sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ciúme


Seu sinônimo é zelo, veio do grego Zelosos. Embora zeloso não seja o mesmo que ciumento, transmite a idéia de propriedade agregada à afeição, que entra na conceituação primeira de ciúme.
O medo da perda e ansiedade dão o tom de aflição e sofrimento que acompanha o ciúme. Já no alemão faz alusão ao fogo, a queimar, arder; é a doença que arde. Estudos mostram que pessoas inseguras e com baixa auto-estima são mais propensas a crises de ciúme.
É bom lembrar que o ciúme é um sentimento normal mas que dependendo da intensidade e freqüência, passa a ser patológico. A literatura científica diferencia claramente a expressão normal da doentia.
A primeira é transitória, refere-se a episódios específicos e é baseado em fatos concretos que ocorrem no contexto do relacionamento amoroso. Já a manifestação patológica aparece como preocupação excessiva e infundada, não necessariamente num contexto de relação amorosa e caracteriza-se como sintoma de quadros como transtorno da personalidade, alcoolismo, depressão e obsessão.
No ciúme patológico as reações são impulsivas, egoístas e violentas, levando muitas vezes ao homicídio seguida do suicídio, os chamados “crimes passionais”, cometidos por portadores de alguma comorbidade psiquiátrica.
Alguns estudos relacionam o ciúme patológico com o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), pois os pensamentos dos ciumentos são similares, já que são intrusivos, desagradáveis e incitam atitudes de verificação constante. As pessoas que reconhecem serem estes comportamentos inadequados ou injustificados logo após entram no quadro de culpa e depressão, já os que não possuem este reconhecimento estão sempre com raiva e com condutas impulsivas constantes.
Muitas vezes nos perguntamos por que não percebemos com clareza que vivemos situações como esta, sem perceber que não eram reações normais. Quantos pais não percebem que a criança está com reações patológicas provenientes do ciúme que sente pelo irmãozinho que nasceu. Como podemos perceber os limites entre reações normais e obsessões doentias se afinal são limites tênues que variam nas suas raízes culturais e etc. Temos que observar com tranqüilidade e muito diálogo e olhos para ver, indo direto ao ponto.
Nos quadros de alcoolismo crônico haverá um ciumento obsessivo compulsivo latente ou um total alienado emocional. Como na nossa cultura é considerado “normal” o costume da cervejinha do final de semana, custaremos a perceber a instalação da doença e conseqüentemente o caminho do fim.
O ciúme que atormenta os adultos vem da infância, através dos sentimentos de ter-se se sentido traído e abandonado pelos pais seja pelo nascimento de irmãos, seja por vícios, ausências prolongadas. Essa sensação de abandono o acompanhará até que ele tome consciência deste sentimentos verbalizando-os e crescendo.
Uma das tarefas mais difíceis do crescimento é superar a forma infantil de amar. Se você está num relacionamento parecido com o que foi descrito acima e vive reclamando de seu parceiro (a), é sinal de que algo está errado, que este relacionamento necessita ser trabalhado para que alcance a maturidade emocional.
O que não dá é para ficar sofrendo e condenando. Neste momento o melhor é não entrar no jogo infantil e buscar ajuda, verificando sempre se paralelo a tudo isso o alcoolismo se encontra presente ou algum outro tipo de dependência além da dependência emocional já instalada. Alcançar o relacionamento adulto seja em que nível for é a meta ideal para ficarmos longe do ciúme patológico, que deteriora qualquer relação.


Créditos:


Texto de Ana Stuart - psicóloga e terapeuta familiar

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