terça-feira, 21 de março de 2017

Meio amor basta

É possível que você entregue tudo de você a uma pessoa, porque a ama por inteiro. 

Você acredita que vale a pena. Você luta para dar certo. Você abdica coisas que não têm mais volta. Você faz escolhas. Você prioriza. E se doa... 

Carinho nunca falta. Compreensão e ouvidos em uma sociedade repleta de bocas e vozes. 

E assim, onde todos querem falar, você se põe ouvidos. 

Ombro amigo. 

Ouve coisas até que não gostaria, mas tenta entender e ajudar. 

E então tudo acaba. Você pensa e diz "ninguém nunca vai te amar assim".

Que isso é um fato, não se contesta. Mas há que se enxergar o outro lado.

Sim,  é verdade. Ninguém nunca vai me amar assim.

Mas e daí? Quem disse que sempre se quer um amor assim? Assistindo a um filme agora à noite, uma frase marcante diz "cada um aceita o amor que acredita merecer". E é assim! Muitas pessoas se contentam em receber um amor pela metade. Um amor mais ou menos. 

Traições, desrespeito, desleixo e falsidade da pessoa amada fazem parte de um meio amor. E acredite, muita gente quer isso! E é capaz de viver anos assim! Especialmente, quando nunca foi amado.

Vivendo anos assim, quando enfim se liberta do meio amor e encontra um amor inteiro, que desnuda toda sua alma, não consegue suportar tanto tempo. 

Tal qual Goethe disse certa vez que nem todos os caminhos são para todos os caminhantes; digo que o amor não é para todos. O amor para quem sabe amar, não é desafio. Existe por si, porque já é aprendizagem. 

O amor é desafio mesmo pra quem sabe se deixar amar de modo que é insuportável ser amado, quando não se aprendeu a receber amor.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Por aqui as coisas continuam do mesmo jeito

É, por aqui as coisas continuam do mesmo jeito. Diria que estou mais forte! Foi Nietzsche mesmo quem disse que aquilo que não nos mata, nos fortalece. E talvez seja isso mesmo. Mas talvez, também, não fosse preciso sofrer tanto. Na verdade eu sempre duvidei de que para aprender fosse necessário chegar ao extremo da dor. Ou ao menos duvidei do fato dessa dor não precisar ter um limite. É isso! Toda dor necessária ao crescimento precisa, clama, urge, implora por um limite!

Um limite que nos impeça de agir impensadamente. Um limite que nos impeça de ficar prostrada numa cama por dias, dias e dias... Um limite que nos faça lembrar do que sentimos pelo outro e em nome disso reconsiderar posicionamentos, decisões, atos e palavras.

É... Por aqui as coisas continuam do mesmo jeito. A tempestade fez estrago apenas em mim. Tudo mais permanece igual. Há dias em que acordo e que quase te chamo. É difícil saber que mesmo que eu tente impedir, o sol vai estar lá fora brilhando quando o dia raiar. É cruel lembrar da verdade de Shakespeare que grita aos meus ouvidos que não importa em quantos pedaços meu coração foi partido, o mundo não vai parar esperando que eu o conserte.

A cada dia uma voz me convence que você não gosta de mim. Outra voz me diz que você gosta. Sei que ao menos uma é razão, só não sei qual. Ou talvez eu não queira saber porque como eu te disse, por aqui as coisas continuam do mesmo jeito. Às vezes tento te incriminar como assassino de meus sonhos. Mas nem por isso levas culpa nenhuma porque a cada manhã se renova essa esperança, esse feixe de luz, de sonho e vontade de recomeçar. Então eu sigo acreditando que cada noite a mais, marca um dia a menos da gente se reencontrar e reescrever as linhas que pelo caminho se desviaram.

quarta-feira, 1 de março de 2017

"AMOR"

Alguns remédios para dormir e impedir o desespero de lidar com quem tanto me "ama".

Pondero visitar o psiquiatra. Quem sabe ele prescreve um combo de como se acostumar com o "amor" que te coloca uma coleira e que permite você ir até onde ele quer e ainda assim, fazendo barulho para saber exatamente onde está.

Que sina então a minha! Ser amada com tão grande "amor" que me impede de viver, mas me permite sonhar. Já que acordada só resta a frustração por não poder ir em busca dos sonhos, melhor mesmo estar em sono por todas as horas o quão for possível. Tenho certeza que sob efeitos de medicamentos potentes, esse "amor", por "amor", me deixa dormir. Afinal, sempre fui tão frágil!

