homens ou mulheres teriam a mesma coragem? Collor, temendo o inevitável, recuou e tentou renunciar. Não foi possível e amargou uma dupla derrota: uma de ordem política e outra de ordem moral, porque não teve a bravura de enfrentar a derrota. Porque no âmago de sua consciência, pesava a traição que ele cometera ao povo e a ele mesmo.

Não obstante o fato da força de Dilma, registro a nítida percepção da injustiça cometida daqueles que votaram a favor pela cassação do mandato da presidente. Eles não suportaram o peso que os acusava e a fim de aliviar as costas da culpa, num ato de afronta a constituição, desvincularam a segunda frase que o ônus do impeachment acarreta e preservaram os direitos políticos a Dilma. E então, assistimos aos mesmos senadores que se mostravam tão afiados em matéria constitucional, ir contrários a uma medida já prevista.

E Dilma forte. Como muitos dizem, coração valente! Talvez menos subjetivo e mais literal que destaca a sobriedade dela durante todo o processo.

Sim, Dilma! Você me representa! Não só a mim, como a muitos dos que se dizem seus inimigos, mas não têm 1/3 de sua força. A sua atuação me encheu de orgulho de ser mulher. Sua postura mostra que a resiliência, além de necessária é possível. E é possível passar de cabeça erguida diante dos que te acusam, porque se a tua consciência não pesa, não há fardo que te imponham que vá te fazer recuar.

Obrigada, Dilma.