quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Bem mais que os meus 20 e poucos anos*

*Por: Tai Ferraz


Sexta-Feira, 23 Set de 2016: Faltam 100 dias para acabar o ano. Desde o dia em que nasci até esta madrugada, eu já vivi 9253 dias, 9251 auroras e 9252 finais de tarde (dado que no momento em que escrevo ainda não vi o nascer e por do sol do dia de hoje e no dia em que cheguei ao mundo, cheguei à tardinha e já havia perdido o nascer do dia, naquele dia).

Cheguei ao ano dos meus 25 anos com um misto de sentimentos, medos e angústias que a minha racionalidade faz crer, são coisas da idade. O duro é que esses 9253 dias já vividos não voltam e, em tese ou de fato, só me resta o agora.

Há tempos li algum texto pela internet que falava sobre a crise dos vinte e poucos anos, eu devo estar vivendo esse negócio. As mudanças tem sido constantes, as tentativas frustradas de mudar o que incomoda, mais constantes ainda. A angústia, o medo e a ansiedade têm sido companheiras constantes. Ao que parece, na minha cabeça e nessa confusão de sentir, eu vivo o momento exato das decisões que guiarão o resto de minha vida. Engraçado é que não há como saber se existirá essa vida e como bem cantou Raul em ‘canto para minha morte’, não há como saber.

A sensação é de que a vida se transformou num grande polvo com fortes tentáculos e que me prende a obrigações e ‘conquistas’. Largar “tudo” o que foi conseguido é entendido como insanidade pela maioria, mas eu passo a entender, cada vez mais, quem faz esse tipo de escolha, afinal, o que seria mesmo esse tudo? É que a vida é rara e se você não encontra os motivos pra viver feliz no agora, o futuro hipotético perde o sentido.

Não é uma ode à vida like Woodstock, longe disso, a personalidade forte que foi amansando ao longo dos anos grita que é melhor esperar.    

Se o futuro chegar, se a idade também e se eu perceber que era só coisa da idade, penso eu, as coisas encaixam.

Mas, se ao contrário, o sentimento for de existência sem vida, vou me lembrar pra sempre desses 9253 dias vividos, dos 100 próximos em que é possível fazer algo de fato e tentarei respirar com a mesma esperança de dias melhores que respiro hoje.

Mas, não se desespere moça, um poeta disse certa vez que temos muito tempo, que temos todo tempo do mundo. De cá, eu fico torcendo que isso seja verdade.

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Um comentário:

Gabriela Ziegler Saraiva disse...

Gostei muito desse texto, me identifiquei bastante com essas reflexões...