É confortável para o "amor" me ver sempre por perto. O "amor" sabe exatamente como eu tenho que viver. O que eu preciso comer, o que eu posso beber, para onde eu devo ir. O "amor" sabe o que é melhor para mim. Ele sabe quando é dia de descansar. Sabe a hora que devo acordar, o deus que devo adorar, com quem posso conversar e como devo me vestir.

O "amor" fala comigo assim, num tom de compaixão. Se eu reclamo, o "amor" me faz sentir estúpida. Sou insensível e desumana. O "amor" me ama tanto, que me isola até de mim. 

Não existe amor que enfrente esse "amor" que se apossou de meu futuro e desenhou o meu caminho.

É, "amor", você venceu. Infelizmente, não tinha concorrentes. O que me resta são almas, agradecidas por eu ter sido maravilhosa e que sempre vão lembrar como um dia lhes fui útil quando não estava sob o domínio do "amor".

Sem nenhum amor de fato que enfrente todo esse "amor" que sou alvo, eu me entrego. Pode exibir a todos o seu troféu, representado por todas as conquistas que desbravei no tempo que ousei viver longe do "amor". 

Aliás, desconfio que a distância de um "amor" assim, chama-se vida. E no fundo me sinto bem, ter resistido e vivido até aqui, mas agora, sou oco. 

Oco na oca do "amor", sem amor.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

PERDER-SE DE DEUS É NÃO TER SOCORRO


"Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?"

Saudade mesmo eu sinto do tempo em que eu podia acreditar na resposta que seguia a pergunta acima iniciando o salmo 121 da Bíblia. 

Certa vez Rick Warren, escritor cristão, disse que nunca saberemos que Deus é tudo o que precisamos, até que Deus seja tudo o que tivermos. Essa frase soa muito bem a quem tem dentro de si, em algum lugar, um lugar para Deus. 

Dostoiévski dizia que há dentro do homem um vazio do tamanho de Deus. E a todos que se abandonaram tão longe e que de tão vazios chegam ausentar-se de si mesmos, cabe o pensamento de que não existe vazio maior que aquele deixado em quem se abandona de Deus.

A maior contradição a que pode chegar um ateu ou agnóstico é fazer uma oração porque oração requer fé. Quem ora o faz com fé, rogando por algo que espera que Deus cumpra. 

"Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito..." (Mateus 21.21)

Mas ainda assim você ora. Pede, implora e roga não para que os montes se transportem, mas para ter um pouco de fé. Nesse momento é tarde, porque Deus já fez as malas quando você o expulsou e foi cuidar dos que são DEle. Tudo o que você pode ouvir é o eco de seu grito. Não há ninguém dentro de você além de você mesmo e você é tão pequeno, tão frágil, tão falho, tão dependente.

Dentro do hiato você começa a apelar pra caridade de quem você de alguma forma feriu, mas guarda dentro de si muito de Deus. Você rasteja e se humilha a outro ser tão pequeno, frágil, falho e dependente quanto você e que agora pode te olhar e dizer: tenho pena de você.

No vazio perdido em si mesmo, sem fé, sem Deus e sujeito ao sentimento de pena do outro, você ultrapassa as barreiras limítrofes do desespero. Você eleva seus olhos para o monte, mas não vê nenhum socorro. 

Mais uma vez há vários caminhos. Não é apenas uma bifurcação. É labirinto. Você escolhe o que mais prazeroso lhe parece até quebrar-se novamente em mil pedaços e perder-se de novo até o dia em que ninguém mais vai achar e suas forças serão insuficientes para se refazer.

domingo, 29 de janeiro de 2017

A GENTE PEDE DESCULPAS...

A gente pede desculpas quando esbarra sem querer. Quando derruba um copo. Quando se atrasa para um compromisso. Quando precisa dizer que não tem aquele produto na loja. Quando esquece o compromisso. Quando envia um e-mail errado. Quando no calor do momento, fere com palavras quem nunca queria ferir. 

A gente pede desculpas quando adia um encontro. Quando um amigo vai estar na mesma cidade que você e você precisou de última hora se ausentar. Quando comete um erro ortográfico. Quando faz uma brincadeira em um momento inoportuno. Quando deixa a comida queimar. Quando esquece de apanhar as roupas no varal.

A gente pede desculpas para tudo o que a gente pode voltar atrás e fazer sem erro. De tudo o  mais, deveria ser crime pedir desculpas. Desculpas por almas feridas, promessas quebradas e corações partidos, não curam, não consertam, não remediam. Não chegam nem perto de fazer a dor parar e ainda matam mais lentamente quem poderia sentir um golpe só.

Você nunca será condenado por ter sido fiel a você!