terça-feira, 3 de março de 2015

INDIFERENÇA

Já diria Oswaldo Montenegro que a morte é o amigo lá da tua aldeia que esqueceu onde você mora.

Assim me senti ontem.
Alguém pode saber o que é você depositar sua fé em um deus que só ama enquanto você está presente junto dos dele?

Sim. Digo d-eus. Porque Deus mesmo, está além desse amor. E a prova disso, é seu Eliezer. Nossa, como gosto daquele senhor de feições enrugadas e barbas e cabelos brancos. 
Eu estava sem aparecer desde setembro e em janeiro, ele me viu passando na calçada e me cumprimentou com um sorriso tão lindo! Foi tão sincero aquilo. Eu ví Deus no seu rosto. Eu ví o amor nos seus olhos. E eu, que estou com a fé tão abalada, tive vontade de chorar naquele momento, porque a expressão dele ao apertar minha mão, ao perguntar sobre mim e dizer que sentia minha falta, realmente me fez ver que o cristianismo não está de todo perdido.

O tempo passou e ontem estive de novo pisando, com meus pés imundos, em solo santo (igreja). A primeira pessoa que ví, foi o senhor de feições enrugadas e barbas e cabelos brancos. Como sempre, me mostrou seu melhor sorriso e me cumprimentou com o amor de Deus.

Depois ví o grande homem, além do bem e do mal e que me faz sentir um lixo por ser tão podre. Ao vê-lo e tratar com ele, me senti, novamente, um lixo por ser tão podre.

E então... Eu encontrei minha amiga! Caramba!!! Nem me importei que não conversamos desde julho. Afinal, que é o tempo diante de uma amizade? Também não me importei que não nos víamos desde outubro e que durante esse tempo ela nem procurou saber se eu estava viva ou morta. Afinal, o que é minha vida diante das ocupações dela? Mas ontem... Ontem nos olhamos e eu estava diante daquela que um dia me disse que poderia contar pro que der e viesse, esperando um abraço e um sorriso e então...

Ela acenou de longe.

De repente o "que der e viesse" deu, foi e não veio mais.

Senti-me o "cidadão" da música do Zé Ramalho. Mas foi pior ainda, porque na música após ser recriminado por todos, ele vai à igreja e ela o acolhe.

Eu não. Sou odiada demais para ser bem-quista pela igreja.

Persona non grata diante dos santos.

Voltei pra casa. Bebi. Metade pela dor da indiferença, metade pela solidão.

Como diria o velho Machado de Assis em sua filosofia fictícia, se opondo à maiêutica "ao vencido, o ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas"!

Como no humanitismo, vence o mais esperto; nesse modelo de cristianismo, vence o mais hipócrita. E infelizmente, eu não ganhei o troféu,

No mais, advirto-os que cerveja com vodka, causa dor de cabeça no dia seguinte.


Um comentário:

Cesar Rios disse...

Uma de Lutero:

"Cristo padeceu por nós, deixando-nos, com isso, um exemplo; [...] Mas isso é o de menos no Evangelho. Só por isso ainda não se chamará de Evangelho, pois, dessa forma, Cristo não será de maior proveito do que outro santo qualquer. Sua vida permanece com ele e não te ajuda em nada. Em suma, esta abordagem não faz um cristão, apenas, cria hipócritas; tens que chegar, pois, a um ponto muito mais elevado.[...] O ponto principal do Evangelho, seu fundamento, é que antes de tomares Cristo como exemplo o acolhas e o reconheças como dádiva e presente que foi dado a ti, pessoalmente, por Deus, ou seja, que ao vê-lo ou ouvi-lo fazer ou sofrer alguma coisa, que não duvides que ele, Cristo, com esse fazer e sofrer, seja teu, e nisto não te fies menos do que se tu o tivesses feito, sim, como se tu fosses o próprio Cristo." (Em Breve Introdução sobre o que se deve procurar nos Evangelhos e esperar deles, 1522)