domingo, 1 de setembro de 2013

A Sexualidade Infantil

Por: Hellen Taynan


Aspiramos que as crianças saibam muito sobre a importância de ler e escrever, mas colocamos a sexualidade como tabu, algo que se deve aprender o mínimo possível. Isso se dá em parte, por acreditarmos que em dado momento da vida, todos acabam aprendendo e apreendendo noções além do que seria considerado necessário no que diz respeito ao desenvolvimento sexual.
Freud em seus escritos já defendia a máxima de que toda criança se masturba e suas mães e babas sabem disso. Elas têm um interesse pela coisa sexual, elas se tocam e tentam elucidar o enigma decorrente das diferenças entre os sexos. Os únicos que parecem não saber disso, ou ignoram, são os doutores e pretensos especialistas.

Nos estágios do desenvolvimento, as sensações corporais estão intimamente ligadas a órgãos do corpo, a saber, o estágio oral, anal e o estágio fálico do desenvolvimento.

É válido lembrar que o desenvolvimento sexual não resume a psicanálise, no entanto, tanto no adulto quanto na criança, a sexualidade desorganiza o ego, conforme observou Freud.

- Abusos ameaçam à sexualidade infantil:

O abuso sexual de crianças, por adultos tem efeito patogênico. Isso porque a sexualidade da criança deve ser explorada por ela mesma e por outros indivíduos de mesma idade que também se encontram em fase de descoberta do corpo. O adulto deveria ocupar o papel de cuidador, protetor e apoiador, mas inverte esta posição ao satisfazer suas necessidades utilizando a criança. Freud já discorria sobre isso em 1938 na sua última obra “Esboço de Psicanálise” e Ferenczi aprofundou o raciocínio ao acrescentar que além da violação, o trauma do abuso sexual gera a impressão de traição e grande confusão.

- O complexo de Édipo:

O conflito de sentimentos entre o sensual e o afetivo, mescla amor e ciúme, rivalidade e dependência. Essa ambivalência favorece o Complexo de Édipo que ocorre quando a criança atinge o período sexual fálico na segunda infância e se dá então, conta da diferença de sexos, tendendo a fixar sua atenção nas pessoas do sexo oposto no ambiente familiar.
O complexo de Édipo é um conceito fundamental para a psicanálise, entendido como sendo universal e, portanto, característico de todos os seres humanos. Recebeu esse nome devido à tragédia de Sófocles “Édipo Rei” onde Édipo preferia claramente à mãe e odiava o pai a ponto de matá-lo e desposar sua própria mãe. A relação existente na tríade “pai, mãe e filho”, é a essência do ser humano. A diferenciação do sujeito é permeada pela identificação da criança com um dos pais. Na identificação positiva, o menino identifica-se com o pai e a menina com a mãe. O menino tem o desejo de ser forte como o pai e ao mesmo tempo tem “ódio” por ciúme. A menina, por sua vez, é hostil à mãe porque ela possui o pai e ao mesmo tempo quer parecer-se com ela para competir e tem medo de perder o amor da mãe, que foi sempre tão acolhedora. Na identificação negativa, o medo de perder aquele a quem hostilizamos faz com que a identificação aconteça com a figura do sexo oposto e isso pode gerar comportamentos homossexuais.

Referências:
KUSNETZOFF, Juan Carlos. Introdução à Psicopatologia Psicanalítica. São Paulo: Nova Fronteira. 8ª edição, 1994. ISBN 8520904327
WARD, Ivan e Oscar Zarete. Entendendo: psicanálise. São Paulo: LeYla, 2013.

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